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A enorme erupção vulcânica do último sábado em Tonga provocou um tsunami de até 15 metros que causou um “desastre sem precedentes” no país, destruindo casas e matando pelo menos três pessoas, disse o governo. “Um desastre sem precedentes atingiu Tonga”, declarou o governo em comunicado após a violenta erupção do vulcão Hunga Tonga Hunga Ha’apai, que provocou um tsunami que “chegou a 15 metros” de altura.

Em seu primeiro comunicado desde a erupção, o governo disse que uma aldeia foi completamente destruída pela onda gerada pela erupção e outras têm apenas algumas casas de pé. Pelo menos três pessoas morreram e os sobreviventes estão em abrigos improvisados, acrescentou.


O governo de Tsonga enviou equipes de resgate para evacuar as pessoas das áreas mais atingidas, bem como navios do exército transportando profissionais de saúde e suprimentos de água, comida e barracas. A aldeia completamente devastada está localizada na Ilha da Manga, de 30 habitantes e onde as Nações Unidas já haviam detectado um pedido de ajuda. Uma mulher de 65 anos morreu no local. Outra vítima é uma britânica que morreu na capital, Nuku’alofa.

Imagens de satélite mostram extensos danos e devastação absoluta na ilha de Atata, em Tonga, após a erupção gigantesca e o enorme tsunami que se seguiu | Disaster Chart/Divulgação

As primeiras imagens de Tonga após a erupção do vulcão que desencadeou um tsunami mostravam a devastação no arquipélago do Pacífico, coberto por cinzas e com danos significativos. O território ficou praticamente isolado do restante do mundo pelo rompimento do cabo submarino de conexão da ilha, que agora depende do sinal irregular dos telefones via satélite.


Disaster Chart/Divulgação

A monumental coluna de fumaça do vulcão atingiu uma altura de 30 quilômetros e espalhou cinzas, gás e chuva ácida por uma área muito ampla do Pacífico. Dias após a erupção, com as comunicações interrompidas, o alcance real da catástrofe ainda é desconhecido.

Em um comunicado nesta terça, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que seu delegado local, o médico Yutaro Setoya, está “dirigindo as comunicações entre as agências da ONU e o governo tonganês”. “O telefone via satélite do dr. Setoya é uma das poucas fontes de informação”, afirmou o organismo, acrescentando que o médico fica o dia todo fora de casa tentando captar sinal.

Imagens de satélite antes e depois da cidade de Nuku’alofa, em Tonga, que ficou coberta de cinzas após a erupção | Maxar Technologies/Divulgação

A OMS informou que, na ilha principal de Tonga, Tongatapu, há 50 casas destruídas e 100 danificadas. Também alertou que as emanações do vulcão geram temores de contaminação da água e dos alimentos. “O governo recomendou que as pessoas fiquem em casa, usem máscara se saírem e bebam água engarrafada”.

As imagens de satélite mostram que o vulcão submarino localizado ao norte do arquipélago voltou a ficar submerso e apenas duas pequenas ilhotas de lava surgiram. A Nova Zelândia divulgou imagens aéreas mostrando áreas verdes da costa cobertas de cinzas. Ao longo da costa, edifícios destruídos apareceram ao lado de edifícios intactos.

Copernicus/União Europeia/Divulgação

Airbus/CNES/ UNITAR/UNOSAT/Divulgação

A capital do território, Nuku’alofa, foi coberta por dois centímetros de cinza e poeira vulcânicas. O calçadão da capital foi “muito danificado pelas rochas e pelos detritos arrastados pelo tsunami”, disse o OCHA. Os sistemas telefônicos internos foram restaurados, mas as comunicações internacionais continuam interrompidas. O OCHA também informou que os voos de reconhecimento confirmaram “danos materiais substanciais” nas Ilhas Mango e Fonoi.

“Um sinal de socorro ativo foi detectado em Mango”, relatou o OCHA. A ilha tem cerca de 30 habitantes, segundo o censo de Tonga. Enquanto isso, dois biólogos mexicanos ficaram presos em Tonga, embora estejam fora de perigo. Agora, o governo e suas famílias tentam tirá-los de lá, segundo o Ministério das Relações Exteriores do México.

