A MetSul Meteorologia tem recebido relatos de várias partes do Rio Grande do Sul, seja por mensagens em redes sociais como em nossos grupos de Whatsapp com produtores, sobre crescentes perdas de produtividade nas lavouras de soja por conta da escassez de chuva e o calor.

LUIS ROBAYO/AFP/METSUL
O território gaúcho vem enfrentando há um mês uma grande irregularidade na chuva com precipitação deficiente em diversos pontos do estado, o que explica os relatos vindos de áreas como a fronteira com o Uruguai, Campanha e o Noroeste sobre perdas na soja.
Some-se à isso a onda de calor da semana passada e um novo período de calor excessivo nesta semana com muitos dias no interior gaúcho com temperaturas máximas oscilando entre 35ºC e 40ºC, acelerando a perda de umidade do solo.
Uma mudança no padrão atmosférico prevista para os próximos dias deve trazer alívio importante para as lavouras de soja no Rio Grande do Sul, muitas das quais já enfrentam perdas provocadas pela estiagem e pelas sucessivas ondas de calor deste verão.
A atuação de um rio atmosférico vai canalizar umidade da Amazônia para o Sul do Brasil, favorecendo a ocorrência de pancadas de chuva frequentes no território gaúcho. Depois de semanas marcadas por temperaturas elevadas e precipitação irregular, o retorno de volumes mais expressivos de chuva tende a melhorar as condições de umidade do solo em diversas regiões produtoras.
A soja, especialmente nas áreas que ainda estão em fases críticas de enchimento de grãos, pode se beneficiar da reposição hídrica, reduzindo o estresse causado pelo calor excessivo e pela falta de água.
Já choveu ontem em diversos municípios produtores de grãos e a atmosfera deve permanecer instável entre hoje e a metade da próxima semana, com chuva ocorrendo de forma irregular e típica de verão.

Projeção de chuva para sete dias do modelo alemão Icon | METSUL

Projeção de chuva para sete dias do modelo britânico UKMET | METSUL

Projeção de chuva para sete dias do modelo europeu | METSUL
Embora as precipitações sejam muito variáveis e irregulares, a expectativa é de que diferentes áreas do estado sejam contempladas ao longo dos dias. Esse padrão aumenta as chances de recuperação parcial de lavouras que vinham sofrendo com déficit hídrico, principalmente em municípios mais afetados pela estiagem recente.
A presença de ar quente e úmido sobre o estado, combinada com a passagem de uma frente fria pela costa entre sexta-feira e sábado, tende a estimular a formação de nuvens carregadas.
Em muitas áreas agrícolas, isso pode representar volumes significativos em curto período, capazes de melhorar rapidamente a umidade superficial e favorecer o desenvolvimento das plantas.
Além da reposição de água no solo mesmo que parcial, a redução temporária das temperaturas máximas em dias com maior cobertura de nuvens também pode contribuir para aliviar o estresse térmico das lavouras.
O calor extremo acelera o ciclo da soja e pode comprometer o potencial produtivo, especialmente quando associado à falta de chuva. Com mais umidade disponível e temperaturas menos extremas em parte dos dias, o ambiente se torna mais favorável ao enchimento adequado das vagens.
É importante destacar que, por se tratar de chuva convectiva, haverá grande variabilidade nos volumes. Algumas propriedades podem registrar acumulados elevados, enquanto outras próximas terão precipitação menor. Em vários municípios, a chuva será “manchada”.
Ainda assim, a frequência maior de pancadas ao longo de vários dias amplia a probabilidade de que parcelas significativas das áreas cultivadas recebam volumes úteis para a cultura.
Embora temporais isolados com vento forte ou granizo não possam ser descartados, o cenário geral é visto como potencialmente positivo para o campo, sobretudo com perdas e uma crescente apreensão entre produtores. Em muitas regiões, a chuva que se aproxima pode não reverter totalmente os danos já consolidados, mas tende a reduzir prejuízos adicionais e melhorar as perspectivas para parte da safra.
