Frente fria associada a um ciclone extratropical no Oceano Atlântico começa a reforçar a instabilidade no Sudeste do Brasil e traz risco de chuva isoladamente forte para os quatro estados da região.

Imagem de satélite mostra frente fria associada a ciclone no Atlântico | METSUL
A imagem do satélite meteorológico GOES-19 da NOAA/NASA do começo da tarde desta quarta-feira (18) mostra uma frente fria de escassa atividade na altura do litoral de São Paulo associada a um ciclone nada intenso no Atlântico Sul.
Este ciclone, justamente por não ser intenso e estar a uma grande distância de terra, não oferece qualquer risco ao continente e tende a se afastar rapidamente nesta segunda metade da semana.
A frente fria associada ao ciclone, no entanto, ao interagir com o ar tropical quente e úmido sobre a América do Sul, deve provocar instabilidade no Sudeste do Brasil durante esta segunda metade da semana ao favorecer convecção.
Convecção é o processo comum nesta época em que o ar quente sobe na atmosfera. Em dias quentes, o solo aquece intensamente e transfere calor para o ar logo acima, que se torna mais leve e começa a subir. À medida que esse ar quente sobe, ele se expande e esfria, fazendo com que o vapor d’água nele contido se condense e forme nuvens.
Quando a convecção é intensa, o movimento vertical do ar pode gerar nuvens muito altas com chuva forte e temporais. Justamente por isso, à medida que a instabilidade aumenta nesta segunda metade da semana no Sudeste, se projeta uma alta frequência de pancadas de chuva e temporais de verão que, em alguns pontos, podem ser fortes a intensos com risco de chuva volumosa em curtos períodos, raios e possibilidade de vendavais isolados e granizo isolado.
Uma vez que a chuva terá natureza essencialmente convectiva ao ser induzida pela frente fria na costa, vai ocorrer mais da tarde para a noite e os volumes tendem a variar uma enormidade. São comuns neste tipo de situação um temporal trazer chuva com altos volumes em parte de um município e pouco ou nada em outras áreas da mesma localidade.
Na tarde e noite desta quarta, pancadas de chuva atingem diferentes pontos de São Paulo, Centro-Sul de Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Já nesta quinta, a instabilidade se desloca um pouco mais para o Norte, afetando mais o Rio, Minas e o Espírito Santo. Na sexta e no sábado, mais uma vez estes três estados concentram a maior instabilidade, embora pancadas isoladas também atinjam diferentes pontos do território paulista.
