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Os prognósticos climáticos são contundentes e indicam forte tendência de El Niño em 2026. Apesar do trauma do último evento de El Niño no Rio Grande do Sul é fato que o setor agrícola celebra a possibilidade de um próximo verão com águas mais quentes no Pacífico, pois é indicativo de mais chuva na lavoura.

Nesse sentido o trimestre do verão climático de 2025/26, ou seja, de dezembro a fevereiro foi seco no Sul do país. Nesse sentido os dados registrados pela rede de estações do Instituto Nacional de Meteorologia apontaram acumulados abaixo do normal em grande parte dos municípios da região.

Como resultado os déficits chegaram a 200/300 entre o sudoeste do Paraná e o Norte do Rio Grande do Sul. Houve pontos ainda mais críticos como o norte do Paraná que teve desvio negativo de 300 a 400 mm no trimestre de dezembro a fevereiro.

Simultaneamente é preciso lembrar que o verão teve influência de um evento de La Niña de fraca intensidade e curta atuação que impactou o verão que já tem como característica a irregularidade da chuva.

Por outro lado, nos próximos dias, especialmente entre a sexta e o sábado a chuva tende a retornar com volumes pontualmente altos para o Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A chuva atingirá também no Paraná, mas com volumes em média baixos. No entanto esse será um evento curto de chuva e insuficiente para reverter de forma definitiva os efeitos da estiagem.

Ao mesmo tempo diante da escassez de precipitação dos últimos meses, essa chuva não será suficiente para recuperar e prevenir as perdas nas lavouras. Nos últimos dias as cidades de Santo Cristo, Tupanciretã, São Luiz Gonzaga e Júlio de Castilhos decretaram situação de emergência devido a estiagem. As lavouras já somam prejuízos de mais de 40%.

Além disso, na Campanha gaúcha os municípios de Bagé e Hulha Negra decretaram racionamento de água de 12 horas diários.

Nesse momento o oceano pacífico passa por uma rápida transição com Neutralidade (sem La Niña ou El Niño), porém o aquecimento tem sido rápido nas últimas semanas. Além disso, o aquecimento mais pronunciado no setor Leste do Pacífico já configura El Niño costeiro com impacto direto no aumento da chuva sobre o Equador e o Peru.

De antemão os prognósticos de médio prazo para as próximas semanas indicam chuva no Estado, porém mal distribuídas e em geral na forma de pancadas de curta duração. Portanto, essa irregularidade da chuva alternando com períodos secos e quentes com chuva passageira não será suficiente para recuperar as áreas mais impactadas. Nos mapas abaixo com anomalia de precipitação do modelo europeu semana a semana conclui-se que a chuva fica escassa e abaixo da média nas semanas de 9 a 16 (primeiro mapa da esquerda) e de 16 a 23 (mapa superior a direita).  No período seguinte entre 23 e 30 de março a chuva retorna dentro da média para parte Sul e Oeste do Estado. Na primeira semana de abril o modelo matemático indica chuva dentro da média em grande parte do estado.

Entretanto o mapa da soma da chuva nos próximos quinze dias do modelo europeu projeta que a Metade Norte do Estado tem potencial de bons volumes de chuva. A previsão é de acumulados ao redor de100/150 mm na região conforme mostra o mapa abaixo. O fato é que a chuva não será parelha dentro da lavoura e ainda haverá períodos de alta demanda hídrica devido ao calor. As taxas de evapotranspiração seguem em alta. Embora no mesmo período haja risco de alagamentos e transtornos devido a episódios de chuva forte a má distribuição da chuva não reverte totalmente os efeitos da estiagem, embora possa ocorrer melhoras regionalizadas.

A instalação do El Niño entre o outono e inverno eleva a expectativa do aumento na quantidade e frequência da chuva no Estado. Diante desse cenário é muito provável que a estiagem, regionalizada com impactos em áreas da Campanha, Zona Sul e Norte/ Noroeste, termine. Em alguns pontos é possível até uma virada da escassez para o excesso de chuva dependendo de como esse El Niño evoluir e impactar o clima no Estado. Nesse momento ainda há diversos pontos em discussão além do período ser considerado de imprevisibilidade climática, ou seja, uma janela de menor confiabilidade nos prognósticos de clima.

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