A La Niña está claramente se encaminhando para o fim, e as evidências disso vêm do próprio Oceano Pacífico. Nas últimas semanas, meteorologistas que monitoram o clima global passaram a observar mudanças importantes na temperatura das águas abaixo da superfície do Pacífico Equatorial — região que funciona como o “coração” dos ciclos de La Niña e El Niño.

Água quente começaa aumentar abaixo da superfície do Pacífico | NOAA
O comportamento desse oceano é decisivo porque suas temperaturas influenciam padrões de chuva, temperatura e extremos climáticos em várias partes do planeta, incluindo Brasil, América do Norte e Austrália.
O ponto central dessa virada é o surgimento de uma forte onda quente submersa, detectada pelas boias TAO, uma rede internacional de instrumentos que monitora continuamente o Pacífico.
Essa onda, chamada de onda Kelvin de subsidência, é uma massa enorme de água mais quente que se desloca em profundidade. Em vez de aparecer na superfície imediatamente, ela começa sua jornada no Pacífico Oeste e viaja para o Leste ao longo da termoclina, a camada que separa as águas mais quentes do topo das mais frias do fundo. Esse movimento não é detalhe técnico: é exatamente o tipo de sinal que antecede o enfraquecimento de uma La Niña.
Quando uma onda Kelvin quente se desenvolve, ela empurra a água fria para baixo e faz com que água mais quente se aproxime da superfície — justamente o oposto do que mantém a La Niña ativa.
Em outras palavras, o oceano está mudando de “modo”.
A água que antes estava mais fria na faixa equatorial começa a perder força, abrindo espaço para temperaturas mais elevadas que levam o Pacífico a um estado neutro ou até mesmo ao início de uma fase de El Niño.
Pela força dessa onda quente observada nas últimas semanas, especialistas afirmam que praticamente já está garantido que o Pacífico deve entrar pelo menos em um estado neutro nas próximas semanas.
A grande dúvida agora não é mais se a La Niña vai terminar, mas o que virá depois. Um fator decisivo será o comportamento da próxima passagem da oscilação chamada de OMJ (Oscilação de Madden-Julian), um sistema atmosférico que circula ao redor do planeta e pode acelerar ou frear o desenvolvimento de um El Niño.
A próxima fase ativa da OMJ, esperada para o fim do verão do Hemisfério Sul, deve indicar não apenas se um El Niño vai se formar, mas também quão rápido isso pode acontecer e qual poderá ser sua intensidade.
Por enquanto, o cenário mais seguro é que a La Niña está perdendo suas características essenciais e entrando em seu processo final. O Pacífico está esquentando de baixo para cima, e esse aquecimento submerso é o gatilho que normalmente marca a transição para uma nova fase climática.
A tendência dominante é de neutralidade no começo de 2026 e, possivelmente, de um El Niño em desenvolvimento ao longo do próximo ano. Em se confirmando um El Niño, ainda não é possível saber a esta altura qual será a sua intensidade, um cenário de El Niño forte não pode ser descartado.
