O tornado que atingiu o município de Pedro Osório, no Sul do Rio Grande do Sul, na tarde de ontem (6), deixou um rastro de destruição numa faixa localizada de terreno e pode ter tido vento acima de 200 km/h, de acordo com avaliação da MetSul Meteorologia.

Foto dos estragos pelo tornado em Pedro Osório

LEONARDO HEPP FERREIRA

O tornado que atingiu o distrito de Matarazzo, no interior de Pedro Osório, deixou um cenário de destruição em propriedades rurais. O fenômeno ocorreu por volta das 17h15 e foi associado a uma supercélula, tempestade caracterizada pela presença de rotação.

Os maiores prejuízos foram registrados na zona rural. Casas, galpões, estufas e outras estruturas foram destruídos pela violência dos ventos. Árvores de grande porte foram arrancadas pela raiz e espalhadas pelas propriedades, enquanto cercas, máquinas e diversos equipamentos agrícolas ficaram danificados.

Algumas residências sofreram destelhamentos, enquanto outras construções foram praticamente arrasadas pela força do vento. Embora a destruição material tenha sido significativa, não houve registro de mortos ou feridos.

O tornado passou cerca de 200 metros da área mais habitada da Vila Matarazzo, que possui aproximadamente 65 residências. Caso o funil tivesse cruzado diretamente o núcleo urbano, as consequências poderiam ter sido muito mais graves.

Além dos estragos no interior, Pedro Osório também registrou danos na cidade. Houve queda de árvores, postes derrubados, fios de energia espalhados pelas ruas e destelhamentos em diversas residências, mas não relacionados ao tornado.

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Este foi o segundo tornado confirmado no Rio Grande do Sul em menos de dez dias. No fim de julho, outro tornado atingiu municípios da região Noroeste, entre eles Giruá, Senador Salgado Filho e Sete de Setembro, deixando feridos e causando destruição em residências, estruturas rurais e na rede elétrica.

AVALIAÇÃO PRELIMINAR É DE UM TORNADO F-2 SUPERIOR COM VENTO DE ATÉ 200 KM/H

A MetSul Meteorologia entende, em avaliação preliminar baseada na análise dos danos observados em Pedro Osório, que os estragos têm características de tonado categoria F1 na maioria dos pontos e F2 em alguns pontos.

Foto do tornado em Pedro Osório

Tornado em Pedro Osório | REPRODUÇÃO

Na Escala Fujita original (F), tornado classificado como F2 é considerado de intensidade significativa, com ventos estimados entre 181 km/h e 253 km/h. A intensidade é considerada inferior do tornado do fim de julho no Noroeste gaúcho, que a MetSul avaliou como um F3 pela maior severidade dos danos na comparação com os observados em Pedro Osório.

As imagens da Vila Matarazzo mostram um corredor de destruição compatível com a passagem direta de um tornado por uma área rural. Diversas árvores de grande porte tiveram os troncos quebrados a vários metros de altura ou foram arrancadas pela raiz, enquanto outras perderam praticamente toda a copa.

Foto dos estragos pelo tornado em Pedro Osório

LEONARDO HEPP FERREIRA

Foto dos estragos pelo tornado em Pedro Osório

LEONARDO HEPP FERREIRA

Foto dos estragos pelo tornado em Pedro Osório

LEONARDO HEPP FERREIRA

Foto dos estragos pelo tornado em Pedro Osório

LEONARDO HEPP FERREIRA

Residências sofreram danos estruturais severos, com telhados completamente arrancados, paredes externas derrubadas e partes das construções reduzidas a escombros. Galhos, troncos, tijolos, madeiras e outros destroços ficaram espalhados por toda a propriedade.

Em um tornado EF2, é comum que casas de construção convencional tenham telhados arrancados e parte das paredes derrubadas, enquanto edificações mais frágeis podem ser completamente destruídas. Estruturas rurais, como galpões, estufas, silos e depósitos, frequentemente entram em colapso. Árvores de grande porte podem ser arrancadas pela raiz ou partidas, e postes de energia são derrubados, deixando milhares de consumidores sem eletricidade.

A classificação definitiva depende da análise da qualidade das construções atingidas, dos tipos de estruturas destruídas e da distribuição dos danos ao longo da trajetória do tornado.

O QUE CAUSOU O TORNADO

O tornado de Pedro Osório ocorreu durante a passagem de uma intensa linha de instabilidade do tipo QLCS (Quasi-Linear Convective System), que avançou pelo Rio Grande do Sul associada à formação de um ciclone extratropical no Uruguai.

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Embora as QLCS sejam caracterizadas por tempestades organizadas em linha e sejam conhecidas principalmente por provocar vendavais generalizados, elas também podem gerar tornados, normalmente de curta duração e pequena extensão, quando se formam áreas de intensa rotação embutidas na linha de tempestades.

Corrente de jato em baixos níveis avançava de Noroeste com ar quente e e uma frente fria se deslocava de Sudoeste com ar frio e trazia grande divergência (cisalhamento) de vento que criou condições para o tornado | METSUL

Uma intensa corrente de jato em baixos níveis transportava ar muito quente e úmido para o Rio Grande do Sul enquanto uma frente fria avançava de Sul. Tal condição fortaleceu a instabilidade e aumentou significativamente o cisalhamento do vento, um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento.

Índice de Parâmetro de Tornado Significativo tinha elevados valores no final da tarde nas Metades Oeste e no Sul do estado | METSUL

O cisalhamento do vento corresponde à mudança da velocidade e da direção dos ventos com a altura. Quando esse contraste é muito intenso, surgem movimentos de rotação horizontal na atmosfera que podem ser inclinados para a vertical pelas fortes correntes ascendentes da tempestade. Esse processo aumentou rapidamente a velocidade dos ventos em rotação até que se formou o tornado, estabelecendo contato entre a base da nuvem e o solo.

Entenda o que é supercélula de tempestade

A supercélula é o tipo mais organizado e intenso de tempestade, caracterizada pela presença de uma corrente ascendente em rotação, conhecida como mesociclone. Diferentemente das tempestades comuns, que costumam ter ciclo de vida curto, uma supercélula pode persistir por várias horas, deslocando-se por grandes distâncias enquanto produz fenômenos severos. Esse tipo de tempestade é capaz de gerar chuva torrencial, granizo de grande tamanho, intensa atividade elétrica e rajadas destrutivas de vento.

ARTE DE LEANDRO MACIEL

A formação de uma supercélula depende de uma combinação de atmosfera muito instável, grande disponibilidade de umidade e forte cisalhamento do vento, que é a mudança da velocidade e da direção dos ventos com a altitude. Esse cisalhamento faz com que a corrente ascendente adquira rotação, permitindo que a tempestade mantenha sua estrutura organizada e se intensifique. Por essa razão, as supercélulas são consideradas as tempestades com maior potencial para produzir fenômenos extremos.

Os tornados estão frequentemente associados às supercélulas porque a rotação do mesociclone pode se concentrar e se estender até o solo, formando um funil giratório. Embora nem toda supercélula produza um tornado, a grande maioria dos tornados mais intensos e destrutivos do mundo se origina desse tipo de tempestade. Quando uma supercélula se desenvolve em um ambiente muito favorável, com forte instabilidade e intenso cisalhamento do vento, o risco de formação de tornados aumenta de forma significativa.