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Ciclone extratropical vai se formar no final desta semana entre o Nordeste da Argentina e o Uruguai com ventos intensos na área do Rio da Prata e temporais isolados em estados do Sul do Brasil.

METSUL

O que vai acontecer? Uma área de baixa pressão começa a se aprofundar nesta sexta (9) sobre o Norte e o Nordeste da Argentina com chuva intensa e tempestades severas, migrando para o Uruguai.

No sábado (10), o centro de baixa pressão se aprofunda ainda mais na altura do Rio da Prata e no Sul do Uruguai, muito perto de Montevidéu, dando origem a um ciclone com pressão central ao redor de 997 hPa, com chuva intensa e temporais sobre o Uruguai.

No domingo (11), a baixa pressão começa a se afastar do Uruguai no sentido Leste, rumo ao oceano ao Sul gaúcho, contudo o sistema enfraquece muito e a pressão atmosférica se eleva em seu centro.

Assim, este será um ciclone de muita curta duração e pequeno em dimensão, que não deve ganhar muita intensidade e enfraquecerá ao se deslocar para o Atlântico, diferente do que normalmente ocorre em ciclones extratropicais em latitudes médias.

O contraste entre massas de ar frio e quente é responsável pela formação dos ciclones e, como não haverá uma massas de ar frio de maior intensidade, o sistema deste fim de semana terá vida curta e não terá grande intensificação.

Maior impacto do ciclone no Uruguai

Os ciclones extratropicais produzem os chamados ventos ciclônicos, que sopram com rajadas fortes a intensas por muitas horas seguidas, causando danos, queda de árvores e postes, e falta de energia elétrica.

Os dados analisados pela MetSul indicam que o campo de vento forte a intenso deste ciclone será bastante pequeno, ou seja, as rajadas fortes a muito fortes por várias horas devem se concentrar perto do centro de baixa pressão.

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Com isso, os ventos ciclônicos devem se concentrar no Uruguai no sábado (10) e no domingo (11), especialmente em departamentos mais ao Sul do país como Colonia, Montevidéu, San José, Canelones e Maldonado, com rajadas de 70 km/h a 100 km/h, mais fortes na área da capital uruguaia.

O campo de vento mais intenso não vai atingir o Sul do Brasil. O vento se intensifica no Rio Grande do Sul durante o domingo, mas com rajadas de 50 km/h a 70 km/h em pontos do interior, mas que não devem trazer maiores consequências. O litoral gaúcho, que tradicionalmente é impactado por forte vento em ciclones, não tem previsão de intensa ventania.

Risco no Sul do Brasil são temporais isolados

Uma vez que o ciclone não vai passar pelo Sul do Brasil e não será intenso, os seus efeitos serão secundários com maior instabilidade na atmosfera com a queda da pressão atmosférica e ar tropical quente sobre a região.

Com o começo da ciclogênese nesta sexta-feira sobre o Nordeste da Argentina e o Oeste do Uruguai, a instabilidade aumenta nos três estados da Região Sul. O sol aparece com nuvens, mas o aquecimento sob menor pressão atmosférica forma nuvens carregadas da tarde para a noite com chuva em vários pontos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná. A chuva pode ser localmente forte a intensa com risco de temporais isolados de vento e granizo.

No sábado, com o ciclone formado sobre o Uruguai, o cenário se repete. Com exceção do Oeste gaúcho que terá chuva e risco de tempestades isoladas mais cedo, o sol vai aparecer com nuvens nas demais áreas do Sul do Brasil com calor. A frente associada ao ciclone, então, vai começar a avançar com chuva que será isoladamente forte a intensa e com temporais isolados, mas o calor já forma áreas de instabilidade pré-frontais com tempestades localizadas da tarde para a noite.

No domingo, a frente associada ao ciclone traz chuva no começo do dia no Norte e no Nordeste gaúcho e ao longo do dia em vários pontos de Santa Catarina e o Paraná, podendo ser localmente forte e com risco de temporais localizados. Na maior parte do Rio Grande do Sul, o tempo melhora e o sol aparece ao longo do domingo. Na Metade Sul gaúcha, a circulação ciclônica traz chuva isolada da tarde para a noite intercalada com sol e nuvens.

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Os mapas acima mostram o vento máximo indicado pelos modelos de alta resolução WRF inicializados com os modelos norte-americano e europeu para o Rio Grande do Sul até às 21h de sábado.

Como se observa no mapa, pontos localizados podem ter vento forte a muito forte por conta de temporais isolados gerados pela baixa pressão. Não é vento ciclônico, que dura horas, mas rajadas fortes de curta duração acompanhando temporais isolados formados pelo calor e a umidade sob ambiente de baixa pressão atmosférica.

Temporais isolados podem afetar o Mato Grosso do Sul e São Paulo no fim de semana, mas os efeitos deste ciclone no Centro do Brasil serão muito indiretos e não relevantes. Não há a menor possibilidade de uma repetição do que ocorreu em São Paulo no mês de dezembro, quando um ciclone intenso se formou sobre o Rio Grande do Sul.

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