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Grave situação na Patagônia com uma série de incêndios florestais que voltou a se intensificar na província de Chubut, no Sul da Argentina, com pelo menos três focos ativos no Parque Nacional Los Alerces e em áreas próximas.

Incêndio florestal na Patagônia

GONZALO KEOGAN/AFP/METSUL

As chamas avançaram rapidamente durante a noite de segunda-feira e cercaram a localidade de Cholila, enquanto o fogo também progredia em direção à cidade de Esquel, gerando um cenário de extrema preocupação.

Segundo estimativas oficiais, os incêndios já devastaram cerca de 35 mil hectares de florestas nativas, áreas rurais e zonas turísticas. Mais de 500 brigadistas, bombeiros e agentes especializados atuam no combate às chamas, mas enfrentam enormes dificuldades para conter o avanço do fogo devido às condições do tempo adversas.

A coordenadora e porta-voz do Comitê de Operações de Emergência de Chubut, Laura Mirantes, afirmou que todos os setores críticos seguem ativos.

“Os focos que afetam Cholila, Puerto Patriada, Villa Lago Rivadavia e todo o Parque Nacional Los Alerces permanecem em atividade”, disse.

De acordo com ela, a direção do vento torna o cenário ainda mais delicado, já que as chamas estão orientadas para Esquel. Mirantes explicou que os incêndios tiveram origem em dois focos principais: um incêndio intencional na região de Puerto Patriada e outro provocado pela queda de um raio dentro do parque nacional.

A combinação de seca severa, altas temperaturas e extensas áreas de pinus favoreceu o surgimento de múltiplos focos secundários em regiões mais baixas. Em Cholila, a situação é considerada crítica.

Durante a noite de domingo, o céu ficou tomado por um brilho alaranjado enquanto dois grandes focos pressionavam a localidade: um vindo do setor de Cañadón del Blanco, desde Epuyén, e outro avançando a partir do Parque Nacional Los Alerces, já atingindo Villa Lago Rivadavia e áreas rurais próximas.

Moradores relatam falta de água, cortes intermitentes de energia elétrica e ausência de um plano oficial de evacuação. Algumas famílias decidiram retirar crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida por conta própria, diante do avanço do fogo, que chegou a menos de três quilômetros do centro urbano.

Moradores denunciaram a falta de apoio efetivo do Estado. Em comunicado, afirmaram enfrentar “horas de profunda angústia e incerteza”, com informações escassas e recursos insuficientes.

Voluntários na Patagônia se organizaram para auxiliar no combate, na logística e no preparo de alimentos para brigadistas, além de solicitar doações de equipamentos como bombas d’água, mangueiras, motosserras e ferramentas manuais.

As condições meteorológicas seguem desfavoráveis. Rajadas de vento superiores a 50 km/h, visibilidade praticamente nula devido à fumaça e temperaturas elevadas dificultam o uso de aviões e helicópteros hidrantes, concentrando o combate nas equipes terrestres.

O Serviço Meteorológico Nacional alertou para rajadas que podem chegar a 70 km/h nos próximos dias na Patagônia, aumentando o risco de novos focos. Diante da gravidade da situação, a Administração de Parques Nacionais decidiu intervir diretamente no Parque Nacional Los Alerces, uma medida inédita.

A preocupação maior das autoridades é que os grandes focos ativos se unam, criando um incêndio de proporções ainda mais difíceis de controlar, com ameaça direta às comunidades da região da cordilheira de Chubut.

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