Chuva em volumes muito altos até sexta-feira em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul deve causar alagamentos, inundações, deslizamentos de terra, queda de barreiras, cheias de rios e enchentes nos dois estados | CAMILA DOMINGUES/PALÁCIO PIRATINI/ARQUIVO

A MetSul Meteorologia adverte para o elevado risco de cheias de rios e enchentes no Rio Grande do Sul e Santa Catarina nos próximos dias. Os volumes de chuva serão suficientes para que os níveis de vários rios subam fortemente e alguns saiam dos seus leitos, produzindo inundações e enchentes.

Chove em quase todos os dias desta semana no Sul do Brasil, embora em algumas áreas em menor número de dias, como é o caso do Sul gaúcho que terá instabilidade entre quarta e a sexta-feira. Já na Metade Norte gaúcha e em Santa Catarina a instabilidade será mais persistente com previsão de registro de chuva todos os dias até a sexta-feira, antes da melhora do tempo no próximo fim de semana.

Esta sequência longa de dias de chuva entre a Metade Norte gaúcha e o estado catarinense vai ser consequência inicialmente de uma frente quente que passará a ser semi-estacionária e depois da formação de um ciclone extratropical potencialmente intenso entre os dois estados no meio da semana. O ciclone vai reforçar ainda mais a instabilidade e trazer volumes de chuva mais altos e localmente excessivos.


De acordo com as projeções dos modelos numéricos analisados pela MetSul, área bastante extensa entre a Metade Norte do Rio Grande do Sul e Santa Catarina deve ter volumes de chuva perto ou acima da média histórica de precipitação de julho inteiro apenas nesta semana. Em alguns pontos, não se pode descartar que a chuva atinja até o dobro da precipitação média mensal em poucos dias.

O período mais crítico de chuva deve se dar entre amanhã e a quinta-feira no Sul do país. Nesta terça, a chuva deve ser mais volumosa sobre Santa Catarina. Na quarta, as precipitações mais intensas se darão sobre o Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina à medida que um ciclone começa a se formar sobre o continente entre os dois estados.

Na quinta, por sua vez, a chuva será mais volumosa novamente no estado gaúcho com o ciclone junto ao litoral e na sexta-feira entra em diminuição à medida que o ciclone se afasta da costa do Sul do Brasil. É o que mostram os mapas a seguir com as projeções de chuva em 24 horas do modelo europeu entre a terça e a sexta.


Embora já chova antes, o período mais crítico de chuva em Porto Alegre e região metropolitana será entre quarta e a quinta-feira. Neste dois dias somados, a precipitação na Grande Porto Alegre pode ficar perto ou passar de 100 mm Com uma ciclone em formação sobre o Rio Grande do Sul, são prováveis pancadas por vezes torrenciais e capazes de gerar elevados volumes em curto intervalo, aumentando o risco de alagamentos, especialmente na quarta e na primeira metade da quinta.

Projeções de volumes de chuva

A chuva nesta semana já começou ontem em Santa Catarina e no Paraná, em cidades mais a Oeste, inclusive com granizo médio a grande isolado no Oeste catarinense. Nesta segunda, a chuva persiste entre os dois estados e alcança pontos da Metade Norte gaúcha.

Os maiores volumes de chuva, entretanto, estão previstos para as 72 horas entre esta terça e a quinta-feira no Sul do Brasil, quando o cenário de precipitação volumosa tende a se agravar por uma ciclogênese (formação de um ciclone) com acumulados muito altos em curto período em diversas cidades.


Os modelos numéricos analisados pela MetSul apontam todos, sem exceção, chuva volumosa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As divergências se dão quanto aos locais que podem ter os mais altos volumes, mas o risco de precipitação, na avaliação da MetSul, é particularmente alto para o Oeste e o Meio-Oeste catarinense, o Sul de Santa Catarina e a Metade Norte do Rio Grande do Sul.

De acordo com os modelos, uma extensa área entre os dois estados deve ter chuva entre 100 mm e 200 mm em muitas cidades com possibilidade de marcas superiores a 200 mm ou 250 mm em alguns pontos. Observe a projeção de chuva em 72 horas do nosso modelo WRF de alta resolução apenas até 21h de quarta, com dados inicializado às 21h de domingo, logo sem captar ainda a chuva das últimas horas da quarta, da quinta e da sexta. Note como apenas nestas 72 horas o modelo já projeta volumes acima de 100 mm em muitos municípios e acima de 200 mm em alguns.

Os mapas a seguir ilustram o cenário de chuva previsto para o período de maior instabilidade com dados dos chamados modelos globais. São as projeções de chuva acumulada para toda esta semana, inicializadas às 21h de domingo, dos modelos alemão Icon, o modelo europeu (ECMWF) e o modelo canadense.

Grande parte destes volumes deve ocorrer entre quarta e quinta-feira que será o período mais crítico de instabilidade, em particular no Rio Grande do Sul. O ciclone extratropical deve criar condições para pancadas torrenciais que são capazes de gerar inundações repentinas, que são muito perigosas.

Impactos da chuva excessiva e riscos

Os volumes muito elevados de precipitação previstos para a semana serão capazes de gerar alagamentos, inundações repentinas, deslizamentos de terra e quedas de barreiras em rodovias, dentre outras consequências. Entre elas, cheias de rios e consequentes enchentes em algumas cidades.

A MetSul observa que há um agravante na situação hidrológica. A chuva volumosa se dará sobre áreas que recém tiveram chuva em altos volumes entre sexta (8) e sábado (9), quando chegou a chover 80 mm na Grande Porto Alegre e pontos do Noroeste gaúcho, e até 100 mm a 130 mm no Litoral Norte, nos vales e parte do Alto Jacuí. No extremo Sul catarinense, choveu entre 100 mm e 150 mm com máximo de 153 mm em Praia Grande.

Ou seja, algumas cidades podem ter na soma dos dois eventos de chuva, o do final da semana passada e o que está se iniciando, acumulados de 200 mm a 400 mm em apenas uma semana. Com os rios já elevados pelo que choveu e o que tem por chover, cheias de rios serão inevitáveis e haverá enchentes.

Os volumes de chuva mais excessivos no Rio Grande do Sul vão se concentrar exatamente nas regiões que tiveram os maiores volumes no final da última semana e, pior, onde está o maior número de rios do território do território gaúcho, no caso a Metade Norte.

Assim, desde já se deve estar atento ao risco de cheias de rios como o Jacuí, Sinos, Caí e o Taquari, dentre outros. O Uruguai que tem suas nascentes no Norte do estado, no Rio Pelotas, também deve ter cheia que se refletirá na Fronteira Oeste apenas na próxima semana, uma vez que levará dias para a vazão percorrer a bacia até o Oeste gaúcho. O mesmo pode ocorrer com o Guaíba, em Porto Alegre, onde a cheia costuma ocorrer dias após o evento de chuva com a chegada da vazão dos rios contribuintes.