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A MetSul Meteorologia alerta para um cenário de muito alto risco à população por chuva excessiva a extrema nestes últimos dez dias de janeiro no estado de Minas Gerais com centenas de municípios sob elevado perigo de precipitações volumosas.

Chuva excessiva pode provocar inundações e cheias de rios em Minas Gerais com cenas como as vistas nos dias de precipitação extrema do verão de 2022 | CORPO DE BOMBEIROS DE MINAS GERAIS/ARQUIVO

Serão vários dias seguidos com chuva com episódios de precipitação localmente forte a torrencial, capazes de provocar elevados acumulados em curto período, o que agrava o risco de transtornos.

A maioria das regiões mineiras será afetada por chuva volumosa, mas, conforme dados de modelos numéricos, o maior risco se concentra em cidades do Centro, Norte e o Leste

Entre as regiões que podem ter precipitações por vezes fortes a intensas em diversos dias está a capital Belo Horizonte e a Grande BH, onde será alto o risco de alagamentos e transbordamento de córregos.

Um corredor de umidade persistente associado a um episódio prolongado da Zona de Convergência do Atlântico Sul será determinante para a ocorrência de convecção, que é o processo pelo qual o ar quente sobe na atmosfera.

Com o aquecimento diurno, o solo aquece e transfere calor para o ar logo acima, que se torna mais leve e começa a subir. À medida que esse ar quente sobe, ele se expande e esfria, fazendo com que o vapor d’água nele contido se condense e forme nuvens.

Quando a convecção é intensa, como se espera, o movimento vertical do ar pode gerar nuvens muito altas com chuva forte e temporais de vento e granizo. O maior risco, no e entanto, será a ocorrência de chuva volumosa.

ZCAS vai provocar a chuva excessiva em Minas Gerais

A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) é conhecida por uma faixa de nebulosidade que cruza o Brasil. Este corredor de umidade, um verdadeiro rio atmosférico, tem uma orientação climatológica típica de Noroeste para Sudeste, estendendo-se da região da Amazônica até o litoral da Região Sudeste. Os eventos de ZCAS são sazonais.

São comuns entre os meses de novembro e março, ou seja, é um fenômeno típico de estação quente e podem durar até dez dias consecutivos, causando grandes volumes de precipitação nas áreas de atuação.

Tais eventos da Zona de Convergência do Atlântico Sul podem ser iniciados com a participação de frentes frias, que atravessam o Sul do Brasil e que ao chegarem na Região Sudeste passam a gerar convergência de umidade da região amazônica até o Oceano Atlântico.

Projeções de volumes de chuva

Os volumes de chuva serão consideravelmente altos no que resta de janeiro no estado de Minas Gerais. A maioria das cidades terá entre 100 mm e 200 mm, mas haverá pontos com acumulados tão extremos quanto 300 mm a 400 mm, não se afastando localmente até registros de 500 mm.

Os mapas a seguir mostram as projeções de chuva para sete dias dos modelo UKMET do Met Office do Reino Unido e Icon do serviço meteorológico alemão em que se observa como a chuva será volumosa e localmente extrema no período.

METSUL

METSUL

Ocorre que a chuva volumosa não deve se limitar a esta semana e este será um evento prolongado da Zona de Convergência do Atlântico Sul com a tendência de um centro de baixa pressão entre os dias 23 e 24 voltar a reforçar a instabilidade.

METSUL

O mapa acima traz a projeção de chuva para 15 dias em Minas Gerais a partir de dados do modelo do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF), que projeta acumulados de 250 mm a 300 mm ou mais em um grande número de municípios mineiros.

Minas Gerais terá alagamentos, inundações e risco de enchentes e deslizamentos

Sob este cenário, a MetSul Meteorologia alerta para a alta probabilidade de alagamentos e inundações, em alguns casos repentinas e graves, o que oferecerá perigo para quem estiver na rua durante enxurradas com intensas correntezas.

Adverte-se também para a probabilidade elevada de quedas de encostas e ainda deslizamentos de terra, em alguns locais significativos e com grave risco à vida humana. A situação é especialmente preocupante porque Minas Gerais tem várias áreas de relevo e com barragens pela mineração.

Um dos maiores eventos de chuva desde 2022

Este episódio de chuva excessiva será um dos maiores deste o período extremamente chuvoso do final de 2021 e do começo de 2022 que ficou marcado como um desastre natural em Minas Gerais, embora não necessariamente seja uma repetição.

No verão de 2022, Minas Gerais enfrentou um dos mais intensos períodos de chuvas e enchentes das últimas décadas, com volumes de precipitação bem acima do normal entre o final de dezembro de 2021 e janeiro daquele ano, associados à atuação prolongada da Zona de Convergência do Atlântico Sul e outros sistemas meteorológicos que intensificaram as instabilidades na região Sudeste do Brasil.

Dezenas de municípios mineiros registraram transbordamentos de rios e córregos, rompimentos de barragens em áreas de risco e prejuízos generalizados em infraestrutura urbana e rural, fazendo com que centenas de cidades decretassem situação de emergência e milhares de pessoas fossem afetadas.

Um dos episódios mais dramáticos ocorreu em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, onde o rio atingiu níveis extraordinários, chegando a cerca de 4,35 metros na régua do SAAE — quase três metros acima de seu leito normal e caracterizando a terceira maior enchente da cidade em mais de 40 anos. Bairros ribeirinhos ficaram alagados, famílias perderam bens e casas foram invadidas pela água e lama. Somente na cidade, dezenas de milhares de pessoas foram diretamente impactadas, com milhares desalojados e centenas desabrigados em abrigos municipais.

O impacto das chuvas não se restringiu a Valadares: numerosas mortes e deslocamentos foram registrados em várias partes do estado, incluindo deslizamentos e inundações que ceifaram vidas e obrigaram moradores a deixar suas casas em regiões como Belo Horizonte, Juatuba e Raposos.

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