O avanço de uma frente quente sobre o Rio Grande do Sul de Oeste para Leste provocou uma sequência de temporais com chuva intensa, ventania e granizo nesta segunda-feira (27), causando transtornos e danos em centenas de residências no Noroeste do estado.

Foto do granizo nas Missões

Granizo grande na tarde de hoje em Santo Antônio das Missões | REDES SOCIAIS

Santo Antônio das Missões foi o município mais atingido pelo granizo, mas houve registro do fenômeno em outros municípios, como São Borja, Cruz Alta e no interior de Tupanciretã.

O temporal mais intenso ocorreu em Santo Antônio das Missões. A chuva de pedras começou por volta das 13h30 e surpreendeu os moradores, que viram o granizo atingir a cidade em poucos minutos, perfurando telhados e causando prejuízos em diversos bairros.

A estimativa inicial da prefeitura aponta que mais de 400 residências tiveram danos. Os bairros São Jorge, Jardim dos Pampas e Daer concentram a maior parte das ocorrências, embora outros pontos do município também tenham registrado estragos.

Logo após a tempestade, uma grande mobilização tomou conta da cidade. Moradores formaram filas em lojas de materiais de construção para comprar telhas de fibrocimento, lonas e outros produtos necessários para proteger as casas antes da chegada de novas tempestades.

Leia tambémMuita chuva a caminho: veja as últimas projeções dos modelos

O Corpo de Bombeiros Militar deslocou equipes de São Luiz Gonzaga, que chegaram ao município por volta das 14h para auxiliar no atendimento às famílias atingidas. A Defesa Civil Estadual também foi acionada para reforçar os trabalhos de emergência.

Segundo a vice-prefeita Glasfira Amarante, o município organizou uma força-tarefa para atender os moradores e solicitou apoio do Exército Brasileiro para acelerar a colocação de lonas nas residências mais afetadas.

Além de Santo Antônio das Missões, o granizo também provocou danos no município de São Borja. No distrito de Nhu-Porã, localizado a cerca de 30 quilômetros da sede, moradores registraram a queda de pedras de gelo durante a passagem da tempestade.

Os temporais também alcançaram Cruz Alta, onde foram observadas rajadas de vento acompanhadas de granizo de pequeno e médio tamanho. No interior de Tupanciretã, moradores igualmente registraram queda de granizo durante a passagem das áreas de instabilidade.

Em Porto Alegre, Região Metropolitana e Região Carbonífera o temporal chegou no fim da tarde com chuva torrencial, muitos raios nuvem-solo e ventania em alguns pontos. Choveu 30 mm em apenas uma hora em alguns bairros. O vento chegou a 87 km/h na estação do Clube Jangadeiros, no Sul da capital.

No interior, estações meteorológicas registraram rajadas de vento der 99 km/h em Lavras do Sul, 79 km/h em Encruzilhada do Sul, 77 km/h em Boa Vista do Cadeado, 76 km/h em Viamão e Cruz Alta, 75 km/h em São Lourenço do Sul, 72 km/h em Tupanciretã e 70 km/h em Soledade.

O cenário de tempo severo já havia se manifestado durante a manhã na cidade uruguaia de Artigas, na fronteira com Quaraí. Por volta das 10h30, uma intensa chuva de granizo cobriu ruas, pátios e quintais, antecipando a evolução das tempestades que mais tarde atingiriam o território gaúcho.

Leia tambémDois episódios de chuva volumosa trarão até 250 mm, cheias e temporais

Mais chuva forte e temporais nesta terça-feira

Frente quente, cuja energia deriva de uma corrente de jato em baixos níveis com ar tropical, mantém a forte instabilidade nesta terça. Chove no decorrer do dia em quase todo o estado, embora diferentes pontos registrem momentos sem precipitação e alguns até com aberturas.

A MetSul alerta para mais um dia com alto risco de chuva localmente forte a torrencial em vários pontos do estado, inclusive Porto Alegre e região metropolitana. Frentes quentes, como a que atua no Rio Grande do Sul, costumam trazer muitos raios e granizo, o que deve se repetir hoje no estado. Há risco de vento intenso isolado e mesmo o perigo de tornados na Metade Norte não é afastado.

Frente quente é comum no inverno e causa muito granizo

Frentes quentes são comuns durante os meses mais frios do ano no Rio Grande do Sul e países vizinhos, como a Argentina e o Uruguai. Junho, a propósito, é o mês com maior incidência do fenômeno.

Por que não ouvimos falar de frente quente no verão e sim no inverno? Porque a dinâmica que gera a sua formação é o avanço de ar quente a partir do Norte sobre uma massa de ar frio. Como no verão o predomínio é de ar quente não há avanço de ar quente sobre ar frio porque as massas de ar que atuam sobre o território gaúcho são de temperatura alta. É um erro pensar que frente quente significa calor.

Frentes quentes são prolíficas em causar pancadas de chuva fortes a torrenciais, grande quantidade de raios e ainda granizo, assim que as pancadas por vezes fortes a intensas com muitos raios e granizo vão seguir no Rio Grande do Sul.