A MetSul adverte que os reflexos do fenômeno La Niña devem começar a ser sentidos na agricultura gaúcha a partir deste fim de novembro e o começo de dezembro no Rio Grande do Sul com a redução da chuva e precipitações abaixo a muito abaixo da média em várias regiões gaúchas.

NOAA
Hoje, conforme o último boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central-Leste (região Niño 3.4) está em -0,7ºC. O valor está na faixa de La Niña de fraca intensidade (-0,5ºC a -0,9ºC).
Já são cinco semanas seguidas em que as anomalias de temperatura do mar são de La Niña na região Niño 3.4, que é designada para identificar se há El Niño ou La Niña no Pacífico Equatorial Centro-Leste.
No Pacifico Equatorial mais a Leste, perto das costas do Peru e do Equador, a anomalia de temperatura da superfície do mar na chamada região Niño 1+2 foi de -0,7ºC também no último boletim da NOAA.
Este é o menor valor nesta parte do Pacífico desde o final de setembro de 2024, o que é relevante porque essa zona em especial do oceano costuma ter impacto na chuva do Rio Grande do Sul e quando se resfria nesta época do ano tende a reduzir a chuva no estado gaúcho.
Impactos na chuva da La Niña
Com o resfriamento do Pacifico, a MetSul projeta que nestas últimas semanas de 2025 já serão sentidos os efeitos do fenômeno no Brasil com redução da chuva e déficit de precipitação em áreas mais ao Sul do Brasil e aumento da chuva com excessos no Centro do país, afetando o Centro-Oeste e o Sudeste.
A chuva frequente e volumosa pode prejudicar os trabalhos no campo em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e do Paraná. O fenômeno pode determinar períodos mais prolongados de chuva irregular e abaixo da média agora no final do ano em parte do Sul do Brasil, particularmente mais ao Sul do país, especialmente entre o Oeste, Centro, Campanha e o Sul do Rio Grande do Sul.
Os mapas abaixo mostram as projeções de chuva do modelo europeu acumulada até 3 de dezembro e de anomalia de chuva para 15 dias do modelo climático norte-americano CFS.

METSUL

METSUL
A chuva deve seguir mais favorável, embora irregular, principalmente entre a Metade Norte gaúcha e o Paraná. O território paranaense, em especial, pela maior proximidade com o Centro do Brasil, deve ter mais chuva.
Além disso, outro fato a ser levado em conta é o comportamento dos ventos ao redor da Antártida que deve favorecer chuva na maior parte do Centro do Brasil com uma fase negativa atualmente estabelecida por semanas na chamada Oscilação Antártica.
O que é o fenômeno La Niña e como impacta o Brasil
O fenômeno La Niña tem impactos relevantes no sistema climático global, sendo caracterizado por temperaturas abaixo do normal na superfície do Oceano Pacífico equatorial central e oriental. Essa condição contrasta com o El Niño, sua contraparte quente, e faz parte do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que influencia os padrões climáticos em todo o mundo.
Durante um evento La Niña, as águas do oceano Pacífico equatorial central e oriental ficam mais frias do que o normal. Isso tem efeitos significativos nos padrões de vento, precipitação e temperatura ao redor do globo. A última vez em que a fase fria esteve presente foi entre 2020 e 2023 com um longo evento do fenômeno que trouxe sucessivas estiagens no Sul do Brasil e uma crise hídrica no Uruguai, Argentina e Paraguai.
No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região. O Sul do país geralmente experimenta menos chuva enquanto o Norte e o Nordeste registram um aumento das precipitações. Cresce o risco de estiagem no Sul do Brasil e no Mato Grosso do Sul, embora mesmo com a La Niña possam ocorrer eventos de chuva excessiva a extrema com enchentes e inundações.

Além da chuva, o fenômeno também influencia as temperaturas em diferentes partes do mundo. No Sul do Brasil, o fenômeno favorece maior ingresso de massas de ar frio, não raro tardias no primeiro ano do evento e precoces no outono no segundo ano do episódio. Por outro lado, com estiagens, aumenta a probabilidade de ondas de calor e marcas extremas de temperatura alta nos meses de verão no Sul.
Em escala global, quando o fenômeno está presente há uma tendência de diminuição da temperatura planetária, o que nos tempos atuais significa menos aquecimento da Terra. O aquecimento do planeta, entretanto, foi tamanho recentemente que a temperatura média do planeta hoje em um evento de La Niña forte tende a ser mais alta que em um evento de forte El Niño décadas atrás.