Marés excepcionalmente altas provocaram inundações em áreas costeiras da Flórida e da Califórnia, nos Estados Unidos, com registros históricos de elevação do nível da água, ruas alagadas e danos à infraestrutura. O fenômeno, conhecido como King Tides, deve manter o risco de alagamentos costeiros nos próximos dias, com a combinação de marés astronômicas, ventos persistentes, ondas fortes e chuvas intensas ampliando os impactos em comunidades litorâneas.

Kings tide nos Estados Unidos

CHRISTOPHER BECKETT/NURPHOTO/AFP/METSUL

Na Flórida, a situação se agravou na segunda-feira (26), quando a água invadiu ruas e áreas residenciais de Miami, Fort Lauderdale e Hollywood. Em South Port Everglades, a inundação alcançou 2,25 pés acima do nível normalmente seco do terreno, superando a marca registrada durante a passagem do furacão Nicole, em 2022. Também foram observados níveis elevados em outros pontos de monitoramento, incluindo Virginia Key, Port Canaveral e Lake Worth.

O sul da Flórida enfrenta algumas das marés altas mais extremas já registradas na região. Na manhã desta terça-feira (27), o nível da água atingiu o mesmo patamar de inundação severa observado durante a passagem do furacão Wilma, em 2005, segundo relatos locais.

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A água avançou pelas ruas de Miami a Fort Lauderdale e invadiu residências e estabelecimentos comerciais que não estavam protegidos por barreiras de sacos de areia. O episódio evidencia como as chamadas King Tides, marés excepcionalmente altas, podem provocar alagamentos significativos mesmo sem a passagem direta de um ciclone tropical, especialmente quando combinadas com ventos persistentes que empurram a água do oceano para o continente.

O episódio ocorre durante o período de marés excepcionalmente altas do outono no Hemisfério Norte. As chamadas King Tides correspondem às marés mais elevadas do ano, associadas ao alinhamento gravitacional entre a Terra, a Lua e o Sol. Embora sejam fenômenos naturais, seus efeitos podem ser intensificados por ventos que empurram a água do oceano em direção à costa e dificultam o escoamento da água acumulada nas cidades.

Na costa sudeste dos Estados Unidos, ventos de nordeste entre 32 e 40 km/h contribuem para elevar o nível da água junto ao litoral. Alertas de inundação costeira foram emitidos para áreas da Flórida, da Geórgia e da Carolina do Sul. Em Charleston, os níveis da água podem alcançar ou ultrapassar 60 centímetros, aumentando o risco de alagamentos em ruas centrais, bairros baixos e áreas próximas ao porto.

A chuva representa outro fator de preocupação. Na Flórida, a interação entre uma área de baixa pressão em altitude próxima a Cuba e a circulação atmosférica regional favorece o transporte de umidade tropical para a península. A previsão de acumulados adicionais superiores a 50 milímetros, com pancadas localizadas capazes de superar 25 milímetros por hora, pode agravar os alagamentos quando a maré elevada impede a drenagem da água pluvial.

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Na Califórnia, o episódio também estabeleceu marcas importantes. Em San Pedro, no porto de Los Angeles, a maré atingiu aproximadamente 2,44 metros em 26 de outubro, superando o recorde anterior de janeiro de 2005. A estação possui registros desde 1923. A previsão indicava a continuidade de inundações costeiras significativas no sul do estado até quinta-feira (29).

Meteorologistas apontam que a combinação entre a Lua cheia, águas oceânicas mais quentes, oscilações do nível do mar e sistemas meteorológicos contribuiu para a elevação observada. Na costa do Pacífico, uma onda oceânica de Kelvin e temperaturas acima da média também podem influenciar os níveis costeiros. O desenvolvimento do El Niño acrescenta um componente importante ao cenário climático, embora não seja a causa isolada das marés extremas.

A elevação do nível médio do mar associada à mudança climática aumenta a vulnerabilidade das comunidades costeiras, pois faz com que marés altas atinjam níveis de inundação com maior facilidade. Quando esses níveis coincidem com ventos fortes, ondas e chuva, os impactos podem superar os observados em eventos anteriores. O episódio reforça os desafios de adaptação das cidades litorâneas diante da combinação entre variabilidade natural e aquecimento global.