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Duas depressões subtropicais atuam na costa brasileira no começo desta segunda-feira (2), de acordo com a análise do serviço meteorológico da Marinha do Brasil, uma situação inédita no litoral brasileiro, ao menos desde que a Marinha passou a monitorar ciclones atípicos.

Carta sinótica com duas depressões subtropicais na costa

MARINHA DO BRASIL

A imagem acima mostra a carta sinótica da Marinha do Brasil referente à 0Z (21h do domingo) em que se observa o indicativo de duas baixas pressões com características de depressão subtropical na costa brasileira.

Uma depressão tropical no litoral do Brasil não é um fato inédito, embora não seja comum. Já duas depressões subtropicais na costa simultaneamente é situação muito incomum e, por registros da MetSul, é a primeira vez que ocorre desde que estes sistemas passaram a ser monitorados pela Marinha.

A MetSul Meteorologia destaca que os dois centros de baixa pressão estão distantes da costa e que não oferecem risco para terra firme, devendo as duas depressão seguirem sobre mar aberto.

De acordo com a análise da Marinha, o primeiro sistema apresenta pressão central de 1000 hPa e se localizava na madrugada desta segunda-feira (2) em torno de 35° Sul e 31° Oeste. A baixa pressão se desloca para Sudeste, ou seja, cada vez mais para longe da costa do Brasil.

Os ventos máximos sustentados estão estimados entre 28 e 33 nós, o que corresponde a aproximadamente 50 a 60 km/h, com rajadas mais fortes. No mar, a condição é de mar grosso a muito grosso, o que representa risco para a navegação.

A previsão indica que o sistema seguirá avançando para Sudeste nas próximas horas, mantendo intensidade semelhante Nesta segunda-feira (2), sempre sobre águas abertas do Atlântico.

A segunda depressão subtropical está mais ao Norte, com pressão central de 1003 hPa, posicionada na madrugada em torno de 27° Sul e 34° Oeste. Assim como a primeira, também se desloca para Sudeste.

Os ventos estimados são da mesma intensidade, entre 28 e 33 nós (cerca de 50 a 60 km/h), com rajadas mais intensas e mar bastante agitado na área onde o sistema atua.

De acordo com o prognóstico, essa segunda depressão também continuará se movendo para Sudeste ao longo do dia e da terça-feira (3), permanecendo sobre o oceano e sem indicação de deslocamento em direção direta ao litoral brasileiro.

A MetSul Meteorologia possui a mesma avaliação da Marinha do Brasil de que os dois sistemas não devem se intensificar, assim é improvável que alguns deles ou os dois evoluam para uma tempestade subtropical, que caso se formasse seria batizada com o nome Caiobá.

Uma depressão subtropical é um sistema de baixa pressão atmosférica que apresenta características híbridas, situando-se entre os sistemas tropicais (atípicos na costa do Brasil) e os extratropicais (comuns).

O fenômeno se forma, em geral, sobre águas relativamente quentes, mas não depende exclusivamente do calor liberado por nuvens e tempestades organizadas, como ocorre nos ciclones tropicais.

Sua estrutura costuma ter o centro parcialmente exposto, com áreas de chuva e trovoadas deslocadas para longe do núcleo, e pode apresentar tanto energia proveniente do contraste de temperatura entre massas de ar quanto do calor latente liberado pelas nuvens.

No Atlântico Sul, esse tipo de sistema pode se desenvolver na transição entre frentes frias e áreas de instabilidade persistente sobre o oceano. Quando há organização suficiente e ventos sustentados aumentam, a depressão subtropical pode evoluir para uma tempestade subtropical ou tropical, e neste caso o sistema será batizado com um nome.

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