Ciclone se forma neste fim de semana na costa do Sudeste, pode ser atípico (subtropical ou tropical), vai deslocar e reforçar o canal de umidade da Amazônia sobre o Brasil e vai favorecer chuva forte a intensa em vários estados, alerta a MetSul Meteorologia.

Ciclone atípico na costa do Brasil em 2021 | NOAA/ARQUIVO
Qual a situação atual e o que vai acontecer? Neste momento, uma área de baixa pressão atua no Sudeste do Brasil e continua a favorecer instabilidade na região e também no Nordeste do país.
Neste fim de semana, a baixa pressão do continente se desloca para o Oceano Atlântico e se junta a outras que atuam sobre o mar, ao longo de uma frente fria de milhares de quilômetros com trajetória alongada no sentido de Sul para Norte para do extremo Sul do Atlântico até a costa brasileira.
Uma destas áreas de baixa pressão vai se aprofundar e se transformar em um ciclone no fim de semana, mas o sistema deve se aprofundar e se organizar mais a uma maior distância da costa entre o domingo (1) e a segunda-feira (2).
Na sequência, durante a primeira metade da próxima semana, este ciclone vai ter uma trajetória de Norte para Sul sobre o Oceano Atlântico, a uma enorme distância da costa do Brasil.
Os mapas a seguir, do modelo do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF), mostram como o sistema se forma na costa da Região Sudeste neste fim de semana e a tendência de o sistema se deslocar a seguir para Sul sobre o oceano, distante do litoral brasileiro.

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Assim, ao contrário de que tem sido informado por meios de imprensa, este ciclone não terá uma trajetória sobre o continente e seu ciclo de vida se dará integralmente sobre o mar, embora cause efeitos em terra.
Chuva intensa e volumosa é o principal risco
A baixa pressão originária e o posterior ciclone sobre o Atlântico vão reforçar o aporte de umidade vinda da Amazônia em áreas mais ao Norte do Sudeste do Brasil e na Região Nordeste agora no final da semana com chuva localmente forte a intensa do Centro para o Norte de Minas Gerais, Rio de Janeiro (maior risco na Região dos Lagos), Espírito Santo e o Nordeste.
No fim de semana e no começo da semana, com o ciclone já formado, a umidade deve se deslocar mais para o Norte, afetando principalmente o Norte do estado de Minas Gerais e a Região Nordeste, onde o risco de chuva localmente intensa é alto com elevados volumes.
O mapa abaixo mostra a projeção de chuva para sete dias no Brasil do modelo britânico UKMET do Met Office em que se observa como os acumulados devem ser particularmente muito altos sobre parte do Norte e no Nordeste do Brasil.

METSUL
A MetSul Meteorologia alerta em especial para um cenário de perigo por excesso de chuva na Bahia, com volumes muito altos a localmente excessivos e risco de transtornos significativos.
Haverá uma sequência prolongada de instabilidade e episódios de chuva forte a muito intensa. Modelos indicam acumulados de 100 mm a 200 mm em muitas cidades baianas nos próximos sete dias, podendo atingir 200 mm a 400 mm em alguns pontos, com registros isolados ainda maiores. Há risco de alagamentos, inundações, bloqueios de rodovias e deslizamentos, especialmente na Grande Salvador e em áreas do interior.
Vento intenso do ciclone vai ficar sobre o mar
A baixa pressão que vai dar origem ao ciclone pode provocar vento de 50 km/h a 70 km/h neste fim de semana nos litorais do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, mas uma vez formado o ciclone o seu campo de vento forte a intenso deve estar totalmente em mar aberto, a uma grande distância da costa, com dados indicando rajadas no oceano de até 100 km/h ou mais.
Ciclone pode ser atípico
Dados de vários modelos indicam que este ciclone pode ser atípico (subtropical ou tropical) em parte do seu ciclo inicial neste fim de semana e no começo da semana, antes de passar a extratropical ao atingir latitudes mais ao Sul.

FSU
A regra é que ciclones na costa brasileira sejam de natureza extratropical. Já as que apresentam características subtropicais ou tropicais são atípicas e ocorrem com muito menor frequência.
Um ciclone extratropical, que é o comum em nossa região, se forma em latitudes médias e altas, associado a frentes frias e quentes, e é alimentado por diferenças de temperatura entre massas de ar frio e quente (gradiente térmico horizontal). Possui um núcleo frio, com temperatura central menor que nos arredores, com frentes meteorológicas bem definidas.
Já um sistema subtropical se forma em latitudes subtropicais, geralmente entre 20° e 40°, e sua alimentação é mista, combinando gradiente térmico horizontal com processos associados ao calor liberado pela condensação de vapor d’água. Ele apresenta uma estrutura intermediária, com características de ciclones tropicais e extratropicais, e um núcleo parcialmente quente ou quente em níveis altos da atmosfera.
Finalmente, um ciclone tropical é uma área de baixa pressão com centro quente de baixos a altos níveis da atmosfera. Forma-se sobre águas oceânicas quentes e organiza fortes chuvas e ventos em torno de um centro de circulação. Ele se alimenta do calor do mar, pode se intensificar e provocar temporais, mar agitado e alagamentos ao tocar terra, enfraquecendo depois sobre o continente ou águas mais frias.
