Satélites e sondas da NASA registraram na manhã desta terça-feira a maior erupção no sol deste ano e uma das mais intensas do atual ciclo solar com uma explosão solar de classe X5.1. A explosão X5.1 foi geoefetiva, ou seja, voltada diretamente para a Terra.

Grande explosão no sol voltada para a Terra pode gerar tempestade geomagnética com auroras em várias partes do mundo e até em locais pouco acostumados ao fenômeno | SANKA VIDANAGAMA/AFP/METSUL
A erupção, a mais intensa desde outubro do ano passado, atingiu seu pico por volta das 7h (horário de Brasília), a partir da mancha solar AR4274, uma região extremamente ativa na superfície solar nos últimos dias.
As explosões solares são classificadas em cinco categorias – A, B, C, M e X – com cada letra representando um aumento dez vezes maior na intensidade da energia liberada. Dentro da classe X, a numeração indica o grau de força. Uma erupção de classe X5.1 é considerada de grande magnitude e pode causar impactos significativos na ionosfera terrestre.
A mesma mancha solar já havia produzido duas grandes erupções nos dias anteriores — uma X1.7 no sábado e outra X1.2 no domingo. Ambas foram acompanhadas de ejeções de massa coronal (CMEs), nuvens gigantescas de plasma e campo magnético que se deslocam pelo espaço a milhões de quilômetros por hora.
De acordo com a NASA e o Centro de Previsão do Clima Espacial (SWPC) dos Estados Unidos, a explosão causou blecautes de rádio de nível R3, considerados fortes, em várias regiões do planeta. A agência espacial norte-americana monitora agora se a erupção foi acompanhada por uma ejeção de massa coronal (CME) — uma nuvem de partículas carregadas que, caso esteja direcionada à Terra, pode provocar tempestades geomagnéticas nos próximos dias.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) emitiu um alerta nesta terça-feira (para uma ejeção de massa coronal (CME, na sigla em inglês) extremamente rápida e potencialmente voltada para a Terra na sequência da explosão solar. O fenômeno foi detectado pelo satélite GOES-19 e está associado à forte erupção solar de classe X5.1.
Veteran's Day fireworks!
X5.1 flare (R3-Strong) from Region 4274Region 4274 produced an X5.1 flare at 11/1004 UTC. Likely the strongest flare of the cycle. More information will follow in subsequent posts.
Stay tuned to our website for updates. pic.twitter.com/0FYOdiKIGH
— NOAA Space Weather Prediction Center (@NWSSWPC) November 11, 2025
De acordo com o Centro de Previsão de Clima Espacial (SWPC), a análise preliminar indica que a ejeção pode chegar ao planeta entre o final da noite desta terça e a madrugada de quarta-feira. O material expelido pelo Sol estaria viajando a velocidades excepcionais — o choque principal a cerca de 7,1 milhões de quilômetros por hora, e o corpo da nuvem de plasma a 5,3 milhões de quilômetros por hora.
Embora os especialistas ressaltem que a CME não parece estar totalmente direcionada à Terra, há indícios de que parte da ejeção possui um componente voltado ao nosso planeta, o que pode gerar efeitos geomagnéticos relevantes. A NOAA avalia a possibilidade de emitir um alerta de tempestade geomagnética severa (G4) caso as condições se confirmem nas próximas horas.
Os cientistas seguem monitorando a evolução da ejeção e recomendam que observadores e operadores de sistemas sensíveis a distúrbios espaciais — como redes elétricas e comunicações por satélite — acompanhem as atualizações oficiais.
An energetic and fast moving CME has blasted from the Sun early on 11 November. SWPC forecasters are evaluating the situation and will make any needed geomagnetic storm watch adjustments soon. Stay space weather aware at https://t.co/TV7Yw6Lq1Y pic.twitter.com/J7saLuj2Xx
— NOAA Space Weather Prediction Center (@NWSSWPC) November 11, 2025
Entre os possíveis impactos de uma tempestade geomagnética severa, a NOAA destaca que sistemas de energia podem enfrentar problemas generalizados de controle de tensão, com desligamentos indevidos de equipamentos críticos da rede elétrica provocados por falhas nos sistemas automáticos de proteção. Satélites e espaçonaves também podem ser afetados, sofrendo acúmulo de carga elétrica em suas superfícies e dificuldades de rastreamento e orientação, exigindo correções manuais pelas equipes de controle.
Outros sistemas podem registrar distúrbios relevantes: correntes elétricas induzidas em oleodutos podem interferir em medidas preventivas de segurança; a propagação de sinais de rádio em alta frequência (HF) torna-se irregular; e os sistemas de navegação por satélite, como o GPS, podem apresentar degradação por várias horas. A navegação por rádio de baixa frequência também pode ser temporariamente interrompida. Além disso
As tempestades solares ocorrem quando o campo magnético da CME se orienta para o Sul ao chegar à Terra, interagindo com o campo magnético do planeta. Se isso se confirmar, auroras poderão ser vistas em latitudes médias, em áreas pouco acostumadas a ver o fenômeno
As erupções solares são explosões de energia eletromagnética na atmosfera do sol, geralmente acima das manchas solares, regiões mais escuras e frias formadas pelo acúmulo de campos magnéticos. Essas explosões podem afetar comunicações por rádio, redes elétricas, sistemas de navegação e representar risco para satélites e astronautas.
O evento de hoje foi classificado como X5.1 enquanto o mais poderoso já registrado chegou a X28, em 4 de novembro de 2003. Embora uma erupção solar de classe X5.1 seja relativamente rara, já ocorreram eventos mais fortes no atual ciclo solar, segundo a NASA. Entre os principais registros estão:
- 3 de outubro de 2024 — X9, a mais intensa do ciclo solar 25, responsável por auroras visíveis em várias partes do planeta.
- 5 de maio de 2024 — X8.7.
- 1º de outubro de 2024 — X7.1.
- 22 de fevereiro de 2024 — X6.3.
- 11 de maio de 2024 — X5.9, que gerou auroras em escala global e que foram visíveis até na Argentina, Uruguai e em cidades uruguaias perto da fronteira com o Rio Grande do Sul.
O ciclo solar atual, conhecido como Ciclo 25, alcançou o chamado máximo solar em outubro de 2024, quando também ocorreu uma erupção de classe X5. Especialistas, contudo, acreditam que o Sol possa estar apresentando um duplo pico de atividade, algo que já foi observado em ciclos anteriores.
Durante o máximo solar, o sol libera com mais frequência erupções e ejeções de massa coronal. Quando essas ondas de partículas chegam à Terra, interagem com a atmosfera superior, excitando átomos de oxigênio e nitrogênio — processo que dá origem às auroras, em tons de verde, vermelho e violeta, que iluminam o céu polar.
O Ciclo Solar 25, em andamento desde 2019, vem apresentando níveis de atividade superior ao previsto pelos modelos iniciais. A NOAA e a NASA estimam que o pico do ciclo ocorra até o início de 2026, o que explica a sequência de erupções de grande porte nas últimas semanas.
Mesmo sem riscos diretos à saúde humana, a sequência de explosões mostra que o sol segue em um momento de intensa atividade, com energia suficiente para afetar comunicações, redes elétricas e a própria atmosfera terrestre.
