Próximos três dias no Sul do Brasil terão chuva intensa, temporais, ciclone com vento acima de 100 km/h e uma massa de ar frio com temperatura muito baixa e chance de precipitação invernal | FABIANO GUTIERRES/ARQUIVO

Um grande e severo episódio de mau tempo atingirá o Sul do Brasil até a sexta-feira com o risco de temporais, chuva intensa e a atuação de um ciclone extratropical de grandes proporções que vai trazer vento forte a intenso numa enorme área e que vai afetar os três estados do Sul. Veja a seguir o que esperar dia a dia deste episódio de instabilidade forte a severa na região.

Hoje – A instabilidade se concentra no Sul do Paraná e em Santa Catarina com chuva, localmente forte, e potencial de temporais isolados. Da tarde para a noite, a atmosfera fica mais instável no Rio Grande do Sul e chove em vários pontos, sobretudo da Metade Norte.

Muitas nuvens cobrem o Rio Grande do Sul com predomínio do céu nublado a encoberto. Aberturas de sol ocorrem em poucos locais e mais no extremo Sul gaúcho. A instabilidade da atmosfera começa a aumentar antes do período mais crítico de chuva e vento esperado amanhã e quinta.


Chove na Metade Norte, pontos do Oeste e no Centro gaúcho, sobretudo da tarde para a noite. Ar mais quente atua no Norte gaúcho e o dia é ameno. Do Centro para o Sul, há ar mais frio com temperatura baixa e sensação de frio.

Amanhã – Começa o período crítico da instabilidade. Ar quente toma cobre o Paraná e Santa Catarina com vento do quadrante Norte forte no Oeste. Baixa pressão ingressa no Rio Grande do Sul e se aprofunda muito com marcas abaixo de 1000 hPa, começando uma ciclogênese (formação de ciclone) sobre o estado.

Chuva generalizada no Rio Grande do Sul e forte a torrencial por vezes com elevados volumes em curto período. Instabilidade aumenta na Metade Norte de manhã e na maioria das regiões da tarde para a noite. Chance de temporais isolados com vendavais. À noite, frente fria avança pelo Oeste catarinense e paranaense com chuva e tempestades que isoladamente podem ser fortes a severas com vendavais localizados. O vento se intensifica muito no Rio Grande do Sul com rajadas fortes a localmente intensas em direção ao fim do dia.


Quinta – O ciclone migra para o mar, onde se intensifica, e estará a Leste do Rio Grande do Sul durante o dia com pressão de 989 hPa. O deslocamento do sistema para Leste-Sudeste será rápido, ou seja, vai se afastar rapidamente do continente, mas pela sua grande intensidade e o seu vórtice de nebulosidade ainda sobre o continente provocará intensa ventania e chuva.

Chove em todas as regiões gaúchas com pancadas fortes a torrenciais, mais na primeira metade do dia, quando os volumes devem ser muito altos em algumas cidades. Acumulados de 50 mm a 100 mm em alguns pontos do Leste e do Nordeste gaúcho.

O vento ganha muita força com rajadas, em média, de 50 km/h a 80 km/h na maioria dos municípios do Rio Grande do Sul. O vento por vezes forte a intenso atingirá quase todo o estado gaúcho pelo campo de vento muito extenso do ciclone. Mesmo locais que não costumam ter intensa ventania em ciclone, como do Centro para o Oeste, podem ter rajadas em alguns locais tão fortes quanto 80 km/h ou 90 km/h.

O pior do vento ocorrerá no Leste gaúcho com rajadas que devem ficar perto e acima de 100 km/h em muitos pontos, especialmente da costa, na área de entorno da Lagoa dos Patos, inclusive em Porto Alegre, e nos pontos mais próximos da costa dos Campos de Cima da Serra. Alguns locais nestas áreas do estado podem ter vento tão forte quanto 100 km/h a 120 km/h na primeira metade do dia. As rajadas fortes a muito intensas sopram por muitas horas seguidas entre a madrugada e de manhã, diminuindo gradualmente o vento da tarde para a noite com rajadas ainda esporádicas.


O vento sopra forte a intensamente ainda durante o dia no Leste do Paraná e, especialmente, no Leste de Santa Catarina com rajadas de 70 km/h a 90 km/h em quase toda a costa, mas que devem atingir de 100 km/h a 120 km/h, e isoladamente até mais, em pontos do litoral, especialmente o Sul. Vento muito intenso acima de 100 km/h em trechos da Serra Catarinense do Planalto Sul até as áreas de relevo Grande Florianópolis, com rajadas localizadas de 120 km/h a 140 km/h.

Esfria muito e o vento traz baixa sensação térmica à medida que uma massa de ar frio começa a ingressar, impulsionada pelo ciclone. Chance de precipitação invernal à noite (neve e/ou chuva congelada) nas áreas mais elevadas de Santa Catarina.

Sexta – O tempo melhora na maior parte do Sul do Brasil com sol e nuvens, mas ainda tem instabilidade com sol e chuva no Leste gaúcho em parte do dia. Não se afasta precipitação invernal no começo do dia nas áreas de maior altitude do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, especialmente entre os Aparados da Serra e o Planalto Sul Catarinense pela circulação ciclônica interagindo com o ar polar. Vento ainda pode ter rajadas esporádicas fortes no começo do dia na costa e nas áreas serrana, mas diminui bastante ao longo do dia que será clássico de inverno com frio.