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Os incêndios florestais que avançam pela Patagônia argentina mobilizam voluntários me autoridades no Sul da Argentina com milhares de hectares destruídos, evacuações em massa e a confirmação oficial de que ao menos parte dos focos teve origem criminosa.

Fogo na Patagônia

GOVERNO DE CHUBUT

Autoridades informaram que pelo menos 3 mil turistas precisaram ser evacuados de áreas turísticas ameaçadas pelas chamas, especialmente na província de Chubut, onde o fogo atingiu regiões de alto valor ambiental e comunidades próximas ao lago Epuyén.

O incêndio mais crítico começou na segunda-feira nas imediações de Puerto Patriada, um pequeno povoado andino com cerca de 50 moradores permanentes, e se espalhou rapidamente devido à combinação de seca prolongada, altas temperaturas e ventos fortes.

Em poucas horas, as chamas avançaram com grande intensidade, ultrapassando áreas de mata nativa e se aproximando de residências, campings e estruturas turísticas, forçando evacuações preventivas e o deslocamento emergencial de moradores e visitantes.

Até a quarta-feira, o fogo já havia consumido cerca de 2 mil hectares, segundo dados oficiais do governo provincial de Chubut, embora autoridades alertem que a área atingida pode aumentar caso as condições meteorológicas sigam desfavoráveis.

O governador de Chubut, Ignacio Torres, afirmou publicamente que o incêndio foi provocado de forma intencional, citando evidências coletadas pelas equipes de investigação e classificando o episódio como um ato criminoso grave.

De acordo com o promotor Carlos Díaz Mayer, peritos identificaram a presença de acelerantes, como gasolina, no ponto inicial do incêndio, descartando a hipótese de causas acidentais, como falhas elétricas ou fenômenos naturais.

Diante da gravidade do caso, o governo provincial anunciou uma recompensa de 50 milhões de pesos, equivalente a cerca de R$ 178 mil, para quem fornecer informações que levem à identificação e prisão dos responsáveis.

Além de Chubut, há incêndios florestais ativos nas províncias de Neuquén, Río Negro e Santa Cruz, ampliando a preocupação das autoridades federais com a possibilidade de novos focos se espalharem pelo Sul do país.

O combate às chamas mobiliza centenas de brigadistas, bombeiros voluntários e forças de segurança, com apoio aéreo de helicópteros e aviões-tanque que realizam lançamentos contínuos de água e retardantes químicos.

As condições climáticas seguem extremamente adversas no início do verão austral, com temperaturas elevadas, ventos intensos e umidade do ar muito baixa, criando um cenário de risco permanente para o surgimento de novos incêndios.

Por esse motivo, o Serviço Nacional de Manejo do Fogo decretou alerta vermelho para perigo extremo de incêndios em oito províncias do centro e sul da Argentina até o fim da semana.

Moradores da Patagônia ainda carregam lembranças traumáticas do verão de 2025, quando cerca de 32 mil hectares foram destruídos, episódio considerado por especialistas como o pior desastre ambiental da região nas últimas três décadas.

Comunidades locais relatam perdas totais. Casas, galpões, cercas, plantações e animais foram consumidos pelas chamas, deixando famílias sem abrigo e sem meios imediatos de subsistência em áreas rurais e periurbanas.

Em muitos casos, os moradores tentaram conter o avanço do fogo com recursos próprios, utilizando água de banhados próximos e ferramentas improvisadas, mas a velocidade das chamas tornou qualquer defesa praticamente impossível.

Diante da tragédia, eventos tradicionais da região foram transformados em ações solidárias, com festivais e campanhas destinadas a arrecadar recursos para ajudar famílias que perderam casas e bens nos incêndios.

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