Imagens divulgadas pelo Centro de Satélites da ONU mostram o impacto da erupção e do tsunami na pequena ilha de Nomuka, uma das mais próximas do vulcão Hunga-Tonga-Hunga-Ha’apai. Austrália e Nova Zelândia, que enviaram aviões de reconhecimento Orion para sobrevoar a área, prepararam remessas de ajuda para Tonga.

A Cruz Vermelha informou que enviará 2.516 contêineres de água, e a França, que tem vários territórios na Polinésia, prometeu enviar ajuda “urgente”. As principais agências de resgate disseram que estão paralisadas, incapazes de entrar em contato com sua equipe local. “Das poucas atualizações que temos, a magnitude da devastação pode ser imensa”, disse Katie Greenwood, da seção regional da Cruz Vermelha.

Uma imagem de satélite das principais instalações portuárias em Nuku’alofa, capital de Tonga, em dezembro | Maxar Technologies/Divulgação

As mesmas instalações portuárias em Nuku’alofa, capital de Tonga, depois da erupção | Maxar Technologies/Divulgação

As agências da ONU indicaram que todos os protocolos de saúde serão respeitados para salvaguardar este pequeno reino insular da covid-19. A erupção de sábado foi ouvida até no Alasca, provocando um tsunami que inundou a costa do Pacífico do Japão aos Estados Unidos e também atingiu a América do Sul. No sábado, duas mulheres no Peru morreram arrastadas pelas ondas.

O VULCÃO HUNGA-TONGA HUNGA-HA’APAI

Muito pouco se sabe sobre a evolução do vulcão Hunga-Tonga Hunga-Ha’apai, afirma o Programa de Vulcanismo Global do Smithsonian. A primeira observação registrada de uma erupção foi em 1912, seguida por outra em 1937 e depois 1988, 2009 e 2014-15. Essas erupções foram todas pequenas, a maior de VEI-2 na escala de erupções, mas com tão poucos eventos não há uma boa compreensão do estilo de atividade, diz o Smithsonian.

Vulcão Hunga-Tonga Hunga-Ha’apai antes da erupção | Maxar Technologies/Divulgação

O pouco que restou da ilha do vulcão Hunga-Tonga Hunga-Ha’apai após a erupção | Maxar Technologies/Divulgação

A erupção de 1988 foi vista por pescadores e piloto de avião, depois analisada por geólogos. Ocorreu a partir de três aberturas de águas rasas junto à ilha de Hunga Ha’apai, mas não havia nenhuma ilha formada pelo vulcão. A erupção que começou em 17 de março de 2009 teve uma abertura em Hunga Ha’apai e outra submersa a cerca de 100 metros da costa. A ejeção de material vulcânico preencheu o espaço entre elas em alguns dias, expandindo o tamanho da ilha. Após apenas quatro dias, a erupção de 2009 acabou, mas estendeu a ilha em um quilômetro, deixando lagos de crateras emitindo vapor.

A próxima erupção ocorreu de 19 de dezembro de 2014 a 28 de janeiro de 2015. Esse período mais longo de atividade foi centrado entre as ilhas de Hunga Tonga e Hunga Ha-apai e construiu uma nova ilha. Eventualmente, havia tanto material que as ilhas estavam todas conectadas.

Em 20 de dezembro de 2021, uma nova erupção produziu uma pluma de gás e cinzas rica em vapor que subiu a 16 quilômetros (52.500 pés) de altitude. Após quase duas semanas de período de calmaria, a atividade retomou com uma alta fase eruptiva freatomagmática no vulcão Hunga Tonga-Hunga Haʻapai.

Uma explosão espetacular ocorreu às 15h14 UTC da quinta, caracterizada por massas escuras e densas de material piroclástico. Uma pluma cada vez maior e densa enviou cinzas até 55.000 pés (17.000 metros) de altitude. No dia 15 de janeiro, o vulcão teve a sua maior explosão e foi um evento global com tsunami no mar no Pacífico e uma onda de choque planetária que gerou meteotsunami em outros oceanos do planeta.

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