Anúncios

Uma grande massa de ar muito mais quente que o normal, que se estende do Sul do Brasil até a região da Península Antártica, provoca um fenômeno raro neste domingo (29) no extremo Sul do continente com ocorrência de raios em áreas de clima frio e perto da Antártida como a região de Magallanes no Chile, a Terra do Fogo na Argentina e as Ilhas Geórgia do Sul, no extremo Sul do Atlântico.

Mapa mostra ar quente do Sul do Brasil até o extremo Sul do continente

Mapa mostra ar quente do Sul do Brasil até o extremo Sul do continente | METSUL

Os raios são favorecidos por uma grande massa de ar mais quente que o normal, e de enorme extensão, que cobre áreas do Sul do Brasil, Uruguai, quase toda a Argentina e ainda avança até setores mais ao Norte da Península Antártica, as Ilhas Malvinas e as Ilhas Geórgia do Sul.

A massa de ar é tão quente no extremo Sul do Atlântico, que a temperatura durante este domingo em Mount Pleasant, nas Ilhas Malvinas, chegou a 20ºC. Parece não ser calor, mas para a região e no fim de março é uma temperatura extremamente elevada. Em regra, nesta época do ano, as máximas ficam entre 10ºC e 13ºC.

No começo da noite deste domingo, no boletim meteorológico das 19h, o Aeroporto de Ushuaia, na Terra do Fogo, no extremo Sul da Argentina, reportava chuva com trovoadas (TSRA no código da aviação) e temperatura de 10ºC com a presença de uma nuvem do tipo Cumulonimbus.

A ocorrência de raios em regiões como Ushuaia, no extremo sul da América do Sul, e nas remotas Ilhas Geórgia do Sul é rara e a principal explicação está na localização dessas áreas: são territórios muito meridionais, próximos da Antártida, onde predomina um clima frio ao longo do ano.

Anúncios
Mapa de raios do começo da noite deste domingo mostra descargas no extremo Sul do continente e nas Ilhas Geórgia do Sul

Mapa de raios do começo da noite deste domingo mostra descargas no extremo Sul do continente e nas Ilhas Geórgia do Sul | METSUL

Raios dependem de nuvens de grande desenvolvimento vertical, formadas em ambientes com calor e umidade. Nessas regiões austrais, porém, as temperaturas baixas limitam a quantidade de vapor d’água disponível na atmosfera. Com isso, as nuvens tendem a ser mais baixas e estratiformes, trazendo chuva fraca e persistente, e não tempestades elétricas.

A baixa incidência de radiação solar ao longo do ano também reduz o aquecimento da superfície, o que enfraquece a convecção, processo essencial para a formação de raios. Sem correntes ascendentes intensas, não há separação significativa de cargas elétricas dentro das nuvens.

No caso das Ilhas Geórgia do Sul, o ambiente é tão frio e hostil que a fauna é dominada por espécies adaptadas ao gelo e ao mar gelado. O arquipélago abriga uma das maiores colônias de pinguins do planeta e costuma ter vento forte a intenso e gelado na maior parte do ano.