Uma forte onda de temporais atingiu áreas produtoras de café de Minas Gerais na tarde e noite da terça-feira (15) com chuva intensa, granizo e rajadas de vento, provocando danos em lavouras e aumentando a preocupação dos cafeicultores justamente no início da florada que dará origem à safra de 2027. Os registros mais significativos ocorreram no Sul de Minas e, especialmente, em Patrocínio.

Granizo em lavouras de café de Minas Gerais

REDES SOCIAIS

Em Patrocínio, um dos principais centros da cafeicultura brasileira, o granizo atingiu propriedades rurais na região de Moreiras, especialmente no setor do Pau Terra. Registros de moradores mostram um cafezal castigado pelas pedras de gelo. O temporal também destelhou um rancho e derrubou a rede elétrica às margens de uma represa.

O episódio ocorre em um momento particularmente sensível para a produção, uma vez que 99% da colheita do café no Cerrado Mineiro já havia sido concluída até 11 de setembro, enquanto a nova florada alcançava aproximadamente 33% do potencial total. As flores que estão se abrindo agora são responsáveis pela formação dos frutos que serão colhidos na próxima safra.

Leia tambémRio Grande do Sul completa 50 dias de frio abaixo de zero no ano

Por isso, o granizo pode representar um problema maior para a próxima produção do que para a safra que acaba de ser colhida. As pedras de gelo podem atingir diretamente flores, folhas e ramos, provocando sua queda e causando lesões na planta.

A dimensão da eventual perda, entretanto, não pode ser determinada apenas pelas imagens feitas logo após o temporal. É necessária uma avaliação técnica das lavouras atingidas para verificar quantas flores foram perdidas e como as plantas responderão nos próximos dias.

Patrocínio é especialmente relevante nesse cenário. O município é o maior produtor de café do Brasil, com 64.225 toneladas colhidas em 2024. Minas Gerais, por sua vez, é o principal estado produtor de café arábica do país e respondeu por cerca de 70% da produção nacional estimada dessa variedade em 2024.

O granizo não ficou restrito ao Cerrado Mineiro. No Sul de Minas, temporais atingiram pelo menos nove municípios, entre eles Varginha, São Lourenço, Três Corações, Três Pontas, Campos Gerais, Elói Mendes, Paraguaçu e São Tomé das Letras. Em áreas rurais, também houve relatos de danos em plantações de café.

Em Varginha, a intensidade do granizo foi suficiente para provocar o desabamento da cobertura de um posto de combustíveis. Ninguém ficou ferido. O temporal também provocou danos em estruturas, placas solares e outros pontos da cidade.

Leia tambémQuando vai parar de chover no Rio de Janeiro?

Em Campos Gerais, no distrito de Córrego do Ouro, houve registro de granizo em áreas rurais produtoras de café. Em outras localidades do Sul de Minas, árvores caíram, ruas ficaram alagadas e estradas foram afetadas pela combinação de chuva forte e vento.

A instabilidade ocorre enquanto os cafeicultores ainda acompanham os efeitos das condições meteorológicas sobre a transição entre as safras. Em Patrocínio, as chuvas de setembro já vinham sendo acompanhadas de perto pelo setor, com precipitações registradas durante o início da florada.

Ainda não existe um levantamento consolidado dos prejuízos provocados pelo granizo nas lavouras de café de Minas Gerais. A extensão dos danos deverá ser conhecida somente após as vistorias nas propriedades. No momento, para os produtores, a principal preocupação agora é saber quanto da florada foi perdida e qual será o reflexo do granizo e do vento na formação dos frutos e, consequentemente, sobre a safra de café de 2027.