Chuva extrema, de até 400 mm, causou inundações repentinas na Espanha ontem e deixou ao menos uma pessoa desaparecida. A região mais afetada do país pelas intensas precipitações foi a Andaluzia.

THOMAS COEX/AFP/METSUL
A agência estatal de Meteorologia Aemet decretou alerta vermelho, o mais elevado da escala, nas serras de Grazalema e Ronda e na região do Estreito de Gibraltar, devido ao “perigo extraordinário” provocado pelas chuvas intensas.
Em Grazalema, povoado montanhoso da província de Cádiz, foram registrados mais de 400 mm de precipitação. Segundo o porta-voz da Aemet, Rubén del Campo, esse volume corresponde ao que costuma chover em Madri ao longo de um ano inteiro. Nos últimos dez dias, a localidade acumulou mais chuva do que cidades conhecidas pelo clima úmido, como Corunha, na Galícia.
Del Campo alertou que o impacto é agravado pelo fato de já ter chovido intensamente nas semanas anteriores. Os solos estão saturados e os leitos dos rios, com níveis elevados, o que aumenta significativamente o risco de transbordamentos e movimentos de terra.
Diante da situação, as autoridades andaluzas suspenderam as aulas em quase toda a região, com exceção da província de Almería. Cerca de 3.500 pessoas foram desalojadas preventivamente, enquanto o serviço ferroviário foi praticamente interrompido e os portos marítimos, fechados.
Quase 50 rodovias foram interditadas por inundações ou pela queda de árvores causada por ventos fortes. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, pediu “precaução máxima” e recomendou evitar deslocamentos desnecessários.
Apesar do elevado número de ocorrências, mais de 650 atendimentos ao longo do dia, os serviços de emergência informaram que não houve registros de casos graves na Andaluzia.
Cerca de 400 soldados da Unidade Militar de Emergências foram mobilizados para apoiar as operações, em um país que ainda guarda a memória traumática das grandes inundações de outubro de 2024, que deixaram mais de 230 mortos.
