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Não se surpreenda com as imagens de satélite nas próximas horas porque um ciclone vai se formar e apresentar características atípicas na costa do Sul do Brasil, conforme a análise da MetSul Meteorologia.

Mapa de nuvens mostra ciclone

Projeção de nuvens do modelo europeu para o começo da terça mostra uma espiral de nuvens típica de um ciclone sobre o Atlântico na costa | METSUL

Um centro de baixa pressão em superfície atua neste momento sobre o Oceano Atlântico ao redor das coordenadas 27ºS e 40ºW e gradualmente começa a se aprofundar na noite desta segunda-feira (30).

Os dados de modelos numéricos indicam que o sistema deve se aprofundar mais em horas da madrugada e da manhã desta terça (31) à medida que o sistema avança pelo Atlântico.

Este sistema chama atenção por dois aspectos atípicos. Primeiro, os dados dos modelos apontam que a sua trajetória deve ser de Leste para Oeste, ou seja, do mar para o continente, quando o normal é o oposto.

Os mesmos dados projetam que à medida que o sistema se aproximar da costa do Sul do Brasil entre esta terça (31) e a quarta-feira (1º/4) deve perder organização e começar a se dissipar.

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Por isso, este sistema deve provocar vento forte a intenso em março aberto com rajadas de 70 km/h a 90 km/h durante esta terça-feira, mas, uma vez que deve enfraquecer muito, desorganizar-se e se dissipar ao se aproximar do continente, as projeções dos modelos não apontam vento forte em terra.

Os mapas a seguir do modelo do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF) mostram como este ciclone deve avançar de Leste para Oeste e ainda ter curta duração, já que tende a se desorganizar muito e se dissipar ao se aproximar de terra.

METSUL

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Outro aspecto muito interessante e atípico deste sistema é que ele deve ter seu centro quente com a baixa pressão em superfície completamente dissociada de uma frente fria, ou seja, os indicativos são de que no seu estágio inicial apresente características subtropicais ou tropicais.

É o que indica o diagrama de fase para este ciclone do modelo europeu com o centro do ciclone com núcleo quente em superfície (subtropical) antes de transicionar para um centro frio (extratropical) no momento em que começar a se dissipar.

Diagrama de fase do modelo europeu para o ciclone

FSU

Embora esta baixa pressão em superfície deva se desorganizar e se desfazer como um ciclone antes de alcançar terra, em altitude uma área de baixa pressão chamada de VCAN deve influenciar o tempo no Sul do Brasil.

Um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) avança do Atlântico para o Sul do Brasil e vai influenciar o tempo no Centro-Sul nos próximos dias. O sistema é uma área de baixa pressão com ar mais frio em altitude que se desloca do mar para o continente.

O VCAN começa a ingressar no Sul entre terça (31) e quarta (1), atuando principalmente sobre Santa Catarina até sexta-feira (3). Depois, retorna ao oceano e perde força gradualmente.

Projeção de deslocamendo do modelo europeu para o VCAN

Projeção de deslocamendo do modelo europeu para o VCAN | METSUL

Apesar do nome, não é um ciclone extratropical, pois atua apenas em altos níveis da atmosfera. Diferente dos ciclones, não se origina na superfície e pode até coexistir com tempo firme.

Mesmo assim, o sistema vai provocar instabilidade em vários estados com chuva irregular, por vezes localmente forte, e temporais isolados. A chuva deve atingir pontos do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Há risco de granizo isolado, especialmente em Santa Catarina, Paraná e São Paulo, devido ao contraste entre ar frio em altitude e ar quente e úmido na superfície, que intensifica as tempestades. Outro risco são trombas d’água na costa, além da formação de nuvens funil.