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Estiagem se instala em parte do Rio Grande do Sul com precipitação abaixo a muito abaixo da média com tendência de agravamento do quadro de escassez hídrica no curto prazo e perda de umidade no solo, conforme avaliação da MetSul Meteorologia.

Mapa de umidade no solo pela estiagem

Mapa de umidade do solo do GRACE-NASA mostra quadro de deterioração no Rio Grande do Sul com chuva irregular e altas temperaturas | METSUL

A maior irregularidade da chuva neste verão já era antecipada e desde a metade do ano passado a MetSul alertava que por conta do resfriamento do Pacífico se esperava uma estação com precipitação inferior à climatologia em parte do estado, especialmente na Metade Sul gaúcha.

Uma evidência do crescente déficit hídrico é o racionamento de água que tem início hoje (3) em Bagé, na Campanha, um problema crônico na cidade em verões em que a chuva não é abundante.

Em janeiro, Bagé registrou apenas 47,1 mm chuva, volume muito abaixo do normal e que agravou a escassez hídrica no município. A falta de precipitação provocou a queda nos níveis das barragens que abastecem a cidade e levou a população a se preparar para o sétimo racionamento de água em dez anos.

Segundo o Daeb, responsável pelo abastecimento de água e o saneamento na cidade, a situação dos reservatórios segue preocupante, com a barragem Emergencial cheia, a Piraí operando 1,2 metro abaixo do nível e a Sanga Rasa, principal manancial do município, 4,5 metros abaixo da cota normal.

Diante desse cenário, a prefeitura publicou um decreto que autoriza o racionamento preventivo a partir desta terça-feira (3), com o objetivo de preservar a água disponível e evitar impactos mais severos no futuro.

O abastecimento será feito em sistema de revezamento, dividido em dois setores, com fornecimento por 36 horas e interrupção por 12 horas, sempre das 15h às 3h, seguindo o mesmo modelo adotado em 2025. A prefeitura e o Daeb reforçam o pedido de uso consciente da água, priorizando atividades essenciais e evitando desperdícios.

Produtores rurais ouvidos pela MetSul Meteorologia destacam que a deficiência de chuva se agravou depois de 10 de janeiro e que os efeitos da estiagem são mais sentidos em áreas mais ao Sul gaúcho, no extremo Sul do estado e na Campanha. Em locais da Metade Sul no entorno da Lagoa dos Patos, o cenário é mais favorável. A chuva irregular traz preocupação ainda em municípios do Centro para o Oeste do estado.

Estiagem se agrava no curto prazo

São esperadas temperaturas nesta semana ao redor e acima de 35ºC na maior parte dos municípios gaúchos e alguns terão máximas perto, em torno e mesmo acima dos 40ºC em dias escaldantes.

Sob condições de falta de chuva e calor intenso, a evapotranspiração no solo se intensifica e acelera a perda de umidade disponível, elevando de forma significativa o risco de estiagem, mesmo que breve.

As altas temperaturas e a forte radiação solar aumentam a evaporação direta da água do solo, enquanto a baixa umidade do ar e o vento favorecem a rápida transferência desse vapor para a atmosfera. Com a reposição hídrica praticamente inexistente, o solo seca progressivamente, reduzindo a água acessível às plantas e comprometendo o desenvolvimento da vegetação.

Nesse cenário, a evapotranspiração passa a atuar como um fator agravante do déficit hídrico, especialmente em solos rasos ou mal estruturados, que têm menor capacidade de retenção de água. A vegetação, ao enfrentar estresse hídrico, tende a reduzir a transpiração como mecanismo de defesa, mas isso nem sempre é suficiente para evitar perdas produtivas.

METSUL

Não bastasse o calor, a chuva não deve ser favorável nesta semana. Frente fria chega no final da semana, mas não deve trazer volumes altos de chuva para a a maioria das cidades. O mapa acima traz a projeção de chuva para sete dias r do modelo alemão Icon (clique aqui para ter acesso).

Assim, o cenário de chuva para a semana na agricultura gaúcha não é bom. Vai chover no estado no final da semana, mas as precipitações tendem a ser demasiadamente irregulares e muito mal distribuídas. No geral, os volumes devem ser baixos e em alguns pontos pode sequer chover na semana. Somente setores muito localizados podem ter chuva mais volumosa por conta de temporais isolados.

Influência do Pacífico

A La Niña chegou ao fim, mas as condições atuais de estiagem em parte do Rio Grande do Sul refletem o resfriamento do Oceano Pacífico Equatorial nos últimos meses, o que agravou a irregularidade da chuva no estado.

Hoje, conforme o último boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central-Leste (região Niño 3.4) está em -0,4ºC.  O valor está na faixa de neutralidade (-0,5ºC a +0,5ºC).

Uma vez que as anomalias seguem negativas, mesmo sem La Niña, e os efeitos inerciais na atmosfera do fenômeno permanecem, é natural que a chuva siga irregular e abaixo da média em várias regiões gaúchas. Um aquecimento mais acentuado do Pacífico nos litorais do Peru e do Equador nas próximas semanas, no entanto, pode repercutir com aumento da chuva no Rio Grande do Sul mais tarde neste verão.

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