Há exatos 40 anos, o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, foi cenário de um acidente que se tornaria um dos episódios mais emblemáticos da aviação brasileira.

PEDRO GODOY
Na manhã de 28 de janeiro de 1986, o voo 210 da Vasp, operado por um Boeing 737-200, sofreu um grave acidente durante a tentativa de decolagem sob condições severas de nevoeiro e visibilidade extremamente reduzida, resultando na perda total da aeronave, dezenas de feridos e uma vítima fatal.
Naquele amanhecer, Guarulhos estava coberto por um denso nevoeiro, fenômeno favorecido pela elevada umidade e pelas condições atmosféricas típicas da Região Metropolitana de São Paulo.
A névoa reduziu drasticamente a visibilidade horizontal, dificultando a identificação das pistas, da sinalização e das referências visuais no solo. Em um período em que os recursos tecnológicos de auxílio à navegação ainda eram limitados, a dependência da visão direta dos pilotos era muito maior do que nos padrões atuais.
Por volta das 7h32, o Boeing 737, com 67 passageiros e cinco tripulantes, iniciou a corrida de decolagem. Sob a baixa visibilidade, a tripulação acabou alinhando a aeronave em uma pista de taxiamento, acreditando tratar-se da pista principal.
A sinalização incompleta e a infraestrutura ainda em expansão contribuíram para a confusão. Sem perceber o erro de imediato, os pilotos aceleraram a aeronave até perceberem que algo estava errado.
Ao atingir aproximadamente 250 km/h, a tripulação tentou abortar a decolagem, mas já não havia distância suficiente para parar a aeronave com segurança. O avião ultrapassou o final da pista e colidiu violentamente com um barranco, causando a ruptura da fuselagem e danos severos à cabine de comando.
Apesar da gravidade do impacto, muitos ocupantes conseguiram evacuar o avião. Vinte passageiros ficaram feridos e foram encaminhados a hospitais. Dias depois, um dos passageiros internados acabou morrendo em decorrência das lesões, tornando-se a única vítima fatal do acidente.
O episódio evidenciou de forma dramática os riscos das operações aéreas sob nevoeiro intenso e visibilidade crítica. A ausência de referências visuais adequadas foi um fator decisivo para a confusão entre a pista correta e a taxiway.
Naquele período, Guarulhos ainda não contava com recursos hoje considerados essenciais, como radar de solo, sistemas avançados de orientação em baixa visibilidade e sinalização plenamente padronizada, o que aumentava significativamente o risco em situações meteorológicas adversas.
Guarulhos sempre foi particularmente vulnerável a episódios de nevoeiro, devido à sua localização, à umidade elevada e à dinâmica atmosférica da região. Nas décadas seguintes, o aeroporto recebeu melhorias substanciais, incluindo sistemas mais modernos de auxílio à navegação, monitoramento meteorológico em tempo real e protocolos mais restritivos para operações em baixa visibilidade.
Esses avanços reduziram significativamente o risco de ocorrências semelhantes, embora o nevoeiro continue sendo um fator crítico capaz de provocar atrasos, cancelamentos e desvios de voos.
