Chuva localmente intensa de natureza orográfica atingiu neste domingo os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro com acumulados em alguns pontos de 100 mm a 200 mm, mostram dados de estações meteorológicas.

FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL/EBC
Os acumulados em 24 horas até o começo da noite deste domingo no litoral de São Paulo chegaram a 178 mm em Ubatuba, 114 mm em São Vicente e 100 mm em Caraguatatuba, conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres (Cemaden).
Na cidade do Rio de Janeiro, a chuva intensa se concentrou ao longo deste domingo em áreas junto a elevações, notadamente na área do Maciço da Tijuca.
Estações do Alerta Rio indicaram volumes em 24 horas até o começo da noite deste domingo de 211 mm no Alto da Boa Vista, 89 mm na Tijuca e 63 mm na Rocinha enquanto na maior parte da capital fluminense a chuva ficou abaixo de 20 mm ou 30 mm.
Como consequência da chuva volumosa no Maciço da Tijuca, o Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio colocou o município do Rio de Janeiro em estágio 2 de alerta às 08h07 deste domingo.
O que ocorreu em parte do litoral de São e em pontos da cidade do Rio de Janeiro foi chuva volumosa associada à orografia por conta do fluxo de umidade do mar com uma massa de ar frio na costa.
A chuva orográfica é a precipitação induzida pelo relevo. Umidade que vem do oceano, trazida por vento, ao encontrar a barreira do relevo da Serra do Mar, ascende na atmosfera e encontra temperatura mais baixa à medida que ascende na atmosfera com camadas mais frias. Isso leva à condensação e à ocorrência de chuva induzida pelo relevo.
Em um exemplo bem didático e simples de entender. O que acontece se você chega na frente de um espelho e soltar ar da sua boca? O espelho que tem uma superfície mais fria vai ficar embaçado (úmido) e molhado.
Com a chuva orográfica ocorre o mesmo. O ar mais úmido e quente (analogia com ar que sai da boca) encontra um obstáculo físico que é o relevo (como o espelho) e ao chegar nesta barreira que são os morros sobe na atmosfera e encontra temperatura mais baixa, condensando-se o vapor de água e formando chuva.
Episódios de chuva orográfica são de alto risco porque costumam trazer acumulados de precipitação localmente muito altos e que não raro até acabam superando as projeções dos modelos numéricos. Os litorais de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro são os de maior risco de eventos de chuva extrema de natureza orográfica no Brasil.
Uma vez que vento vindo do mar carregado de umidade a partir da massa de ar frio sobre o oceano seguirá encontrando o relevo da Serra do Mar, o risco de chuva localmente forte a intensa de natureza orográfica persiste no litoral de São Paulo e no estado do Rio de Janeiro nesta segunda.
