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Um poderoso ciclone bomba está prestes a provocar uma das mais intensas tempestades de inverno dos últimos anos no Nordeste dos Estados Unidos. O sistema, que se intensifica rapidamente sobre o Atlântico, deve gerar nevascas massivas, ventos destrutivos e inundações costeiras entre domingo e segunda-feira, com impactos para quase 100 milhões de pessoas ao longo do corredor da rodovia interestadual I-95.

Ciclone bomba nos Estados Unidos

NASA/ARQUIVO

O fenômeno é classificado como “bombogênese”, quando a pressão atmosférica do ciclone cai de forma explosiva em poucas horas. Esse aprofundamento rápido fortalece os ventos e intensifica as áreas de precipitação.

O resultado é uma tempestade extremamente organizada, com características comparáveis às de um furacão de inverno. O National Weather Service emitiu alertas de Blizzard para grandes centros como Nova York, Boston e áreas de Nova Jersey e Connecticut.

Para que haja caracterização oficial de nevasca (Blizzard), são necessários ventos acima de 56 km/h por pelo menos três horas e visibilidade inferior a 400 metros — critérios que devem ser amplamente superados durante o pico do sistema.

Os acumulados de neve podem ultrapassar 60 centímetros em partes do litoral de Nova Jersey, Long Island e leste de Massachusetts. Em cidades como Nova York, Filadélfia e Boston, os acumulados previstos variam entre 30 e 60 centímetros, com possibilidade de totais ainda maiores em faixas estreitas onde se formarem bandas intensas de neve.

Essas bandas, conhecidas como “mesoscale bands” ou bandas de mesoescala, podem produzir taxas de precipitação de 5 a 8 centímetros por hora. Em poucas horas, ruas e rodovias podem ficar completamente intransitáveis. A combinação de vento forte e neve intensa deve gerar condições de whiteout ou visibilidade quase zero, quando é impossível enxergar além de poucos metros.

As rajadas de vento podem atingir entre 80 km/h e 110 km/h na costa, com picos ainda mais elevados em áreas expostas como Cape Cod e ilhas de Massachusetts. Esses ventos não apenas agravam a sensação térmica como também levantam a neve já acumulada, formando grandes montes e bloqueando estradas.

Outro fator de preocupação é o risco elevado de falta de energia. A neve inicial tende a ser úmida e pesada, aderindo a árvores e redes elétricas. Quando os ventos mais fortes chegarem, galhos e postes poderão ceder sob o peso combinado da neve e da força do vento, aumentando a probabilidade de apagões prolongados.

Governadores de estados como Nova York e Nova Jersey já decretaram estado de emergência. Prefeituras mobilizaram milhares de trabalhadores, espalharam sal nas vias e posicionaram caminhões limpa-neve em pontos estratégicos. Autoridades pedem que a população evite deslocamentos desnecessários, especialmente durante a noite de domingo e a manhã de segunda-feira.

O impacto no transporte aéreo já começou antes mesmo da chegada do pior da tempestade. De acordo com a plataforma FlightAware, milhares de voos foram cancelados preventivamente. Grandes companhias como Delta Air Lines, American Airlines e United Airlines flexibilizaram remarcações para evitar que aeronaves e tripulações fiquem presas nas áreas mais afetadas.

Além da neve e do vento, há risco de inundações costeiras moderadas a localmente severas. A combinação de maré alta, ventos persistentes de nordeste e ondas fortes pode provocar ressaca significativa, erosão de praias e alagamentos em áreas baixas próximas ao litoral.

Meteorologistas locais destacam que pequenas variações na trajetória do ciclone podem alterar drasticamente os acumulados finais de neve em determinadas cidades. Ainda assim, a confiança é alta de que se trata de um evento de grande magnitude, com potencial para entrar na lista das tempestades mais marcantes da última década no Nordeste americano.

Se as projeções se confirmarem, o ciclone bomba não apenas paralisará o transporte e as atividades econômicas por vários dias, mas também deixará uma paisagem típica de inverno extremo, com montes de neve que podem ultrapassar um metro em áreas de acúmulo e exigir uma longa e difícil operação de limpeza nas grandes metrópoles da região.

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