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A Terra está acumulando mais energia do que consegue liberar para o espaço e esse desequilíbrio pode ser ainda mais grave do que os cientistas estimavam. Um novo estudo aponta que os principais modelos climáticos do mundo estão subestimando esse fenômeno, o que levanta dúvidas importantes sobre o ritmo do aquecimento global.

Foto mostra avião na frente do sol em dia de clima quente

IDREES MOHAMMED/AFP/METSUL

Esse “desequilíbrio energético” é, basicamente, a diferença entre a energia que o planeta recebe do Sol e a que devolve ao espaço. Quando entra mais energia do que sai, o sistema aquece. É como se a Terra estivesse funcionando com um “saldo positivo” de calor e o excesso vai parar na atmosfera, nos oceanos e no solo.

Observações feitas por satélites mostram que esse desequilíbrio mais do que dobrou nas últimas duas décadas. E o aumento foi ainda mais acelerado a partir de 2010. Em 2023, o valor chegou a cerca de 1,8 watt por metro quadrado, um número que pode parecer pequeno, mas representa uma enorme quantidade de energia acumulada no sistema climático.

O problema é que os modelos climáticos usados para prever o futuro do clima não estão acompanhando esse ritmo. Eles até indicam que o desequilíbrio está crescendo, mas em uma velocidade menor do que a observada na realidade.

Em outras palavras, o planeta pode estar aquecendo mais rápido do que se pensava. Os cientistas sabem que a principal causa desse desequilíbrio são as emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono.

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Esses gases funcionam como uma espécie de “cobertor”, dificultando que o calor escape para o espaço. Mas isso não explica tudo. Uma das principais suspeitas recai sobre as nuvens. Elas têm um papel duplo no clima: podem refletir a luz solar de volta ao espaço, ajudando a resfriar a Terra, ou podem reter calor, contribuindo para o aquecimento.

Outro fator importante são os aerossóis, que são pequenas partículas suspensas no ar, provenientes de poluição, queimadas e até poeira. Essas partículas influenciam diretamente a formação das nuvens.

Em geral, mais aerossóis levam à formação de nuvens com gotículas menores e mais refletivas, que devolvem mais energia ao espaço. Só que, nos últimos anos, houve uma redução significativa de aerossóis em algumas regiões do planeta, especialmente devido a políticas de controle da poluição.

Isso pode ter diminuído a capacidade das nuvens de refletir a luz solar, contribuindo para o aumento do aquecimento. Mesmo assim, os cientistas ainda não têm certeza se essa é a principal explicação.

O estudo indica que há processos importantes no sistema climático que ainda não são completamente compreendidos ou bem representados nos modelos e essa incerteza é preocupante.

Modelos climáticos são ferramentas fundamentais para prever cenários futuros e orientar políticas públicas. Se eles estiverem subestimando o aquecimento, isso pode significar que os impactos das mudanças climáticas como ondas de calor, secas e tempestades intensas podem se intensificar mais rapidamente do que o esperado. Por outro lado, entender melhor o desequilíbrio também abre caminho para aprimorar os modelos de clima e tornar as previsões mais precisas.