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A MetSul Meteorologia alerta que um episódio de chuva incomum para a climatologia do mês de junho vai atingir nesta segunda semana de junho vários estados do Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil com acumulados de precipitação muito acima do que costuma ocorrer nesta época do ano.

Foto mostra chuva em São Paulo

Cidade de São Paulo vai enfrentar uma sequência de dias com muita chuva em pleno mês de junho | CRIS FAGA/NURPHOTO/AFP/METSUL

A previsão de chuva para os próximos dez dias indica volumes expressivos em parte do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil, conforme as projeções de diversos modelos numéricos analisados pela MetSul.

De acordo com os dados avaliados pela nossa equipe, os maiores acumulados de chuva durante a próxima semana devem se concentrar entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, mas pode chover muito acima do normal para junho ainda em áreas do Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.

O que se espera é uma sequência de vários dias com registro de chuva com persistência de áreas de instabilidade frequentes durante o período. Modelos indicam que a instabilidade maior vai ocorrer entre os dias 11 de 15 deste mês, em particular em São Paulo e no Mato Grosso do Sul.

Em Goiás, a chuva deve ocorrer de forma mais irregular, mas com volumes acima a muito acima do comum em junho, quando em muitos anos sequer chove. Tanto que pode chover em Brasília e outras áreas do Distrito Federal no final da semana que vem, o que é pouco comum em junho.

Em São Paulo, a expectativa é de chuva distribuída por praticamente todas as regiões. Os acumulados variam na maior parte do estado entre 20 mm e 75 mm, com os maiores volumes projetados para áreas do interior, onde em alguns pontos a precipitação pode somar mais de 100 mm na soma dos próximos dez dias, o que é muito para junho.

A cidade de São Paulo enfrentará vários dias seguidos de chuva entre os dias 10 e 15 com altos acumulados para esta época do ano, não se afastando precipitação por vezes moderada a forte. Belo Horizonte pode anotar chuva muito superiores à climatologia de junho entre os dias 11 e 14. Na cidade do Rio de Janeiro, a chuva será menos expressiva e vai se concentrar na segunda metade da semana.

Veja as projeções dos volumes de chuva

O mapa abaixo mostra a projeção de chuva acumulada em dez dias no Centro-Sul do Brasil com dados do modelo do Centro Meteorológico Europeu (EFCMWF), que você tem acesso a qualquer hora como assinante (clique aqui e assine).

Mapa de chuva

METSUL

Como se observa no mapa, a chuva deve alcançar quase todo o Centro-Sul do país no período com a instabilidade maior ocorrendo entre os dias 10 e 15, quando deve chover de forma mais generalizada no Centro do Brasil e com acumulados altos.

Por que esse episódio de chuva é incomum no Centro do Brasil

Diferentemente de áreas mais ao Sul do país, que não possuem temporadas chuvosa ou seca com precipitação bem distribuída ao longo do ano, o Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil possuem períodos no ano que são secos e chuvosos, duas temporadas em que o regime de precipitação contrasta enormemente.

Durante a temporada chuvosa se dão os maiores acumulados de chuva anuais no Centro-Oeste e no Sudeste. Em cidades como Belo Horizonte, Brasília e Cuiabá, mais de 70% do total anual de precipitação se concentra entre novembro e março. A média mensal pode ultrapassar 250 mm nas capitais do Sudeste e superar 300 mm em áreas de Minas Gerais e Mato Grosso.

Na cidade de São Paulo, considerado a climatologia da estação do Mirante de Santana, na zona Norte, o mês mais seco do ano é agosto com 32,3 mm enquanto o mais chuvoso é janeiro com 292,1 mm.

No Centro-Oeste, no coração do Planalto Central, Brasília tem seu mês mais seco do ano em julho com média de tão-somente 1,5 mm enquanto o mais chuvoso é dezembro com 241,1 mm. Goiânia registra a sua menor média mensal de precipitação em julho com 1,5 mm ao passo que a sua maior é a de dezembro com 271,9 mm. Cuiabá tem a sua menor média de chuva em julho com 10,2 mm e a maior em fevereiro com 261,9 mm.

Assim, este episódio de chuva vai ocorrer numa época do ano em que chove muito pouco ou mesmo nada no Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil com médias mensais de precipitação por demais baixas. Assim, nem é necessário que a chuva tenha volumes altos para que chova acima da média. Com a previsão de acumulados elevados em diferentes áreas, a MetSul está alertando para precipitação até muito acima da média.