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Relatório divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais apontou que o desmatamento na Amazônia é o maior em uma década. A área desmatada nos últimos 12 meses equivale a de um milhão de campos de futebol ou mais de 20 vezes a área do município de Porto Alegre ou metade do território de Israel.


Desmatamento que produz conseqüências nefastas não somente em terra, mas também na atmosfera. E, pior, com conseqüências muito além da região amazônica.

Um estudo recém publicado, no final de outubro na revista Nature, apontou que nos últimos 20 anos a atmosfera acima da floresta amazônica ficou mais seca, aumentando a demanda por água e deixando os ecossistemas mais vulneráveis ​​a incêndios e secas. A menor umidade na atmosfera se deu principalmente em razão de atividades humanas.


Cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, o JPL, analisaram décadas de dados terrestres e de satélite sobre a floresta pra rastrear a quantidade de umidade na atmosfera e a necessária umidade para manter o sistema florestal.

“Observamos que nas últimas duas décadas houve aumento significativo na secura na atmosfera, bem como na demanda atmosférica por água acima da floresta”, disse Armineh Barkhordarian, do JPL, principal autor do estudo. “Ao comparar essa tendência aos dados de modelos que estimam a variabilidade climática ao longo de milhares de anos, determinamos que a mudança na aridez atmosférica está muito além do que seria esperado da variabilidade climática natural”, alertou.

Com o aumento da temperatura global e regional e a atmosfera mais seca, as árvores precisam transpirar para se resfriar e adicionar mais vapor de água na atmosfera, mas como não há água suficiente no solo o risco é a floresta perder a capacidade de se sustentar no futuro, o que teria implicações desastrosas para o equilíbrio climático no Brasil e no planeta.

O estudo mostrou ainda que a menor disponibilidade de umidade na atmosfera se estende também a partes do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil, para onde o fluxo de umidade se dirige pelos “rios voadores”, as correntes de ar úmido originárias da Amazônia com impactos na produção agrícola.

 

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