Após vários dias de alertas, a previsão se confirmou neste sábado e a província argentina de Mendoza enfrentou um episódio de chuva intensa que deixou ruas alagadas, casas inundadas, árvores caídas e granizo em diferentes regiões com uma ciclogênese (formação de um ciclone).
Vento forte derrubou árvores em Mendoza | REDES SOCIAIS
A instabilidade começou ainda de manhã, espalhando-se pelo Grande Mendoza e pelo interior. Ao longo do dia, a situação se agravou. A atividade elétrica foi intensa desde o começo da tarde, enquanto na alta montanha a paisagem mudou com a chegada da neve.
No Sul da província, como em Malargüe, o cenário foi ainda mais impressionante: primeiro um verdadeiro dilúvio, que acumulou 38 milímetros em poucas horas, e depois a virada para a neve que segue caindo.
A Defesa Civil confirmou que Tunuyán foi um dos departamentos mais atingidos, com casas alagadas e pedidos de ajuda de dezenas de famílias. Mas os danos se estenderam a praticamente toda Mendoza.
Segundo o último boletim da Defesa Civil, emitido às 16h30, foram registradas 270 ocorrências relacionadas às tempestades. Entre elas, quedas de árvores e galhos sobre vias públicas e casas, cortes de cabos de energia, destelhamentos, filtragens em telhados e alagamentos em residências.
Equipes de emergência e bombeiros se mobilizaram para retirar famílias desalojadas e prestar assistência social. Muitas casas ficaram com móveis e eletrodomésticos danificados. O trânsito em rodovias também foi impactado, com recomendações para não circular em trechos alagados e redobrar cuidados em regiões de serra.
Na zona Leste e no Valle de Uco, moradores enfrentaram chuva acompanhada de granizo durante a manhã. Em Lavalle e Rivadavia, cultivos foram danificados, acendendo o alerta entre produtores agrícolas que temem perdas significativas.
O caminho do ciclone
A análise da MetSul Meteorologia aponta que uma baixa fria ou segregada, conhecida tecnicamente como cut-off low, cruzou os Andes após avançar do Pacífico para o Chile. Esse vórtice ciclônico em médios e altos níveis da atmosfera favoreceu a formação de um centro de baixa pressão em superfície, processo conhecido como ciclogênese, justamente sobre o Oeste da Argentina, região de Cuyo.
O contraste entre o ar frio em altitude e a massa de ar úmido que vinha do Norte potencializou a instabilidade, resultando em temporais de forte intensidade em Mendoza e em províncias vizinhas.
Ciclogênese provoca chuva forte e temporais entre o Oeste e o Centro da Argentina neste fim de semana | NOAA
Segundo as projeções, o sistema continuará ativo nos próximos dias. No domingo e na segunda-feira, o ciclone se deslocará para o Sudeste, atingindo a província de Buenos Aires com chuvas e temporais antes de alcançar o Oceano Atlântico.
Diferentemente de outros episódios, no entanto, não deve ganhar força significativa ao chegar ao mar, devido à presença de um enorme centro de alta pressão, com mais de 1042 hPa, posicionado à sua frente. Esse bloqueio atmosférico vai limitar a intensificação da tempestade, mas ainda assim os efeitos regionais serão marcantes.
Reflexos do ciclone no Rio Grande do Sul
No Sul do Brasil, o impacto virá pelo vento. A ciclogênese na Argentina vai organizar uma corrente de jato em baixos níveis da atmosfera, canalizando ar quente e úmido em direção ao Rio Grande do Sul.
O domingo já será de vento forte em várias regiões gaúchas, sobretudo no Oeste e no litoral, com rajadas médias entre 40 km/h e 70 km/h, podendo alcançar 80 km/h em alguns pontos da costa. Na segunda-feira, o cenário se repete, com maior intensidade junto à Lagoa dos Patos, Serra e litoral.
Vento máximo projetado pelo modelo WRF-GFS | METSUL
Em Porto Alegre, o vento será mais sentido a partir do final da tarde de domingo e ao longo da segunda. Rajadas de 40 a 60 km/h devem ser frequentes, mas pontos da capital, como áreas às margens do Guaíba e os morros, podem registrar picos próximos ou acima de 70 km/h devido ao efeito do relevo e das edificações.
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