A MetSul Meteorologia alerta para um episódio de chuva excessiva a extrema com alto risco de inundações entre o Uruguai e parte do Rio Grande do Sul na primeira metade da próxima semana com volumes que podem atingir em algumas localidades 200 mm a 300 mm, não se descartando marcas superiores.

Foto de chuva e raios em Montevidéu

Uruguai (foto) deve ter chuva excessiva, muito granizo e alta incidência de raios | MARIANA SUAREZ/AFP/METSUL

Antes mesmo deste episódio de chuva extrema mais ao Sul já ocorre instabilidade no Sul do Brasil hoje (14) e amanhã (15), mais concentrada entre a Metade Norte gaúcha, Santa Catarina e parte do Paraná com chuva localmente forte e temporais isolados.

O episódio principal de chuva, que afetará os territórios gaúcho e uruguaio, terá início a partir do domingo (16) com a organização e formação de uma frente quente entre o país vizinho e parte do Rio Grande do Sul.

Uma corrente de jato em baixos níveis, um corredor de vento forte a intenso de Norte e Noroeste que se origina na Bolívia e no Centro-Oeste do Brasil e que atua entre 1000 e 2000 metros de altitude, vai ingressar no Sul do Brasil no domingo (16) e deve seguir atuando sobre a região até parte da quarta-feira (19).

Esta corrente de jato em baixos níveis da atmosfera trará vento Norte por vezes forte e ar muito quente da massa de ar tropical que está sobre o Centro do Brasil com marcas previstas de 40ºC a 43ºC no Centro-Oeste na primeira metade da semana que vem.

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Ao encontrar a massa de ar frio, o avanço do ar quente deve formar uma frente quente no Oeste, Centro, Sul e o Leste do Rio Grande do Sul, além do Leste de Santa Catarina, no domingo. O sistema trará chuva, que pode ser localmente forte a intensa, muitos raios e risco de temporais de vento e granizo, mas, sobretudo, granizo. Frentes quentes são prolíficas em causar chuva forte, numerosas descargas e muito granizo.

Na segunda (17) e na terça (18), ar quente toma conta de grande parte do Sul do Brasil com altas temperaturas e calor em diversas localidades, estabelecendo um padrão de bloqueio que fará a frente ficar semi-estacionária entre o Uruguai, o Oeste e o Sul do Rio Grande do Sul, ora oscilando um pouco para Norte, ora para Sul.

Isso fará com que departamentos do Centro, Norte e o Leste do Uruguai assim como áreas do Oeste e do Sul gaúcho, especialmente perto do país vizinho, tenham vários dias com chuva e que em diversos momentos será forte a intensa com raios e granizo, o que trará os volumes muito altos de precipitação.

Sublinhamos que o comportamento desta frente nos próximos dias, oscilando de Sul para Norte e vice-versa, ora como quente e ora como fria ou semi-estacionária, torna o prognóstico dia a dia complexo assim como afeta quais áreas devem ter mais ou menos chuva. Assim, sob este tipo de cenário, influenciado por bloqueio atmosférico por ar quente, é comum que ocorram mudanças na previsão e se recomenda ficar atento aos prognósticos atualizados pela MetSul nos próximos dias.

Veja as projeções de chuva

Os mapas a seguir mostram as projeções de chuva para sete dias dos modelos do centro britânico Met Office (UKMET), do modelo alemão (Icon), do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF), e do modelo canadense (CMC) para o Uruguai e o Rio Grande do Sul.

Mapa de chuva

METSUL

Mapa de chuva

METSUL

Mapa de chuva

METSUL

Mapa de chuva

METSUL

Todos os modelos apresentam consenso sobre a ocorrência de chuva volumosa, porém divergem sobre o posicionamento das áreas de chuva mais intensa. Uns apontam os mais altos acumulados concentrados sobre o Uruguai e outros estendem a região com precipitação volumosa mais sobre o Oeste e o Sul gaúcho.

De acordo com a nossa previsão, o período entre domingo (16) e quarta (19) pode ter chuva de 100 mm a 200 mm em pontos do Oeste e do Sul gaúcho, especialmente em localidades mais perto da fronteira com o Uruguai. No extremo Sul gaúcho, os volumes podem ser ainda mais altos, em áreas do Chuí, Santa Vitória do Palmar, Arroio Grande e Jaguarão.

Os volumes no Uruguai podem ser excessivos a extremos com marcas de 100 mm a 300 mm, não se afastando até registros localizados superiores. Os departamentos de maior risco são Artigas, Rivera, Cerro Largo, Treinta y Tres, Rocha, Salto, Paysandú, Durazno, Tacuarembó, Rio Negro, Lavalleja e Florida. Há risco de chuva forte e com volumes altos mais ao Sul, como Montevidéu, mas com acumulados menos extremos que no Centro-Norte.

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A chuva pode provocar alagamentos e inundações, além de elevar rapidamente o nível de rios e de cursos d’água menores, como arroios e córregos. Em áreas mais vulneráveis, o excesso de precipitação também pode causar transbordamentos e dificultar ou até interromper o tráfego em rodovias, especialmente em trechos sujeitos a alagamentos.

Episódio típico de El Niño

O episódio de chuva excessiva previsto entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul é compatível com um padrão frequentemente observado durante eventos de El Niño. O aquecimento do Pacífico equatorial altera a circulação atmosférica e tende a favorecer condições mais úmidas sobre o Sul da América do Sul, aumentando o potencial para episódios de chuva intensa e persistente.

O bloqueio atmosférico potencializa o cenário ao dificultar o deslocamento normal dos sistemas meteorológicos. Frentes, áreas de baixa pressão e corredores de umidade podem ficar praticamente estacionados ou avançar muito lentamente, fazendo com que a chuva persista por muitas horas ou até dias sobre as mesmas áreas.

Outro fator é o transporte de umidade para o Sul da América do Sul. Durante o El Niño, a circulação atmosférica favorece fluxos persistentes de ar quente e úmido em direção ao Uruguai e ao Rio Grande do Sul. Quando essa umidade encontra instabilidade e sistemas de deslocamento lento ou quase estacionários, a chuva pode persistir por dias sobre a mesma região, elevando rapidamente os acumulados, como se prevê para este evento.

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