A MetSul Meteorologia adverte para um novo período de chuva volumosa a excessiva que poderá atingir o Estado até o fim de agosto. A chuva volumosa poderá desencadear novas inundações e alagamentos, condições típicas de inverno sob influência do El Niño. Além da chuva, destaca-se o elevado risco de tempestades que irão acompanhar a instabilidade na segunda metade desta semana.
Após uma janela de tempo seco associada a uma massa de ar frio o tempo começa a se instabilizar a partir da quinta, dia 27. A MetSul Meteorologia antecipa cenário sinótico complexo no final do mês com elevado potencial para eventos muito expressivos de chuva e risco de tempo severo. Diferente do último episódio de chuva volumosa, a expectativa é desse evento de chuva impactar com mais força os municípios do Centro e Norte do Estado.
É preciso destacar que ainda haverá alguns ajustes por parte dos modelos quanto a volumes exatos o que é de se esperar com essa antecedência. Por outro lado, a configuração de fenômenos traz um indicativo forte de que essa região deverá ser a mais impactada pelos altos volumes de precipitação.
Inicialmente uma corrente de jato de baixos níveis com vento Noroeste irá transportar ar muito quente para o Estado em contraste com o ar frio que avança para o mar. Uma frente fria chega na sexta, mas o bloqueio no centro do país impede que o fenômeno avance muito além de Santa Catarina.
Na sequência um sistema de baixa pressão avança do Paraguai favorece que a chuva ganhe força. O centro de baixa faz com que a instabilidade retroceda com comportamento de frente quente na direção do centro do território gaúcho. Já no último dia do mês a baixa pressão no mar irá acelerar o deslocamento da então frente fria na direção de Santa Catarina e Paraná.
Portanto, a chuva passará por vários estágios e terá como causa múltiplos fenômenos que dentro desse cenário atmosférico complexo elevam risco de volumes altos que podem elevar o risco de alagamentos e inundações. O período chuvoso sobre as bacias hidrográficas da parte Norte e Leste do estado deverá ser monitorado nesses dias.

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Projeção de anomalia de temperatura do modelo GFS/METSUL que aponta uma potent corrente de baixos níveis a 1500 metros do solo na direção do Estado no final do mês.
TEMPORAIS IRÃO ACOMPANHAR A CHUVA
Na sexta-feira, dia 28, uma forte corrente de jato de baixos níveis acelera na direção do Rio Grande do Sul. Esse jato converge na direção do estado transportando ar quente e úmido nos baixos níveis da atmosfera elevando o risco de temporais e tempo severo localizado. O ar quente é importante ingrediente para formar temporais e divergência do vento poderá deflagrar eventos extremos isolados. Como resultado pulsos de chuva, forte a torrencial, podem ocorrer com vendavais localizados, muitos raios e granizo. As áreas da Metade Norte tendem a ser mais impactadas.
Entre os dias 29 e 30 de agosto a frente fica semi estacionária e por horas seguidas poderá gerar chuva com volumes altos em municípios da Metade Norte. O risco de temporais se mantém por conta da interação de ar quente na dianteira da frente. Por outro lado, municípios do sul e oeste podem ter melhorias e menor potencial de chuva. A temperatura tende a cair nessas áreas aumentando o contraste térmico entre o sul e o norte.
ACUMULADOS DE CHUVA PROJETADOS

O modelo europeu indica que as faixas Norte, Noroeste e Leste e parte Sul de Santa Catarina devem concentrar os maiores acumulados de precipitação no período. Preocupa o curto período de chuva com volumes que podem superar a média histórica do mês de agosto. A chuva começa no dia 27 mal distribuída na Metade Sul, no dia 28 se espalha e nos dias 29 e 30 fica restrita e intensa entre o Centro e Norte do estado.
Há certo consenso por parte dos diferentes modelos que o acumulado do período deverá oscilar ao redor de 100 a 200 mm, com alguns pontos de acumulado entre 200 e 300 mm. O modelo europoeu (mapa acima) concentra esses acumulados entre o Planalto e a Serra gaúcha, com contribuição nas bacias do Taquari Antas, Caí, Jacuí e Sinos. O que será revisado e atualizado nos próximos dias.
Ressalta-se que pela rodada dos modelos deste domingo, os dias mais críticos quanto a volumes diários de chuva serão os dias 28, 29 e 30 com volumes que podem somar ao redor de 50/100 mm em poucas horas em cidades da Metade Norte e Leste com risco algo de alagamentos e inundações em áreas urbanas e elevação de arroios e rios de pequeno porte se essa projeção se manter.
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Por outro lado, as projeções dos modelos canadense (mapa abaixo) e britânico divergem quanto a região de potencial de maiores acumulados de chuva. O modelo canadense ( CMC) projeta entre 100 a 200 mm, com núcleos de 300 mm, entre a Campanha, Centro, Leste e Nordeste do Estado.

Projeção de chuva acumulada nos proximos dez dias pelo modelo canadense disponível na área de assinantes.
A previsão do modelo britânico se estende até o dia 29 a noite e por isso não considera os dias 30 e 31 na conta dos acumulados. Na projeção concentra os maiores volumes na faixa de 100 a 200 mm entre o Centro e o Leste do Estado, incluindo a região metropolitana de Porto Alegre.

Projeção de chuva acumulada nos próximos sete dias pelo modelo Britânico disponível na área de assinantes.