A marmota Punxsutawney Phil voltou a ser hoje o centro das atenções ao “ver sua sombra” durante a tradicional cerimônia do Groundhog Day, o Dia da Marmota, realizada em Gobbler’s Knob, na Pensilvânia, diante de milhares de espectadores.

JEFF SWENSEN/GETTY IMAGES/AFP/METSUL
Segundo a lenda, isso indica que o inverno vai durar mais seis semanas. Em 2026, esse período se estende até meados de março, data que simbolicamente marcaria o fim do inverno previsto por Phil.
A previsão de um inverno mais longo não é novidade. No ano anterior, Phil fez o mesmo anúncio e, ao longo da história do evento, ele viu sua sombra 110 vezes desde o início dos registros.
Em contraste, a previsão de primavera antecipada foi feita apenas 21 vezes, incluindo a mais recente em 2024. Nos últimos seis anos, o mascote previu um inverno prolongado em quatro ocasiões: 2021, 2022, 2023 e 2025.
Apesar da popularidade, a precisão do famoso roedor é limitada. Dados históricos mostram que a taxa geral de acerto de Punxsutawney Phil para prever um inverno mais longo gira em torno de 35% a 40%, dependendo do critério usado na análise climática.
Outros “meteorologistas peludos” regionais apresentam desempenho melhor. Um exemplo frequentemente citado é Staten Island Chuck, de Nova York, que tem um índice de acerto superior ao de Phil.
O Groundhog Day tem raízes na tradição cristã europeia ligada à observação do clima para antecipar a época de plantio. Na Europa, ursos e texugos eram usados como referência; nos Estados Unidos, imigrantes alemães adaptaram o costume ao groundhog. Hoje, a data é mais simbólica e cultural do que científica, mantendo viva uma das tradições climáticas mais curiosas da América do Norte.
Mas em 2026 a marmota tem tudo para acertar a sua “previsão”. Uma forte onda de frio continua atingindo a metade Leste dos Estados Unidos e deve persistir ao longo de fevereiro devido a uma grande perturbação no Vórtice Polar.
É esperado um evento de Aquecimento Súbito Estratosférico, quando as temperaturas nas camadas altas da atmosfera sobem rapidamente, enfraquecendo os ventos que normalmente mantêm o ar gelado concentrado próximo ao Polo Norte.
Com isso, o vórtice pode se deslocar ou se dividir, permitindo que o ar ártico avance com mais frequência para o Leste dos EUA. Diferentemente do fim de janeiro, quando o vórtice estava forte, porém deslocado sobre o Canadá, agora a tendência é de incursões mais recorrentes de frio intenso.
O Centro de Previsão Climática da NOAA indica alta confiança em temperaturas abaixo da média durante fevereiro em regiões como os Grandes Lagos, Nordeste e até o Sudeste do país, enquanto o Oeste deve permanecer mais quente que o normal.
Janeiro já foi marcado por extremos, com frio histórico, recordes de mínima e uma grande tempestade de inverno que deixou milhões sem energia e provocou quase 80 mortes em ao menos 16 estados. O mês terminou com um poderoso ciclone bomba que trouxe nevascas históricas às Carolinas e à Virgínia, além de frio incomum no estado da Flórida.
