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A Patagônia argentina enfrenta uma situação dramáticas com incêndios florestais fora de controle, milhares de evacuados, destruição de casas e florestas nativas, além de rodovias bloqueadas e alerta máximo em diversas localidades.

GOVERNO DE CHUBUT

O foco mais crítico está na região de Puerto Patriada, na província de Chubut, onde o fogo já completa quatro dias de avanço contínuo, impulsionado pela seca severa, altas temperaturas e grande acúmulo de material vegetal inflamável.

Até o momento, as chamas já consumiram cerca de 2.200 hectares de floresta nativa e áreas implantadas, afetando diretamente comunidades próximas ao lago Epuyén e elevando o temor de que o incêndio alcance setores ainda mais povoados.

Na tarde de quinta-feira, mesmo com menor intensidade do vento em relação aos dias anteriores, o fogo avançou rapidamente e cruzou a calçada da Rodovia Nacional 40 (Ruta 40), uma das principais vias da Patagônia.

Diante do risco à população e aos motoristas, a Vialidad Nacional – polícia rodoviária da Argentina – determinou o bloqueio total da estrada por volta das 18h45, provocando longas filas de veículos em ambos os sentidos durante o pico da temporada turística.

Como reforço ao combate, chegou a Esquel o Boeing 737 Fireliner, considerado o maior avião de combate a incêndios da América Latina e um dos maiores do mundo em operação.

A aeronave realizou suas primeiras descargas sobre a encosta do cerro Pirque, onde se concentra o foco mais ativo do incêndio, lançando água e retardante para tentar conter o avanço das chamas.

O Boeing tem capacidade para despejar até 15 mil litros por missão, mas precisa pousar a cada operação no aeroporto de Esquel, localizado a cerca de 35 quilômetros em linha reta da área afetada.

As descargas aéreas são coordenadas com equipes em terra, que orientam a manobra para resfriar grandes áreas e permitir o avanço de brigadistas com ferramentas manuais e mangueiras de alta pressão.

Mesmo com o esforço conjunto, o incêndio já destruiu pelo menos 15 casas, além de galpões, estruturas de trabalho e serviços, especialmente nos dias em que rajadas ultrapassaram 70 km/h.

Como medida preventiva, as prefeituras de El Hoyo e Epuyén determinaram evacuações em áreas de risco, incluindo os setores de La Angostura e El Coihue, direcionando moradores para abrigos municipais.

Atualmente, cerca de 350 brigadistas e bombeiros de diferentes províncias atuam no combate ao fogo, com apoio de helicópteros, aviões anfíbios, caminhões-tanque e veículos especializados.

A investigação está a cargo da Promotoria de Lago Puelo, que confirmou a origem intencional do incêndio após identificar o uso de acelerantes no ponto inicial das chamas.

O governador de Chubut, Ignacio Torres, anunciou recompensa de 50 milhões de pesos e afirmou que há indícios da atuação de grupos violentos envolvidos em ações criminosas na região.

Além de Puerto Patriada, a Patagônia enfrenta outro incêndio ativo no Parque Nacional Los Alerces, onde um foco iniciado por um raio já destruiu centenas de hectares de floresta milenar.

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