A mudança do calendário e o começo mais cedo neste ano do Campeonato Brasileiro trazem o risco de mais jogos sob chuva forte e temporais em 2026, uma vez que o início da competição vai coincidir com o período mais chuvoso do ano no Brasil.

FERNANDO SOUTELLO/AGIF/AFP/METSUL
Tradicionalmente, o Campeonato Brasileiro tinha início em abril após o término da maior parte dos torneios estaduais, mas neste ano a competição nacional se inicia hoje, no fim de janeiro, concomitante aos torneios locais.
Doze dos 20 participantes do Campeonato Brasileiro neste ano são da Região Sudeste: Flamengo, Palmeiras, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Corinthians, São Paulo, Fluminense, Botafogo, Vasco da Gama, Santos, Mirassol e Red Bull Bragantino.
O período de dezembro a março é, pela climatologia histórica, o de mais chuva em estados do Sudeste do Brasil como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais com registro frequente de precipitação e numerosos temporais da tarde paraa a noite, muitas vezez com alta incidência de raios e precipitação intensa.
Diferentemente de outras ligas e esportes ao redor do mundo, o Campeonato Brasileiro não conta hoje com um protocolo específico e padronizado para a suspensão ou paralisação de partidas em razão da incidência de raios, o que faz com que as decisões fiquem, em geral, a critério da arbitragem em conjunto com delegados da partida e organizadores do evento.
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Na prática, não há no regulamento uma regra objetiva que determine distância mínima de descargas elétricas, tempo de espera ou procedimentos claros de evacuação do campo e das arquibancadas, criando um cenário de incerteza em situações de tempestade, mesmo diante dos riscos bem conhecidos que os raios representam para atletas, comissões técnicas e torcedores.
A temporada chuvosa no Sudeste do Brasil ocorre, em regra, entre outubro e março, período marcado pelo predomínio do calor e da umidade, mas os maiores volumes se dão entre dezembro e fevereiro.
É quando as chuvas se tornam mais frequentes e volumosas, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. O principal motor dessas chuvas é a combinação de altas temperaturas, que favorecem a evaporação, com a entrada constante de ar úmido da Amazônia.
Em muitos dias, o sol aparece forte pela manhã, elevando rapidamente a temperatura, e as pancadas de chuva se formam entre a tarde e a noite. Essas chuvas costumam ser intensas, de curta duração e acompanhadas de raios, rajadas de vento e, ocasionalmente, granizo.
Durante a estação chuvosa, também é comum a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Esse sistema organiza faixas persistentes de nebulosidade e chuva que podem durar vários dias seguidos. Quando isso acontece, há risco de acumulados elevados de chuva, aumentando a possibilidade de alagamentos, enchentes, deslizamentos de terra e transbordamento de rios, sobretudo em áreas urbanas e encostas.
Com o avanço do outono, entre março e abril, as chuvas começam a perder força no Sudeste. O ar mais seco passa a predominar, as frentes frias ficam menos frequentes e inicia-se a transição para o período mais seco, típico do inverno na região. Por isso, o Sudeste do Brasil entre maio e setembro costuma ter chuva mais escassa.
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Como comparação, a cidade de São Paulo tem a maior média mensal de chuva do ano em janeiro com 292,1 mm enquanto a menor é a de agosto com 32,3 mm. Em Belo Horizonte, o mês mais chuvoso da climatologia é dezembro com 339,1 mm, seguido de janeiro com 330,9 mm. O mais seco é julho com 5,4 mm.
Depois do Sudeste, a região com mais equipes disputando o Brasileiro neste ano é o Sul com Grêmio, Internacional, Coritiba, Athletico Paranaense e a Chapecoense.
Exceção de Curitiba que tem chuva mais frequente no verão pela proximidade geográfica com o Sudeste, Porto Alegre e Chapecó costuma ter precipitações mais abundantes nos meses de inverno e primavera, apesar de as duas cidades não terem uma estação chuvosa e outra seca, como ocorre no Sudeste do Brasil. Por isso, ambas podem também ter episódios de chuva forte e temporais durante o verão.
Com a perspectiva de instalação de um episódio de El Niño mais tarde neste ano, com começo entre o outono e o inverno, a frequência de chuva deve aumentar nos estados do Sul do Brasil e vários jogos dos times da região podem transcorrer com chuva, em especial no segundo semestre.