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O combate aos incêndios florestais que devastam a Patagônia argentina ganhou um reforço decisivo com a chegada do Boeing 737 Fireliner, o maior avião-tanque da América Latina, enviado para atuar nos focos ativos da província de Chubut.

Boeing 737 Fireliner na Patagônia

GOVERNO DE CHUBUT

A aeronave, capaz de transportar até 15 mil litros de água ou retardante químico, passou a integrar uma operação aérea e terrestre considerada essencial diante da rápida propagação das chamas em áreas de floresta nativa e proximidade com zonas habitadas.

Os incêndios afetam principalmente a região de El Hoyo e o acesso ao lago Puerto Patriada, onde o fogo já consumiu milhares de hectares de vegetação e forçou a evacuação de cerca de 3 mil pessoas, entre moradores e turistas.

A situação levou as autoridades a decretarem alerta permanente. Rodovias estratégicas, como a Ruta 40, chegaram a ser totalmente interditadas quando as chamas alcançaram as margens da pista e a fumaça reduziu drasticamente a visibilidade.

Com o avanço do fogo, equipes de emergência priorizaram a retirada preventiva da população, evitando que pessoas ficassem isoladas em uma área com apenas uma via de acesso e saída.

Enquanto o combate segue intenso, a investigação judicial confirmou indícios de que o incêndio teve origem intencional. Peritos identificaram a presença de acelerantes no ponto inicial do fogo, reforçando a suspeita de ação criminosa.

Segundo o Ministério Público de Chubut, o foco começou em uma área de bosque afastada de zonas de uso recreativo, sem fogões, acampamentos ou residências próximas, o que afasta a hipótese de acidente doméstico.

As autoridades afirmam que o local escolhido indica conhecimento prévio da região e das consequências potenciais do incêndio, já que o fogo colocou em risco milhares de pessoas concentradas em Puerto Patriada.

Diante da gravidade, o governo provincial ofereceu uma recompensa de 50 milhões de pesos para informações que levem à identificação dos responsáveis. A pena para incêndio agravado pode chegar a 15 anos de prisão.

Apesar disso, até o momento não há suspeitos identificados. As investigações seguem em andamento, com análise da possibilidade de outros focos iniciais e cruzamento de dados técnicos e testemunhais.

No campo operacional, mais de 180 combatentes atuam diretamente no combate às chamas, além de cerca de 100 profissionais dedicados à logística. Participam brigadistas florestais, bombeiros voluntários, equipes de parques nacionais e forças de segurança. Tropas do exército da Argentina se somaram aos esforços.

O Boeing 737 Fireliner opera ao lado de outros cinco aviões-tanque menores e um helicóptero, realizando lançamentos precisos em áreas críticas e de difícil acesso terrestre.

O governador de Chubut, Ignacio Torres, destacou que o uso do avião de grande porte representa um reforço extraordinário em uma situação considerada crítica, especialmente pela proximidade do fogo com comunidades.

As condições meteorológicas seguem desfavoráveis, com poucas expectativas de chuva nos próximos dias e ventos que dificultam o controle das chamas, aumentando o risco de novos avanços.

Além das perdas ambientais, o incêndio provoca impactos econômicos e sociais relevantes, atingindo o turismo, a infraestrutura e a rotina de cidades inteiras da região andina patagônica.

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