A agência espacial norte-americana NASA está atenta às condições do tempo no estado da Flórida e áreas do Atlântico Norte ante o risco de condições desfavoráveis adiarem o lançamento da missão Artemis II, que marcará o retorno de astronautas à órbita da Lua após mais de meio século.

GREGG NEWTON/AFP/METSUL
Mesmo com previsão neste momento considerada favorável, a Meteorologia pode ter a palavra final sobre a decolagem. A agência espacial norte-americana trabalha com uma probabilidade de cerca de 80% de condições adequadas no horário previsto.
Ainda assim, os 20% restantes representam risco real, já que qualquer violação dos critérios meteorológicos é suficiente para cancelar a tentativa. O principal temor é a ocorrência de descargas elétricas.
O foguete carrega aproximadamente 750 mil galões de propelente, o que torna a operação extremamente sensível a raios. O perigo não se limita a tempestades: nuvens carregadas eletricamente podem provocar o chamado “raio induzido”, quando o próprio foguete desencadeia a descarga ao atravessar a atmosfera.
As condições típicas da primavera na Flórida aumentam esse risco. Na região do Kennedy Space Center e de Cabo Canaveral, o aquecimento diurno combinado com a umidade vinda do Atlântico favorece a formação de nuvens do tipo Cumulus. Ao longo do dia, essas nuvens podem crescer rapidamente e evoluir para pancadas de chuva e temporais isolados.
Além das descargas elétricas, outros fatores são monitorados com rigor. Ventos fortes, tanto na superfície quanto em altitude, podem comprometer a trajetória inicial do foguete. Chuvas, temperaturas fora do ideal e campos elétricos elevados na atmosfera também entram na lista de restrições.
A decisão final cabe à equipe meteorológica responsável pelo lançamento, que acompanha as condições em tempo real. O parecer de “tempo favorável” precisa ser mantido até os últimos instantes da contagem regressiva.
Não é incomum que lançamentos sejam abortados a poucos minutos ou até segundos da decolagem.
Historicamente, o tempo é um dos principais vilões das operações espaciais. Estima-se que quase metade dos lançamentos cancelados tenha relação direta com condições meteorológicas adversas. A combinação de critérios rigorosos e variabilidade atmosférica torna o processo altamente sensível.
Outro ponto de atenção é o tempo fora da área de lançamento. Equipes também monitoram regiões do Atlântico Norte que podem ser usadas em caso de emergência, além de fatores como atividade solar, que pode afetar sistemas e tripulação.