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Um levantamento divulgado pelo IBGE mostra os números impressionantes da dimensão dos impactos deixados pelas enchentes históricas de 2024 na região de Porto Alegre. Os dados revelam que mais da metade das moradias localizadas na área mais populosa do Rio Grande do Sul sofreu algum tipo de dano estrutural durante a maior tragédia climática da história do estado.

Foto mostra Avenida Cairu na enchente de 2024 em Porto Alegre

NELSON ALMEIDA/AFP/METSUL

Segundo a pesquisa, 55% das residências da chamada Região Intermediária de Porto Alegre registraram danos provocados pela inundação. Dentro desse universo, 5,1% das moradias foram classificadas como destruídas, enquanto outras 10,9% ficaram muito danificadas, totalizando 16% das casas em situação considerada de máxima precariedade.

A Região Intermediária de Porto Alegre foi a segunda mais afetada entre todas as áreas analisadas pelo estudo. Apenas a região de Santa Maria apresentou percentual superior de imóveis atingidos, com 56,8% das moradias afetadas. A área pesquisada concentra a maior parte da população gaúcha. Ela reúne 59% dos moradores e 59,3% dos domicílios abrangidos pelo levantamento realizado pelo IBGE, o que evidencia o enorme impacto social provocado pelas enchentes.

A pesquisa especial foi apresentada nesta quarta-feira pelo instituto com o objetivo de medir os efeitos das chuvas extremas sobre a população. O estudo integra o conjunto de ações desenvolvidas pelo órgão para avaliar as consequências do desastre climático que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024.

A Região Intermediária de Porto Alegre reúne 37 municípios distribuídos em diferentes áreas do Estado. Além da Região Metropolitana, fazem parte da divisão cidades dos vales do Sinos, do Caí e do Paranhana, além de municípios da Costa Doce e da Serra Sudeste, localidades que também sofreram graves impactos durante as enchentes.

O levantamento mostra que os prejuízos não ficaram restritos às residências. Em 73,1% dos domicílios os moradores relataram danos significativos nas ruas, bairros e áreas próximas às suas casas. O percentual supera a média geral da pesquisa, que ficou em 68,7%.

O estudo também investigou a percepção da população sobre as ações de prevenção adotadas após a tragédia. Menos da metade dos entrevistados afirmou conhecer medidas implementadas para reduzir os riscos de novos desastres. Na região de Porto Alegre, 42,8% disseram ter conhecimento dessas iniciativas, o maior percentual entre todas as regiões pesquisadas.

Quando questionados sobre os trabalhos de recuperação realizados após a enchente, aproximadamente 41% dos moradores declararam estar satisfeitos com as ações desenvolvidas. Os efeitos das cheias também aparecem de forma marcante na rotina da população. Quase quatro em cada dez moradores, o equivalente a 39%, precisaram passar ao menos uma noite fora de casa por causa da inundação.

Além disso, 32,9% dos domicílios ficaram temporariamente inacessíveis em razão da elevação das águas, dificultando o retorno das famílias e comprometendo o acesso a serviços essenciais durante o desastre. Outro dado que chama atenção é a interrupção do abastecimento de água.

Segundo a pesquisa, 72,6% das residências da região enfrentaram falta de água durante o episódio, o maior índice registrado entre todas as áreas analisadas pelo levantamento. Os impactos também atingiram a saúde emocional da população.

Em 73,3% dos domicílios houve relatos de prejuízos à saúde mental dos moradores, o percentual mais elevado entre todas as regiões pesquisadas pelo instituto. Apesar da magnitude da tragédia, o levantamento identificou pouca alteração na participação da população no mercado de trabalho. Antes das enchentes, 58,3% dos moradores possuíam trabalho remunerado. No momento da pesquisa, esse percentual era de 58,2%, indicando estabilidade no indicador.

Já a percepção sobre a situação financeira das famílias apresentou resultados distintos. Para 46,7% dos entrevistados, a capacidade da renda para cobrir as despesas permaneceu igual à existente antes da enchente. Outros 39,2% afirmaram que a situação piorou após o desastre, enquanto 13% disseram perceber melhora em relação ao período anterior.