A MetSul Meteorologia alerta que uma bolha de calor se instala e ganhará força durante os próximos dias no Centro da América do Sul com marcas extremas de temperatura que podem atingir até valores de 43ºC a 44ºC.

Mapa do modelo GFS mostra bolha de calor sobre o Norte da Argentina e o Paraguai | METSUL
A bolha de calor estará sobre províncias do Norte e do Nordeste da Argentina e ainda sobre o Paraguai, áreas que devem ser as mais afetadas pelas temperaturas extremas na segunda metade desta semana.
O Paraguai já sofre com calor excessivo, com máximas que atingiram durante a segunda (16) marcas de até 40ºC. Na Argentina, o Serviço Meteorológico Nacional (SMN) emitiu alerta amarelo por temperaturas extremas.
O alerta do SMN por altas temperaturas compreende as províncias de Mendoza, Entre Ríos, Corrientes, Misiones, Santa Fe, Formosa, Chaco, Santiago del Estero e Salta, com desconforto térmico e aumento do risco associado ao calor intenso.
De acordo com o órgão meteorológico argentino, trata-se de uma situação que pode provocar efeitos leves a moderados na saúde e ser considerada perigosa, sobretudo para grupos mais vulneráveis.
Entre os grupos de risco por calor excessivo estão crianças, idosos com mais de 65 anos e pessoas com doenças crônicas, que exigem maior atenção, hidratação constante e cuidados redobrados durante os períodos mais quentes.
Como serão os impactos no Brasil
O calor mais extremo associado a este bolsão de ar quente vai se concentrar no Paraguai e no Norte e Nordeste da Argentina, onde são esperadas máximas de 40ºC a 44ºC nesta segunda metade da semana.
No entanto, os efeitos da bolha de calor devem ser sentidos em três regiões do Brasil, no caso o Sul, Sudeste e o Centro-Oeste com as maiores máximas em cidades localizadas mais a Oeste.
No Sul do Brasil, as maiores máximas nesta segunda metade da semana vão ocorrer no Oeste e Noroeste do Rio Grande do Sul, no Oeste de Santa Catarina, e no Oeste, Noroeste e o Norte do estado do Paraná com máximas em alguns municípios de 37ºC a 39ºC, mas que em algumas localidades podem ficar em torno dos 40ºC.
As capitais da Região Sul, situadas mais a Leste e próximas do oceano, não devem sentir os efeitos extremos da bolha de calor no centro do continente, embora se preveja calor para Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba.

Mapa do modelo alemão Icon com a previsão de máximas para a tarde de hoje | METSUL

Mapa do modelo alemão Icon com a previsão de máximas para a tarde de amanhã | METSUL

Mapa do modelo alemão Icon com a previsão de máximas para a tarde de quinta | METSUL

Mapa do modelo alemão Icon com a previsão de máximas para a tarde de sexta | METSUL

Mapa do modelo alemão Icon com a previsão de máximas para a tarde de sábado | METSUL
No Centro do Brasil, a tendência é que o Mato Grosso do Sul seja o estado mais afetado pela bolha de calor com máximas em alguns municípios que devem ficar perto, em torno e acima de 40ºC. Na segunda, o estado já anotou máximas de 38,2ºC em Água Clara; 37,7ºC em Porto Murtinho; e 37,5ºC em Corumbá.
No Sudeste do Brasil, a bolha de calor no Paraguai impactará mais o estado de São Paulo, notadamente o interior paulista. Cidades do Oeste, Centro e o Norte paulista devem ter máximas perto e acima de 35ºC. No Oeste do estado de São Paulo, perto do Mato Grosso do Sul, são esperadas as marcas mais extremas.
O que é uma bolha de calor
Uma bolha de calor, que se denomina também de domo ou cúpula de calor (em Inglês é chamada de heat dome) ocorre com áreas de alta pressão que atuam como cúpulas de calor, e têm ar descendente (subsidência). Isso comprime o ar no solo e através da compressão aquece a coluna de ar.
Em suma, uma cúpula de calor é criada quando uma área de alta pressão permanece sobre a mesma área por dias ou até semanas, prendendo ar muito quente por baixo assim como uma tampa em uma panela. Esta bolha de calor de agora vai estar com seu centro entre o Paraguai e o Centro-Oeste do Brasil.
É, assim, um processo físico na atmosfera. As massas de ar quente se expandem verticalmente na atmosfera, criando uma cúpula de alta pressão que desvia os sistemas meteorológicos – como frentes frias – ao seu redor. À medida que o sistema de alta pressão se instala em determinada região, o ar abaixo aquece a atmosfera e dissipa a cobertura de nuvens. O alto ângulo do sol de verão combinado com o céu claro ou de poucas nuvens aquece ainda mais o solo.
Evidências de estudos sugerem que a mudança climática está aumentando a frequência de cúpulas de calor intensas, bombeando-as para mais alto na atmosfera, algo não muito diferente de adicionar mais ar quente a um balão de ar já aquecido. Por isso, vários estudos apontam aumento da intensidade, duração e frequência de ondas de calor no Brasil e ao redor do mundo.

