A MetSul Meteorologia alerta que os volumes de chuva serão excessivos no Rio Grande do Sul nesta segunda semana de julho com acumulados que vão passar e muito da média histórica de precipitação do mês inteiro em algumas localidades, o que levará a transtornos e ao risco de cheias de rios e enchentes.

Imagens de alagamentos, inundações e cheias de rios vistas no evento extremo do ciclone de junho tendem a ser repetir nos próximos dias | PREFEITURA DE TAQUARA/ARQUIVO

Serão dois episódios de forte instabilidade com altos volumes de chuva. O primeiro, ocorre vai se dar entre esta sexta (7) e o sábado (8) enquanto o segundo ocorrerá na próxima semana, entre a segunda (10) e a quarta-feira (12) com a chuva mais intensa ocorrendo entre terça (11) e quarta (12).

Múltiplos fenômenos vão determinar o período extremamente chuvoso no Rio Grande do Sul. Entre esta sexta e o sábado, haverá a atuação de uma frente fria associada a um centro de baixa pressão, mas não enxergamos um ciclone maduro e bem configurado ao estado.


Na semana que vem, um quadro mais complexo. Primeiro, haverá uma frente quente, que é um fenômeno pouco ouvido e quase ausente na mídia que costuma trazer muita chuva e temporais no Rio Grande do Sul no inverno, e que depois vai se transmutar em uma frente fria à medida que se aproximar uma forte massa de ar polar.

Apenas um destes eventos de chuva já seria motivo para preocupação, afinal ambos vão trazer acumulados elevados de precipitação, mas é a soma dos dois em um curto período que aumenta o nível de alerta. Em apenas uma semana, dois episódios de chuva excessiva serão registrados.

Muitas cidades gaúchas terão chuva superior à média histórica mensal de julho inteiro somente nos próximos sete dias e vale recordar que a média de precipitação de julho é superior à maioria dos meses do ano, portanto significa muita chuva com alagamentos inevitáveis.


No caso de Porto Alegre, por exemplo, a precipitação média de julho na cidade é de 163,5 mm, a mais alta entre todos os meses do ano, sendo seguida por outubro (153,2 mm), setembro (147,8 mm) e junho (130,4 mm), conforme as normais da série 1991-2020.

Porto Alegre é uma das cidades que pode ter chuva acima da média do mês nos próximos sete dias, logo ainda na primeira semana de julho já é possível se antecipar que o mês terminará com precipitação acima da climatologia histórica da capital gaúcha.

Mapas de chuva

Não há dúvidas sobre a ocorrência de chuva excessiva no Rio Grande do Sul durante a segunda semana de julho. Todos os modelos de previsão do tempo indicam acumulados muito elevados de precipitação para o Rio Grande do Sul.


O que varia de um para outro é quais áreas do estado devem receber os volumes mais altos, mas parece haver um consenso que uma grande faixa de Oeste a Leste do estado, em torno do Centro do estado, teria os mais altos índices de precipitação no período.

O mapa abaixo mostra a projeção de chuva para sete dias do modelo meteorológico alemão Icon com dados da rodada da 0Z desta quinta-feira. Observa-se como este modelo concentra os mais altos volumes no período entre o Centro do estado, os vales, Porto Alegre, área metropolitana, os vales e parte do Litoral Norte, com acumulados de 150 mm a 200 mm em várias cidades e acima de 200 mm em algumas.

Já os mapas abaixo mostram as projeções de chuva de três modelos para dez dias, todos com dados da saída da 0Z desta quinta-feira. São os modelos norte-americano GFS, o canadense e o determinístico ECMWF do Centro Meteorológico Europeu.

Como se observa nos três mapas, a tendência é de chuva volumosa a excessiva no Rio Grande do Sul no período por conta dos dois episódios de instabilidade. Os modelos discrepam sobre a distribuição espacial da chuva volumosa, ou seja, onde mais vai chover, mas, no geral, apontam que a faixa central do estado seria a mais afetada.

Impactos da chuva

Diante desse cenário de chuva muito volumosa a extrema, a MetSul enfatiza o risco de eventos de cheias de rios, alagamentos e inundações. Haverá períodos de chuva torrencial com altos volumes em curtos períodos nos dois episódios de instabilidade, o que pode gerar alagamentos em áreas urbanas e inundações repentinas em zonas urbanas e rurais.

Haverá ainda queda de barreiras em rodovias e prováveis deslizamentos de terra. Parte das áreas para os quais os modelos indicam chuva excessiva possuem elevações (morros), assim devem ser esperados problemas de escorregamentos de encostas com desmoronamentos de rochas ou solo.

Os rios preocupam. Somente o primeiro evento já será capaz de elevar os níveis de vários rios do Centro para o Leste e o Nordeste do estado, mas logo na sequência virá um outro evento de chuva volumosa que encontrará os níveis destes rios já altos, gerando uma elevação ainda maior.

Portanto, é altamente provável para não dizer uma quase certeza que haverá cheias de rios e novas enchentes no Rio Grande do Sul entre a segunda e a terceira semanas de julho, uma vez que a vazão em alguns rios demora vários dias para percorrer as bacias.

Diferentemente do evento extremo de junho, em que as precipitações extremas se deram no Nordeste gaúcho, a chuva volumosa agora será mais abrangente. Atingirá, por exemplo, rios que cortam ou têm suas nascentes do Centro para o Norte do estado, como o Jacuí, que em junho não foram afetados pelas precipitações excessivas. Assim, é um cenário de risco de cheias em especial para a Grande Porto Alegre, os vales e o Guaíba em Porto Alegre.

Como consultar os mapas

Todos os mapas neste boletim podem ser consultados pelo nosso assinante (assine aqui) na nossa seção de mapas. A plataforma oferece mapas de chuva, geada, temperatura, risco de granizo, vento, umidade, pressão atmosférica, neve, umidade no solo e risco de incêndio e raios, dentre outras variáveis, com atualizações duas a quatro vezes ao dia, de acordo com cada simulação. Na seção de mapas, é possível consultar ainda o nosso modelo WRF de altíssima resolução da MetSul.