O outono, que começa às 11h45 desta sexta-feira (20) com o equinócio, caracteriza-se como uma estação de transição do calor do verão para o frio do inverno. A estação começa com o Oceano Pacífico em fase de neutralidade (sem El Niño e La Niña), mas deve marcar a chegada do El Niño.

Pacífico Equatorial vai aquecer muito e El Niño vai se instalar do meio para o fim do outono | NOAA
O comportamento da temperatura no Oceano Pacífico será determinante para o clima neste outono. Neutralidade é frequentemente confundida com normalidade, mas pode trazer tanto extremos de El Niño como de La Niña.
Conforme os mais recentes boletins da NOAA, a agência de clima dos Estados Unidos, o Pacífico Equatorial Centro-Leste (região Niño 3.4), a região do oceano usada oficialmente para designar se há El Niño ou La Niña, apresenta anomalia de temperatura da superfície do mar de -0,1ºC, ou seja, na faixa de neutralidade (-0,4ºC a 0,4ºC).
Já perto da costa da América do Sul, nos litorais peruano e equatoriano, região que é denominada de Niño 1+2, as águas estão mais quentes do que a média com anomalia de 1,5ºC, com caracterização de El Niño Costeiro.
A tendência é de o El Niño Costeiro de intensificar no decorrer da estação e os valores atuais de anomalia de temperatura do mar já estão no mesmo patamar desta época do ano de 2023, quando se iniciou um evento de El Niño muito forte.
O mais importante, no entanto, é o que ocorre no Pacífico Centro-Leste, onde se projeta se instale um evento de El Niño clássico ou canônico ao longo da faixa equatorial do Oceano Pacífico no final da estação, em maio ou mais tardar em junho.
Os mapas abaixo mostram a projeção de anomalia de temperatura da superfície do mar para os meses de abril, maio, junho e julho, conforme os dados do modelo NMME (North American Multi-Model Ensemble) da NOAA.

NOAA
Como se observa, o Oceano Pacífico Equatorial deve aquecer rapidamente durante este outono com a formação de uma faixa extensa de águas quentes no Pacífico Equatorial no decorrer da estação, o que vai levar à formação do El Niño em sua forma clássica com os primeiros impactos no clima.
Outono terá temperatura acima da média
O outono marca a expectativa pela chegada do frio, mas o começo da estação normalmente ainda tem características térmicas por vezes de verão. A chegada do outono não significa que o calor fica para trás, adverte a MetSul.
Alguns dias quentes são normais em abril e maio e devem ocorrer agora em 2026. Mesmo em junho podem ser esperados alguns dias quentes e deve ser o caso também desse ano. Quando há período quente mais prolongado em maio após dias frios há a ocorrência do chamado veranico de maio, mas ele não ocorre todos os anos.

