A MetSul Meteorologia adverte que as condições oceânicas sugerem que o fenômeno La Niña está cada vez mais perto de ser declarado com base no contínuo resfriamento do Oceano Pacífico Equatorial. 

A NOAA já emitiu um La Niña Watch, indicando a probabilidade do fenômeno. O último boletim divulgado pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) indicou a continuidade das condições de neutralidade na área equatorial do Oceano Pacífico, mas o cenário no Oceano Pacífico é crescentemente de La Niña nas condições oceânicas. A NOAA aponta 60% de chance de La Niña na primavera e 55% de probabilidade no verão.

A anomalia de temperatura da superfície do mar na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, ficou em -0,5ºC, limite de neutralidade e La Niña. Por sua vez, a região Niño 1+2, no Pacífico Equatorial Leste, mais perto da América do Sul, apresentou anomalia de -0,9°C.


O Bureau de Meteorologia da Austrália emitiu um alerta de La Niña. O órgão indica que a chance de formação do La Niña em 2020 é de cerca de 70% – aproximadamente três vezes a probabilidade média.

“Os indicadores no Oceano Pacífico tropical são consistentes com os estágios iniciais do desenvolvimento de La Niña. As águas superficiais estão mais frias do que a média, enquanto as temperaturas subsuperficiais esfriaram ainda mais nas últimas duas semanas.


Na atmosfera, os ventos alísios são mais fortes do que a média, enquanto o Índice de Oscilação Sul (SOI) permanece neutro, mas positivo. A nebulosidade equatorial perto da Linha de Data também está abaixo da média”, afirmou o BoM. Todos estes são indicadores típicos de La Niña. 

Todos os modelos climáticos internacionais pesquisados pelo bureau australiano sugerem que o Oceano Pacífico tropical esfriará ainda mais, com três dos oito modelos atingindo os limiares de La Niña em setembro e mais dois em outubro.

Por que ainda não foi declarado um evento de La Niña?

Tanto o El Niño como o La Niña são fenômenos oceânico-atmosféricos. É preciso que não apenas o oceano apresente condições de um ou outro para que o fenômeno se configure, e os indicativos atmosféricos hoje são ainda típicos de neutralidade.


Para a classificação de qualquer um dos fenômenos utiliza-se a chamada região Niño 3.4, no Pacífico Central, e hoje a anomalia de temperatura da superfície do mar nesta região não atinge os critérios para La Niña. Ademais, a anomalia média nesta região deve ser de ao menos -0,5°C por um período mais prolongado de ao menos três meses.

Alguns modelos dinâmicos estão a indicar a possibilidade de episódio de La Niña com resfriamento das águas superficiais neste segundo semestre. Já os modelos estatísticos indicam a persistência da neutralidade, a despeito das águas mais frias.

As anomalias de temperatura abaixo da superfície do mar indicam uma enorme piscina de águas mais frias do que a média de Oeste a Leste no Pacífico, indicando uma tendência de resfriamento adicional das águas superficiais e de aumento da probabilidade de La Niña.

O que esperar nos próximos meses?

A tendência para os próximos meses é de um evento de La Niña ao menos fraco ou neutralidade fria no limite de La Niña.

Quais serão os impactos?

Com ou sem La Niña, o Pacífico nos próximos meses estará mais frio que a média e os efeitos no clima devem ser os típicos do fenômeno, o que agrava o risco de estiagem neste inverno e no começo da primavera no Paraná, parte do Centro-Oeste e no Sudeste, e no final da primavera e no verão no Sul do Brasil. Modelos de clima já indicam chuva abaixo da média no trimestre de dezembro a fevereiro.

Apesar disso, com Pacífico frio ou não, o período de agosto a outubro sempre tem possibilidade de eventos regionais de chuva volumosa e excessiva no Sul do Brasil. O resfriamento maior do Pacífico Equatorial igualmente acentua o risco de geada tardia. Por isso, produtores devem estar alertas para o alto risco de episódios de frio tardio em setembro e outubro. Há precedentes sob La Niña de frio intenso com geada até em novembro.