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O clima em março marca a transição do verão para o outono e os dias ainda têm mais características da estação quente do que a das folhas. É o primeiro mês do chamado outono meteorológico ou climático compreendido pelo trimestre de março a maio, mas pelo critério astronômico o outono somente tem início no dia 20 Às 11h45.

Clima em março ainda terá chuva localmente forte a intensa no Sudeste

Sudeste do Brasil terá um mês menos chuvoso que fevereiro agora em março com risco ainda de episódios pontuais e localizados de precipitação intensa a extrema | PABLO PORCIUNCULA/AFP/METSUL

Uma vez que as características do clima do mês ainda são mais próximas do verão do que do outono, os dias de calor e as pancadas de chuva passageiras e localizadas são comuns, mas à medida que o mês se aproxima do fim cresce o número de dias com a temperatura mais agradável, e às vezes até com frio durante a madrugada e cedo da manhã.

Em Porto Alegre, a temperatura mínima média histórica de março (série 1991-2020) é de 19,5ºC e a temperatura máxima média de 29,2ºC, quase 2ºC inferior à média máxima do clima de janeiro. A precipitação média mensal histórica na capital gaúcha no mês de março é de 103,3 mm, muito próxima da média de chuva da maioria dos meses do ano, mas inferior aos meses de inverno e primavera.

Por sua vez, na cidade de São Paulo, com base na climatologia histórica da estação de Mirante de Santana, a temperatura mínima média de março pela série 1991-2020 é de 18,9ºC ao passo que a média máxima mensal é de 28,0ºC.

Já a precipitação média da cidade de São Paulo em março é de 229,1 mm, a quarta maior entre todos os meses do ano, atrás de janeiro (292,1 mm), fevereiro (257,7 mm) e dezembro (231,3 mm).

No geral, no Brasil, o regime de chuva ainda é o característico de verão. No Norte, segue o inverno amazônico que traz mais chuva e os estados do Centro-Oeste e do Sudeste ainda estão na temporada chuvosa, embora com volumes médios históricos menores que os de janeiro e fevereiro que são os meses mais chuvosos na climatologia das duas regiões.

El Niño Costeiro em março

De acordo com o último boletim da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central (região Niño 3.4) está em -0,1ºC, portanto em patamar neutro.

NOAA

Já o Pacífico Equatorial nos litorais do Peru e do Equador, a denominada região Niño 1+2, estava neste final de fevereiro com anomalia de +1,2ºC. Esta é a região do Pacífico em que atua um evento regional localizado no oceano chamado de El Niño Costeiro, que está em curso e vai prosseguir em março.

Chuva em março

O pico da estação chuvosa no Centro do Brasil ocorre entre os meses de dezembro e fevereiro, assim é normal que a chuva diminua nas regiões Sudeste e Centro-Oeste em março, embora ainda ocorram episódios de chuva volumosa.

Depois de um fevereiro de precipitação muitíssimo acima da média, a tendência é que março tenha precipitações mais perto da média na Zona da Mata Mineira e no Rio de Janeiro, mas alerta-se que convecção (calor mais umidade) e orografia (ventos úmidos vindos do mar) podem produzir episódios isolados de chuva intensa.

No geral, a chuva em março no Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil deve apresentar uma grande variabilidade de volumes com maior tendência de precipitação abaixo da média em áreas do Mato Grosso do Sul e parte do interior de São Paulo enquanto a chuva tem maior probabilidade de ficar acima da média em pontos do Centro para o Norte de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, litoral de São Paulo e no Norte do Mato Grosso.

Na Região Sul, igualmente a perspectiva é de chuva com grande variabilidade regional nos volumes durante o mês de março. Os maiores volumes são esperados no Oeste e Metade Norte do Rio Grande do Sul, Leste de Santa Catarina e Leste do Paraná.

Os mapas abaixo, que não necessariamente representam o prognóstico final da MetSul, indicam a tendência de anomalia de chuva (desvio da média) semana a semana para o mês de março a partir de dados do modelo de clima do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF).

ECMWF

ECMWF

ECMWF

ECMWF

Como se observa, a tendência é de março começar com chuva escassa e muitíssimo abaixo da média mais ao Sul do Brasil com acumulados altos entre o Norte mineiro, o Espírito Santo e o estado da Bahia. Na segunda semana de março, a perspectiva é de a chuva retornar com maior frequência ao Sul do país.

A comum irregularidade de chuva do verão deve seguir e temporais isolados que ainda ocorrem pela combinação de calor e umidade são decisivos para que os acumulados de precipitação sejam elevados de forma localizado.

Chamamos atenção que não raro em março, embora não em todos os anos, áreas mais a Leste da Região Sul e parte da costa do Sudeste podem ter desvios positivos localizados de precipitação com acumulados muito altos a excessivos em áreas mais próximas do oceano e a Leste da Serra do Mar.

Isso ocorre em eventos de infiltração de umidade do mar com vento Leste e que não raro resultam em episódios de chuva excessiva em áreas costeiras ou próximas junto à Serra do Mar pelo efeito de orografia (relevo), especialmente entre o Litoral Norte do Rio Grande do Sul e o litoral do Rio de Janeiro.

Este tipo de situação oferece maior risco, pelas características de topografia e densidade populacional, em especial no Leste de Santa Catarina e nos litorais de São Paulo e Rio de Janeiro quando há o avanço de uma massa de ar frio na costa com aporte de umidade a partir do oceano.

E a temperatura

Já a temperatura deve outra vez ficar acima da média em muitas áreas do Centro-Sul do Brasil neste mês de março com os desvios positivos mais expressivos no Sul do país, para onde se projeta chuva mais irregular no decorrer do mês. No Sudeste do Brasil, a maior parte das cidades terá chuva perto ou pouco acima da média, mas por chuva pontos mais a Leste e a ao Norte de Minas, Rio de Janeiro e Espírito Santo podem ter marcas ao redor ou pouco abaixo da média.

Os mapas abaixo, que não necessariamente representam o prognóstico final da MetSul, indicam a tendência de anomalia de temperatura (desvio da média) semana a semana para o mês de março a partir de dados do modelo de clima do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF).

ECMWF

ECMWF

ECMWF

ECMWF

Como é o período final do verão astronômico e o começo do outono meteorológico (trimestre março a maio), é comum que março ainda apresente vários dias de calor e em alguns intenso. Neste ano, porém, não se projeta um elevado número de dias de calor intenso.

Por outro lado, há uma tendência de aumento dos dias de temperatura agradável, em especial mais ao Sul do Brasil. As noites passam a ficar mais amenas gradualmente e algumas podem ter até temperaturas baixas na Região Sul, o que deve ocorrer agora no começo do mês e deve se repetir na segunda quinzena de março.

Ciclones atípicos

Março não é um mês em que tradicionalmente ocorrem ciclones extratropicais com maior frequência, mas é mês com histórico de ciclones atípicos (subtropical ou tropical) na costa. O episódio mais notável é o furacão Catarina de 2024, mas o mês tem ainda em sua climatologia histórica a tempestade tropical Iba (2019), a tempestade subtropical Cari (2015), a tempestade subtropical Arani (2011) e a tempestade tropical Anita (2010). Logo neste começo de março de 2026, pode se formar na costa a tempestade subtropical Caiobá.

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