O frio que marca este começo de semana não será um episódio isolado e haverá mais dias de temperatura abaixo do normal para esta época do ano nas próximas semanas sob um ritmo atmosférico com maior frequência de incursões de ar frio, de acordo com as projeções da MetSul Meteorologia.

METSUL
O mapa acima mostra a projeção de anomalia de temperatura (desvio da média mensal) do modelo do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF) para os próximos dez dias em que se observa o padrão de temperaturas abaixo do normal no Centro-Sul do Brasil.
Massa de ar frio ingressou na semana passada com fraca intensidade e uma segunda muito mais intensa passou a atuar durante o fim de semana, trazendo neve em pleno mês de setembro no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Esta segunda foi o terceiro dia seguido com mínimas negativas no Rio Grande do Sul. A temperatura mínima de -6,8ºC de hoje em São José dos Ausentes é a mais baixa no Rio Grande do Sul em 2026, superando a menor marca anterior no ano que era de -6,4ºC em Pinheiro Machado, no dia 16 de junho.
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Em Santa Catarina, a segunda-feira começou com mínimas de até -6ºC em São Joaquim. No Paraná, o dia começou com 0,2ºC em General Carneiro. Em São Paulo, grande parte do interior teve marcas de 10ºC a 13ºC. Na cidade de São Paulo, fez 6,9ºC hoje cedo no Sul da capital.
Esta massa de ar frio começa a perder força a partir de hoje, mas dados indicam que uma nova incursão de ar frio e com trajetória continental, pelo interior do continente, deve chegar no final desta semana.
Esta nova massa de ar frio não será tão intensa quanto a atual, mas deve promover uma queda acentuada da temperatura com uma nova sequência de dias frios no próximo fim de semana e na primeira metade da semana que vem.
Mais frio no Sul e mais chuva no Centro do Brasil
O que se observa neste mês de setembro é uma alta frequência de massas de ar frio, tal como se viu em maio, junho e a primeira semana de julho. Trata-se de um cenário térmico de inverno, com condições que podem ser esperadas em regra nos meses de junho, julho e agosto, quando ocorrem normalmente períodos de temperatura baixa frequentes e numerosos dias de temperatura mínima abaixo de zero e alta frequência de formação de geada.
O impacto maior desta sequência de incursões frias se dá na temperatura do Sul do país, em especial no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enquanto no Sudeste e em parte do Centro-Oeste se projeta muitíssimo mais chuva do que o normal para setembro com muitos dias amenos e alguns até frios.
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No caso de parte do Centro-Oeste do Brasil, uma vez que nesta época do ano o tempo costuma ser muito quente, anomalias negativas de temperatura não necessariamente se traduzem em frio, mas sim em menor número de dias de forte calor ou calor mais moderado sem os extremos comuns em setembro. No Mato Grosso do Sul, devido à maior proximidade com Sul, ocorrem dias frios.
Por que o setembro mais frio?
A dinâmica nesta momento da atmosfera no Hemisfério Sul é propícia ao ingresso de sucessivas massas de ar frio na América do Sul. O padrão está relacionado à Oscilação Antártica (AAO), também conhecida como Modo Anular do Sul, que descreve mudanças na pressão atmosférica e na circulação de ventos entre as latitudes médias e altas do Hemisfério Sul.
Quando a AAO entra em fase negativa, como nesta primeira metade do mês, os ventos que normalmente ficam mais concentrados ao redor da Antártida se enfraquecem e se deslocam para latitudes mais ao Norte, facilitando o avanço de ar polar em direção à América do Sul.
É justamente tal cenário que ajuda a explicar a abertura do que chamamos de corredor polar. Com a circulação atmosférica favorecendo o deslocamento de ar frio para o Norte, diferentes massas de ar de origem polar podem avançar em sequência, mantendo o Sul do Brasil sob influência de temperaturas baixas por vários dias e semanas.