A NASA divulgou hoje imagens impressionantes do planeta Terra feitas pelos astronautas da missão Artemis II, atualmente em viagem rumo à Lua. Os registros chamam atenção pela nitidez e pela perspectiva única, revelando o planeta azul visto a centenas de milhares de quilômetros de distância.

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As fotografias foram captadas a partir da cápsula Orion, que se afasta progressivamente da Terra em direção ao espaço profundo. Em uma das imagens mais marcantes, o planeta aparece inteiro, iluminado pelo Sol, com oceanos em tons intensos de azul e sistemas de nuvens girando sobre os continentes.
De acordo com a agência espacial, os astronautas utilizaram equipamentos de última geração para registrar as imagens em alta resolução. A tecnologia embarcada permite capturas detalhadas mesmo em condições de luminosidade variáveis, o que garante imagens nítidas tanto no lado iluminado quanto nas áreas de penumbra.
As imagens evocam comparações imediatas com registros históricos da Apollo 8, responsável por uma das fotos mais icônicas da história, a “Earthrise”. No entanto, a nova missão amplia esse legado ao trazer imagens ainda mais definidas e com maior frequência de registro.
Além do impacto visual, o material divulgado tem importância científica. Pesquisadores destacam que a observação da Terra a partir de grandes distâncias permite estudar o comportamento da atmosfera em escala global, incluindo padrões de nuvens, circulação de sistemas meteorológicos e reflexos da radiação solar.
Em algumas das imagens divulgadas hoje, é possível identificar grandes formações de nuvens sobre os oceanos, sugerindo a presença de sistemas de instabilidade em desenvolvimento. Esse tipo de registro pode auxiliar estudos sobre o clima e contribuir para a compreensão de fenômenos atmosféricos.
Os astronautas relataram que acompanhar a Terra diminuindo no horizonte da nave é uma experiência marcante. Em comunicação com o controle da missão, eles descreveram a sensação como uma mistura de admiração e reflexão, ao observar o planeta como um ponto brilhante no espaço.
A NASA informou que novas imagens devem ser divulgadas nos próximos dias, conforme a nave se aproxima da órbita lunar. A expectativa é de registros ainda mais impressionantes à medida que a distância em relação à Terra aumenta. A missão Artemis II representa um marco no programa Artemis, que busca levar novamente seres humanos à Lua após mais de meio século.
Ao mostrar a Terra vista de fora, as fotografias despertam interesse e reforçam a importância da ciência e da tecnologia. Historicamente, imagens do nosso planeta vistas do espaço têm grande impacto cultural e científico. Elas ajudam a reforçar a percepção de que a Terra é um sistema único e interconectado, além de destacar sua fragilidade diante da vastidão do universo.
Os quatro astronautas do programa Artemis II acionaram na quinta-feira os motores de sua nave e deixaram a órbita terrestre, onde permaneceram por quase um dia, para seguir rumo à Lua, um feito inédito para a NASA em mais de meio século.
“A humanidade voltou a mostrar do que somos capazes”, disse o astronauta canadense Jeremy Hansen, que embarcou na missão juntamente com três americanos, pouco após a manobra, realizada às 23h49 GMT (20h49 de Brasília).
Durante quase seis minutos, a nave Orion gerou o impulso necessário para deixar a órbita da Terra e seguir rumo à Lua. Hansen mencionou “uma vista impressionante”. “Nada te prepara para a emoção que te invade” no momento, confessou posteriormente sua colega Christina Koch.
Durante uma entrevista ao vivo concedida pela tripulação a emissoras de televisão e transmitida pelo sinal oficial da NASA, ele descreveu uma Terra “iluminada como se fosse dia e banhada pelo brilho da Lua”.

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Com o impulso potente, a Artemis II tornou-se a primeira missão tripulada rumo ao satélite natural desde o fim do programa Apollo, em 1972. A presença humana no espaço estava limitada, desde então, às imediações da Terra, principalmente na Estação Espacial Internacional (ISS).
A missão levará entre três e quatro dias para chegar ao satélite natural da Terra. A Artemis II busca abrir caminho para um retorno à superfície lunar em 2028, mais de meio século depois das missões Apollo.
A tripulação não vai pousar, e sim orbitar a Lua, passando por trás de seu lado oculto na próxima segunda-feira, antes de retornar para a Terra, no próximo dia 10. A trajetória foi definida para que a nave seja atraída pela gravidade da Lua e depois retorne diretamente à Terra, sem propulsão adicional.
O cálculo tem uma desvantagem: uma vez iniciado o impulso principal, não há volta. Para retornar à Terra, a Orion deverá primeiro chegar à órbita da Lua e voltar, em uma viagem de vários dias.
Os astronautas usam trajes que também funcionam como sistemas de sobrevivência: em caso de despressurização ou vazamento na cabine, eles manterão o oxigênio, a temperatura e a pressão adequados por até seis dias.
Para minimizar os riscos, os astronautas a bordo — os americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen — realizaram uma série de testes perto da Terra nas 24 horas seguintes ao lançamento bem-sucedido para garantir a confiabilidade da nave, que nunca havia transportado uma tripulação.
Entre os poucos imprevistos técnicos que ocuparam o centro de controle em Houston nas primeiras horas do voo, houve um problema com o banheiro, que foi resolvido. O programa Artemis custou dezenas de bilhões de dólares e sofreu um atraso de anos.
A missão Artemis II tem como objetivo verificar se tudo está em ordem para permitir o retorno dos americanos à superfície lunar, previsto para 2028. O objetivo da NASA é construir uma base perto do polo sul lunar, onde nenhum ser humano jamais esteve, e utilizar as missões lunares para preparar futuros voos a Marte.