Anúncios

Bad Bunny é a grande atração musical do Super Bowl deste domingo, um dos eventos esportivos mais assistidos do planeta, e leva ao palco não apenas seu repertório de sucessos globais, mas também a identidade e a história de Porto Rico.

JAYDEE LEE SERRANO/AFP/AFP

A escolha do cantor como protagonista do show reforça a presença da música latina no centro da cultura pop mundial e marca um momento simbólico para um artista que saiu de uma ilha caribenha marcada por crises profundas para conquistar o topo da indústria musical internacional.

Nascido Benito Antonio Martínez Ocasio, Bad Bunny construiu uma trajetória que foge dos padrões tradicionais do pop latino. Cantando majoritariamente em espanhol, ele se tornou um fenômeno global sem abrir mão de referências culturais caribenhas, do reggaeton ao trap latino, e de uma estética que desafia convenções.

Sua presença no Super Bowl, vitrine histórica dominada por artistas norte-americanos, é vista como um reconhecimento da força do mercado latino e da influência crescente da cultura hispânica nos Estados Unidos e no mundo.

A identidade porto-riquenha está no centro da obra e do discurso de Bad Bunny. O cantor nunca se distanciou da realidade da ilha e frequentemente usa sua visibilidade para falar dos problemas enfrentados por sua terra natal. Essa conexão ganha ainda mais força quando se lembra que Porto Rico foi devastado pelo furacão Maria, em setembro de 2017, em um dos desastres naturais mais graves da história recente do Caribe.

O furacão Maria atingiu Porto Rico como um ciclone tropical extremo, com ventos extremamente violentos e chuva intensa. A passagem do sistema provocou destruição generalizada, derrubando milhares de casas, devastando comunidades inteiras e comprometendo estradas, pontes, hospitais e escolas.

Em poucas horas, a infraestrutura da ilha entrou em colapso, deixando a população em situação de emergência generalizada. O impacto mais profundo e duradouro foi o colapso total do sistema elétrico.

Praticamente toda a ilha ficou sem energia após o furacão, mergulhando Porto Rico em um apagão histórico. Em algumas áreas, a eletricidade só foi restabelecida após meses, tornando-se um dos períodos mais longos sem luz já registrados em território sob administração dos Estados Unidos.

Milhares de famílias viveram por semanas e até meses sem iluminação, sem refrigeração de alimentos e medicamentos e sem meios adequados de comunicação. A falta de energia teve efeitos devastadores em cadeia.

HECTOR RETAMAL/AFP/METSUL

Hospitais passaram a depender exclusivamente de geradores, muitos deles instáveis ou insuficientes, comprometendo atendimentos médicos, cirurgias e tratamentos de pacientes em estado crítico. Sistemas de abastecimento de água também foram afetados, reduzindo o acesso à água potável e elevando o risco de doenças. A interrupção das comunicações dificultou pedidos de socorro e atrasou a chegada da ajuda humanitária a áreas isoladas.

Com o passar do tempo, tornou-se evidente que o impacto humano do furacão foi muito maior do que inicialmente divulgado. Estudos posteriores apontaram que milhares de mortes ocorreram direta ou indiretamente em consequência do Maria, seja por ferimentos, pela falta de atendimento médico adequado ou pelo agravamento de doenças crônicas em meio às condições extremas pós-desastre.

RICARDO ARDUENGO/AFP/METSUL

O furacão deixou uma ferida profunda na sociedade porto-riquenha, ainda aberta anos depois. Bad Bunny se posicionou de forma contundente diante dessa tragédia. O cantor criticou publicamente a resposta do governo federal dos Estados Unidos, considerada lenta e insuficiente, e denunciou o sentimento de abandono vivido pela população da ilha.

Essa postura consolidou Bad Bunny não apenas como um astro da música, mas também como um símbolo de resistência e afirmação cultural. Sua ascensão internacional ocorreu paralelamente ao processo de reconstrução da ilha, que segue incompleto. Mesmo anos depois do furacão Maria, Porto Rico ainda enfrenta problemas recorrentes no fornecimento de energia elétrica e permanece altamente vulnerável a novos eventos extremos.

Anúncios