Por que, afinal, choveu tanto em São Paulo? Temporais e episódios de chuva excessiva são comuns e frequentes na cidade de São Paulo nos meses de verão. É a época mais chuvosa do ano, ao passo que os meses de inverno são os mais secos na climatologia histórica.

A chuva desta segunda-feira, contudo, excede os padrões normais da cidade e é fora do comum. A chuva acumulada no Mirante Santana em 24h até 9h de hoje foi de 114 mm, mas a chuva intensa começou na madrugada e seguiu chovendo após a leitura das 9h (12Z).

É o segundo maior acumulado em 24h em fevereiro em 77 anos de dados, o mais alto para fevereiro em 37 anos e oitavo maior volume em 24h de toda a série histórica (qualquer mês). Em 2/2/1983, o acumulado em 24h na estação chegou a 121,8 mm, o recorde para o mês de fevereiro.

O maior acumulado de chuva em 24h (até 9h da manhã) em São Paulo, na estação do Mirante de Santana do Instituto Nacional de Meteorologia, que tem dados desde 1943, foi de foi de 151,8 mm no dia 21 de dezembro de 1988. Outros registros históricos foram 140,4 mm em 25 de maio de 2005, 127,4 mm em 12 de janeiro de 1949, 123,6 mm em 4 de julho de 2019, 114,3 mm em 15 de dezembro de 2012, 109,5 mm em 28 de fevereiro de 2011, 106,4 mm em 16 de janeiro de 1991, 106,2 mm em 11 de março de 1994, 103,5 mm em 19 de janeiro de 1977, 103,3 mm em 8 de fevereiro de 2007 e 102,7 mm em 17 de fevereiro de 1988.

A chegada de uma frente fria trouxe a chuva intensa para São Paulo nesta segunda-feira. O sistema frontal ao encontrar o ar mais quente e úmido na região tropical acabou por gerar as intensas precipitações. Um centro de baixa pressão no Paraguai e a frente ajudaram a formar um canal de umidade para o estado paulista.

Isso, contudo, não explica toda a chuvarada. Outras frentes frias alcançam São Paulo durante o verão e não trouxeram tamanha chuva. A explicação está no que vem atrás da frente. Sempre que uma massa de ar frio de trajetória oceânica e de maior potência avança pelo Leste do Sul do Brasil e o oceano nos meses do verão e no começo do outono, há um risco acentuado de eventos de chuva excessiva em áreas mais perto da costa em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os ventos mais úmidos e de temperatura menor se deslocam do mar para o continente e ao encontrarem o relevo da Serra do Mar e ar mais aquecido sobre terra acabam por gerar intensa precipitação. 

A massa de ar frio na retaguarda da frente fria, associada a um centro de alta pressão no Rio da Prata e responsável pela chuva em São Paulo, trouxe muito frio pra fevereiro nesta segunda-feira para a província de Buenos Aires: 4,0°C em Benito Juárez; 5,6°C em Azul; 5,8°C em Tres Arroyos; 6,0°C em Bolivar; e 6,0°C em Tandil. Na Grande Buenos Aires, fez 10°C em Ezeiza. Já no Rio Grande do Sul, duas estações do Inmet reportaram mínimas na casa de 10°C: Bagé com 10,8°C e São José dos Ausentes com 10,9°C.