Uma grande pluma de fumaça, oriunda dos incêndios na Austrália, “viajou” de 12 a 13 mil quilômetros na atmosfera, cruzou o Pacífico e ontem cobriu uma extensa área tanto do Chile como da Argentina. 

No final da segunda-feira já afetava parte do Uruguai e se aproximava do Oeste gaúcho. O fim da tarde de ontem teve aspecto acinzentado com as cores do ocaso mais alaranjadas no sol em Buenos Aires e várias cidades argentinas.


Hoje, a fumaça chega ao Rio Grande do Sul. Meses atrás, em agosto, no auge da temporada de fogo do Brasil, foi a fumaça da região amazônica e dos incêndios do Paraguai e Bolívia que alcançou o Rio Grande do Sul. Naquela ocasião, o material particulado veio por correntes de jato em baixos níveis da atmosfera, a cerca de 1500 m de altitude. Agora, a fumaça dos incêndios na Austrália chega em altitudes de 5 a 10 mil m de altitude, logo não terá impacto em superfície e no ar que respiramos. 


Seu efeito hoje e amanhã será tímido, visível por tom mais acinzentado do céu e o sol com tons mais alaranjados e avermelhados no ocaso. 

Os incêndios foram tão grandes na Austrália que formaram enormes nuvens de desenvolvimento vertical do tipo pirocumulus que permitiram que a fumaça ingressasse na estratosfera, como ocorre em grandes erupções vulcânicas.


Passageiros de um voo de Melbourne para Canberra enfrentaram momentos de pânico. A aeronave ingressou num pirocumulus, nuvem de tempestade gerada pelo calor dos incêndios florestais. Céu ficou laranja e houve forte turbulência. Passageiros registraram que em segundos o dia virou noite ao ingressar na nuvem gigantesca. Essas nuvens geradas pelos incêndios conseguiram levar a fumaça à estratosfera, como em grandes erupções vulcânicas, o que explica a fumaça estar dando a volta ao mundo.

Essa ilustração oferece uma proporção da enormidade da tragédia australiana. Ela mostra todos os incêndios no país, de dimensões continentais, do início da temporada de fogo que se antecipou no fim de agosto até o começo de janeiro. A Austrália literalmente ardeu.

No fim de semana, a pluma de fumaça no Pacífico Sul tinha 20 milhões de quilômetros quadradas. Área é maior que qualquer país do mundo.

A temperatura foi absurdamente alta nas últimas semanas no país. A região metropolitana de Sydney teve no sábado a maior máxima de sua história com 48,9°C. O gráfico mostra a temperatura média na Austrália em dezembro nos últimos cem anos. Atente para os últimos dois anos. Atingiu os níveis previstos em cenários de aquecimento global para daqui a 50 anos.

Ontem choveu em Nova Gales do Sul. A tendência é de um aumento da chuva nas próximas semanas na Austrália com o Dipolo do Índico ingressando em fase neutra e estabilização da Oscilação Antártica. Incêndios seguirão ocorrendo, mas em menor número e com menor ferocidade.