Projeção de anomalia de temperatura para o trimestre abril a junho do modelo de clima SEAS-5 do Centro Meteorológico Europeu. A projeção não necessariamente representa o prognóstico sazonal da MetSul e é meramente ilustrativa. | METSUL
A MetSul espera um outono com predomínio de dias de temperatura acima da média e alguns muitos até quentes para a época do ano no Centro-Sul do Brasil. Um outono frio é extremamente improvável. Isso, contudo, não significa que vai deixar de fazer frio. Os episódios de frio é que tendem a ser mais pontuais, eventualmente fortes. A tendência, assim, é que não ocorra frio persistente e muito prolongado neste outono.
O outono, em regra, possui três períodos. No primeiro, até o fim da primeira quinzena de abril, costumam prevalecer as marcas mais elevadas nos termômetros com períodos esporádicos de calor mais forte.
Na segunda metade de abril se dá o segundo, quando a frequência de dias amenos ou frios aumenta e já podem ocorrer, dependendo do ano, até algumas noites com geada. Este período perdura até a metade de maio, quando tem início o terceiro com características climáticas já próximas daquelas observadas no inverno.
Outra marca do outono é a grande diferença de temperatura da noite para o dia. Trata-se de um dos períodos do ano com maior amplitude térmica e que também proporciona um aumento nos dias de nevoeiro, especialmente a partir de maio.
Com frequência, sob condições de céu limpo e ar seco, a temperatura pode variar até 20ºC ou mais no mesmo dia, o que força o uso de roupas mais pesadas no começo da manhã e vestuário mais leve no período da tarde.
Comum no outono é a ocorrência de bruscas mudanças de temperatura. Muitas vezes na estação frentes frias avançam e as marcas nos termômetros que podem estar acima de 30ºC imediatamente antes da chegada da frente podem cair para valores abaixo de 10ºC em poucas horas.
Estas mudanças não raramente são acompanhadas de vento forte do quadrante Oeste, do tipo Minuano, quando da presença de um ciclone mais intenso no Atlântico. O vento forte costuma vir com ciclones extratropicais (sistemas de baixa pressão), fenômeno que se torna mais frequente justamente a partir do outono e que impulsiona o ar polar para o Sul do Brasil.
As rajadas quando há ciclones costumam variar, em média, entre 50 e 100 km/h, dependendo do posicionamento do sistema de baixa pressão. Em alguns casos mais extremos, as rajadas ultrapassam 100 km/h no Sul e no Leste gaúcho com fortes ressacas do mar na costa, danos e falta de energia.
Como fica a chuva na estação
O outono caracteriza-se ainda por uma mudança no regime de chuva. Enquanto no verão as precipitações se originam mais de nuvens carregadas que se formam pelo calor e a umidade alta, a partir do outono a chuva passa a ter como causa principal a passagem de frentes frias e centros de baixa pressão.
Em junho, não raro, se produz a atuação de frentes quentes, muito menos comuns que as frentes frias e que quando ocorrem trazem altos volumes de chuva e ainda temporais com muitos raios e, principalmente, granizo.
O outono é a época do ano com menor frequência de temporais, mas esses ocorrem em qualquer época do ano. Tempestades se dão no outono principalmente quando há bruscas trocas de massas de ar e podem ser até muito severas e com danos, inclusive com histórico de tornados, especialmente na passagem de frentes frias ou por centros de baixa pressão. Frentes quentes, especialmente em junho, igualmente costumam gerar tempestade.

Projeção de anomalia de precipitação para o trimestre abril a junho do modelo de clima SEAS-5 do Centro Meteorológico Europeu. A projeção não necessariamente representa o prognóstico sazonal da MetSul e é meramente ilustrativa. | METSUL
Quanto à chuva, a expectativa é que o outono deste ano seja marcado por precipitações irregulares com períodos chuvosos e outros de tempo seco na primeira metade da estação no Sul do Brasil. A chuva, porém, deve começar a aumentar mais em muitas áreas do Sul do Brasil à medida que o Pacífico aquece.
Muitos modelos climáticos sinalizam uma estação ainda seca e de chuva abaixo da média, mas o entendimento da MetSul Meteorologia não é de um outono muito seco. Projetamos que haverá um aumento na frequência e nos volumes de chuva no decorrer da estação, especialmente na sua segunda metade.
Adverte-se, inclusive, para o risco de episódios pontuais de chuva volumosa e excessiva com altos acumulados, sobretudo a partir de junho. A possibilidade destes eventos de chuva mais volumosa e até extrema cresce especialmente à medida que se aproxima o inverno. Tais episódios podem gerar inundações, alagamentos e mesmo cheias de rios com enchentes. Em 2023, a primeira enchente ocorreu em junho com um ciclone na costa do Litoral Norte gaúcho.
No Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil, o outono naturalmente traz a diminuição da chuva com o fim da estação chuvosa. Neste ano, entretanto, o outono pode ter volumes de chuva acima da média em muitas áreas do Centro-Oeste e do Sudeste, com maior presença de umidade na parte central do país.
