A MetSul Meteorologia que o período de frio que se iniciou na sexta-feira (8) será longo com muitos dias de temperatura baixa ao menos até 20 de maio, com uma condição favorável a massas de ar frio proporcionada pela mudança na circulação atmosférica no Hemisfério Sul associada à chamada Oscilação Antártica.

Projeção do modelo meteorológico europeu indica temperatura abaixo a muito abaixo da média entre 10 de maio e 20 de maio no Sul do Brasil e parte do Centro-Oeste com sequência de incursões de ar frio | METSUL
A primeira metade do outono climático (1º de março a 15 de abril) foi caracterizada por temperatura acima a muito acima da média com um alto número de dias de calor, em alguns dias até intenso, mas o padrão começou a mudar no final de abril com a chegada da primeira massa de ar frio mais forte.
Agora em maio, na sexta-feira (8), começou a ingressar a massa de ar frio mais forte do ano até agora e que é responsável por este fim de semana de inverno no Sul do Brasil e com queda acentuada da temperatura ainda no Mato Grosso do Sul e em São Paulo neste começo de semana.
Esta massa de ar frio, pela sua intensidade e abrangência, com a caracterização de uma onda de frio, trará muito dias seguidos de temperatura baixa com mínimas inferiores à climatologia histórica em grande parte desta semana que se inicia. As madrugadas mais frias devem ser as desta segunda (11) e da terça (12), mas no restante da semana seguirá fazendo frio durante a noite e com formação de geada.
Mas o frio não vai se limitar a esta semana. Os dados analisados pela MetSul indicam que uma segunda massa de ar frio deve tangenciar rapidamente o Rio Grande do Sul com trajetória oceânica entre quinta (14) e sexta (15), mantendo a temperatura baixa.
Ocorre que, na sequência, os mesmos dados apontam a possibilidade de uma terceira massa de ar frio, esta de trajetória continental pelo interior da América do Sul e com maior intensidade que a segunda, ingressando no Sul e parte do Centro-Oeste do Brasil no próximo fim de semana, entre os dias 17 e 18.
Este terceiro pulso de ar frio traria mais dias com temperatura baixa a muito baixa, em algumas cidades serranas mesmo abaixo de zero, e ainda com formação de geada, durante a primeira metade da semana que vem.
Ou seja, o cenário que se apresenta para os próximos dez dias é de inverno com um alto número de dias de mínimas muito baixas e muitas tardes e amenas, prevendo-se um arrefecimento breve das mínimas baixas entre os 16 e 17 pela passagem de uma frente fria com aumento de nebulosidade e chuva.
Por que o frio vai se prolongar? O corredor polar se abre!
O período frio e de temperaturas baixas mais longo, com duração de ao menos dez dias, decorre diretamente de mudança no padrão de circulação atmosférica no Hemisfério Sul e que está atrelado ao nós meteorologistas conhecemos como Oscilação Antártica (AAO).
Depois de estar predominantemente numa fase positiva nos primeiros três meses de 2026, a Oscilação Antártica apresentou um primeiro pico breve negativo no começo da segunda quinzena de abril que já favoreceu o evento de frio de dias depois no Sul do Brasil.

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Agora, a chamada AAO começa a ingressar mais uma vez em terreno negativo e, segundo algumas projeções de modelos, pode apresentar novo pico negativo de curta duração e que poderia era mais substancial que o de abril.
Com isso, muda a circulação de vento em torno da Antártida, favorecendo o escape e o avanço de ar frio até as latitudes médias, proporcionando novas incursões frias no Sul do Brasil com mais dias de temperaturas baixa.
Entenda a Oscilação Antártica
A chamada Oscilação Antártica (AAO) ou Modelo Anular Sul ou Meridional é uma das mais importantes variáveis que impacta as condições no Brasil e no Hemisfério Sul, tanto na chuva como na temperatura.
Do que se trata? Trata-se de um índice de variabilidade relacionado ao cinturão de vento e de baixas pressões ao redor da Antártida. A Oscilação Antártica tem duas fases. A positiva e a negativa.
Na positiva, o cinturão de vento ao redor da Antártida se intensifica e se contrai em torno do Polo Sul. Já na fase negativa, o cinturão de vento enfraquece e se desloca para Norte, no sentido do Equador, obviamente sem atingir a faixa equatorial.

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Com a maior ondulação da corrente de jato na fase negativa, crescem as chances de episódios de chuva mais volumosa e ciclones assim como para o ingresso de ar frio nas latitudes médias. Estudos mostram que na fase negativa há uma maior propensão para chuva no Sul e Sudeste do Brasil.
Independente da condição do Pacífico (El Niño, neutralidade e La Niña), períodos de AAO- têm potencial de incrementar a precipitação no Sudeste da América do Sul com maior frequência de ingresso de massas de ar frio de origem polar nos meses de inverno.
Veja em mapas como vem frio ainda nos próximos dias
A sequência de pulsos de ar frio fará com que a temperatura no Sul do Brasil durante os próximos dez dias fique abaixo a muito abaixo da média na região. O mapa abaixo mostra a projeção de anomalia de temperatura de 10 a 20 de maio do modelo meteorológico europeu em que se observa como as marcas nos termômetros no período devem ser muito inferiores à climatologia histórica.

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O período particularmente mais gelado em termos de mínimas e máximas deve se dar entre hoje (10) e quarta-feira (13). A tarde mais gelada será a deste domingo (10) ao passo que as menores mínimas devem ocorrer nesta segunda (11), terça (12) e na quarta (13).

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Isso se reflete na projeção de desvio da média da temperatura para cinco dias, que pode ser vista no mapa acima de anomalia de temperatura do modelo de clima norte-americano CFS.
Trata-se de um cenário térmico de inverno, com condições que podem ser esperadas em regra nos meses de junho, julho e agosto, quando ocorrem normalmente períodos de temperatura baixa mais longos com numerosos dias de temperatura mínima abaixo de zero e alta frequência de formação de geada.