Um ciclone está configurado nesta terça-feira (31) sobre o Oceano Atlântico na costa do Sul do Brasil nas coordenadas 28ºS e 43ºW com deslocamento para Oeste-Sudoeste em trajetória retrógrada e atípica.

METSUL
De acordo com a análise da MetSul Meteorologia, o sistema sobre o Atlântico trata-se de um ciclone de características subtropicais com convecção presente em seu centro de circulação, condição típica de ciclones de natureza subtropical ou tropical.
Sensores de descargas atmosféricas mostravam alta incidência de raios na manhã desta terça-feira no centro do ciclone, acompanhando a convecção com nuvens carregadas no centro de circulação.
Apesar de ser evidente que se trata de um sistema atípico na costa, a Marinha do Brasil, a que compete classificar e batizar com nomes os sistemas anômalos no litoral do nosso país, não emitiu qualquer aviso especial sobre o ciclone. Semanas atrás, um sistema muito menos organizado e menos intenso foi batizado pela Marinha na costa brasileira.
Este ciclone atualmente sobre o mar na costa do Sul do Brasil é duplamente atípico, ni entendimento da MetSul Meteorologia, seja pela sua estrutura como por sua trajetória em mar aberto.
O primeiro aspecto atípico é justamente a trajetória que está percorrendo de Leste para Oeste, ou seja, do mar em direção ao continente, o que não é o convencional para os ciclones formados na costa.
A regra é que ciclones originados na costa do Brasil se desloquem de Oeste para Leste, logo no sentido de terra para o mar, afastando-se gradual ou rapidamente do continente, o que não é o caso deste ciclone.
A segunda característica atípica é a estrutura deste ciclone com perfil nitidamente em parte quente com convecção em seu centro. A regra é os ciclones serem extratropicais, de centro frio, e sistemas subtropicais ou tropicais são descritos como atípicos e são nomeados se apresentarem vento sustentado acima de 60 km/h.
Mas este ciclone oferece algum risco? O sistema deve se aproximar mais da costa na tarde e noite de hoje (31) e amanhã (1º), entretanto os dados apontam que o ciclone deverá perder organização e começará a se dissipar antes de atingir o continente.
Com isso, a tendência é de vento forte a intenso no mar aberto, com rajadas de 70 km/h a 90 km/h, seguir sobre mar aberto nesta terça. Mesmo assim, a tempestade no oceano pode provocar vento de 40 km/h a 50 km/h na costa gaúcha. Amanhã, com a baixa se enfraquecendo muito, o sistema deixa de produzir vento forte.
Áreas de instabilidade associadas ao vórtice deste ciclone provocam chuva nesta terça no Rio de Janeiro e que isoladamente pode ser forte, não se descartando o risco até de temporais localizados no território fluminense.
O sistema na costa ainda pode induzir instabilidade com chuva localizada na forma de pancadas com nuvens Cumulus hoje na segunda metade do dia de hoje e amanhã em alguns pontos dos litorais gaúcho e catarinense assim como setores adjacentes.